[Resenha] A Página Perdida de Camões – Luciano Milici

resenha-a-pagina-perdida-de-amoes-luciano-milici“A Página Perdida de Camões” é o terceiro livro de Luciano Milici, um autor já bem conhecido no meio do terror e suspense, mas que agora nos traz uma história onde mistura “dados históricos” com fantasia para criar uma trama que coloca Luiz Vaz de Camões como uma espécie de agente secreto em uma missão secreta.

Lançado no final de 2012, a exatos 440 anos da publicação de “Os Lusíadas”, o livro “A Página Perdida de Camões” vem recebendo críticas positivas por parte de leitores das mais variadas formações e idades, além de acadêmicos do Brasil e de Portugal.

Resumo da Obra

Santiago Porto, um jovem pesquisador, mestre em enigmas, fã de literatura, de Rock ’n’ Roll e autor de As Incríveis Aventuras do Capitão Astrolábio – livro pouco conhecido – recebe de uma misteriosa e bela garota, a missão de encontrar a página perdida da grande epopeia “Os Lusíadas”, que, segundo a lenda, foi perdida junto com a morte de Dinamene, o grande amor do poeta Luis Vaz de Camões; a página, um fragmento inédito procurado por seitas e homens inescrupulosos desde a sua publicação há 440 anos. Oculta por enigmas, anagramas e charadas, sua descoberta pode revelar a localização da lendária Máquina do Mundo.

Porém, nem tudo é o que parece… Enquanto Santiago e outros procuram pela página perdida, um terrível assassino em série, aparentemente relacionado aos poemas de Camões, tortura e mata os envolvidos nessa grande busca, deixando recados ameaçadores à polícia e à imprensa. No entanto, com a ajuda de seus amigos, Santiago não se deixa amedrontar, infiltra-se em reuniões secretas, desvenda segredos seculares e aproxima-se, a cada dia de seu objetivo ao mesmo tempo em que tenta salvar a própria vida.

Crítica

Dizem que não devemos julgar o livro pela capa, mas foi impossível não ficar impressionado com a arte e, claro, com o título: A Página Perdida de Camões: o enigma d’Os Lusíadas. Somando ambos, temos, portanto, uma obra de ficção atraente, contemporânea – por ser possível a existência de uma página perdida – e viva, já que a epopeia “Os Lusíadas” é uma obra constante na língua portuguesa.  Assim, instigado por todos esses fatores mais o fato de existir uma sociedade secreta e um assassino em série, comprei o livro.

Já no início da leitura podemos ver que Luciano fez um ótimo trabalho de pesquisa. A forma que os cantos, versos e anagramas são expostos nos faz imaginar a quantidade de papéis e rabiscos que foram precisos para transformar uma simples ideia em 392 páginas de aventura, enigmas e referências dos anos 90. Com tudo isso, A Página Perdida de Camões é capaz de nos levar de volta àquela cadeira da escola/cursinho onde fomos apresentados ao grande poeta português e a sua obra, assim como às bandas e músicas que tanto embalaram a década de 80 e principalmente a de 90. Ou seja, um livro capaz de extrair um adolescente aventureiro, transviado e romântico que há em cada um de nós.

Influenciado por Umberto Eco, Machado de Assis, Matrix, Guns N’ Roses, e tantas outras bandas nacionais e internacionais, Luciano Milici cria essa história envolvente, repleta de romantismo, mulheres bonitas e um enredo muito contemporâneo, além de nos apresentar a cidade de São Paulo com detalhes, às vezes, esquecidos pelos paulistanos. Assim, cercado de boas influências e de uma excelente pesquisa, A Página Perdida de Camões torna-se em uma boa leitura. Porém, apesar de possuir elementos para uma ótima história, A Página Perdida de Camões está longe de ser um excelente livro sobre sociedade secreta, assassinos em série e mistérios. Devo admitir que Luciano Milici criou um ambiente perfeito para sua história: um bar voltado para pessoas mais cultas, camisetas com bons dizeres, algumas situações bem interessantes entre outros fatos. No entanto, mesmo tendo ótimas ideias, aquelas que me conduziram à compra – mote, trama, mistério e aventura – não acabaram me cativando como eu esperava que fossem.

Um dos fatores que influenciaram na minha avaliação as ilustrações. Ilustrações, pra mim, cabem em livros que tratam sobre o tema, não em uma obra de ficção. Quando leio, gosto de seguir as descrições fornecidas pelo autor para criar a imagem do personagem, isto é, tomo posse das informações dadas e crio, mentalmente, aquele personagem ou aquela situação. No entanto, o que vi no livro não foi uma, mas várias ilustrações, tanto de personagens quanto de situações que acabaram limitavam o meu processo criativo. Sim, talvez pra você esses detalhes não tenham importância, mas acredito que pra muitos outros a criação do personagem é super importante. Por outro lado, diferente das ilustrações, o próximo fator não será algo isolado; uma opinião de um mero leitor, mas algo unânime, acredito.

Ao procurar livros que contenham sociedades secretas, acredito que irei encontrar uma sociedade secreta poderosa, antiga, repleta de pessoas influentes que, através das suas conexões, poderão se infiltrar em todos os ramos da ciência, das artes e da política, ou seja, algo que não se limita a meros “paus mandados”, como acontece no livro; indivíduos que mais parecem pertencerem a um bando de trapalhões do que a uma organização fundada há milhares de anos. A impressão é que essa suposta “sociedade secreta” só foi criada/introduzida para vender mais livros, pois, quem não gosta de uma boa conspiração? Enfim, algo totalmente sem propósito.

Infelizmente, fui pego pelo primeiro mandamento do leitor: não julgarás o livro pela capa. Porém, mesmo diante dessas decepções, ter lido A Página Perdida de Camões despertou uma vontade enorme em percorrer as mais de 1000 estrofes da grande epopeia que é Os Lusíadas, algo que Luciano Milici nos deixa bem claro, além, é claro, de querer que o Bartenon fosse um bar paulistano.

Para finalizar, deixo uma passagem muito bonita que surgiu nas últimas páginas, que acredito ter sido uma excelente homenagem ao pai do autor:

“A vida é um livro maravilhoso. Somos todos protagonistas, antagonistas, figurantes, apoios cômicos. Às vezes, queremos pular capítulos, adiantar algumas páginas, mas, acredite, no final da história, você passa a adorar o autor e implora pela oportunidade de reler e participar de uma continuação.”

Recomendação

Enfim, apesar dos pesares, A página perdida de Camões é um bom livro, porém, para o público errado. Com tantas referências à década de 80/90, impossível indicar a leitura para alguém que esteja fora dos 25 a 33 anos. Portanto, se você estiver buscando um simples passatempo, vá fundo e adquira um exemplar, mas não se esqueça de manter o Crítico fora da leitura. Deixe-se embalar pelas referências nostálgicas que permeiam as 392 páginas e volte ao tempo com Santiago Porto e sua trupe.

Título: A Página Perdida de Camões: O Enigma d’Os Lusíadas
Autor: Luciano Milici
Ano: 2013
Páginas: 392
Editora: Generale
ISBN: 978-85-6399-348-9
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