[Editorial] Escrever na Era da Informática

Escrever na era da informática

No dia 30/05, no Encontro sobre Literatura Portuguesa, tive o prazer de conhecer o autor português, Gonçalo M. Tavares – com direito a autógrafo em um de seus livros. Porém, o que realmente valeu a pena foi ter participado do encontro.

Durante o bate-papo, Tavares levantou um tema muito interessante e de grande ajuda para os escritores como para o uso da internet: Escrever na era da informática.

Foi há mais de meio século que a prensa móvel tomou o lugar de pedras e papiros; instrumentos utilizados para expressarmos, através de desenhos ou palavras, um sentimento, uma visão, um pensamento ou até um sentimento. E desde então, o mundo foi inundado de livros, jornais, revistas, panfletos e etc.

Porém, desde o dia em que o homem deixou de utilizar as paredes rochosas como forma de expressão, vivíamos num mundo onde a escrita poderia ser privada, a não ser que procurássemos uma prensa móvel e resolvêssemos publicar nossas histórias para um público maior, e se desejássemos que nossa história não passasse de simples rabiscos desenhados no papel, bastaria mantê-los sob o nosso domínio e a história morreria em nossas mãos.

Hoje, no entanto, mesmo com o avanço tecnológico, retrocedemos. Voltamos à época das paredes rochosas. Escrevemos não mais para nós, mas para todos. Publicamos textos, pequenas frases e atualizamos nosso “status” para mostrar ao aquilo que gostamos, pensamos e sentimos. Esquecemos que a internet, muito diferente da prensa móvel, é uma imensa parede rochosa, com a qual manteremos nossos registros, mesmo que não os queiramos mais.

E assim, como em um ciclo, voltamos a escrever na pedra. Porém, se antigamente era uma demonstração de um acontecimento, hoje o acontecimento somos nós. Uma inversão de valores criada por nós e para nós, na qual mantemos a ilusão de sermos livres para nos expressarmos sem consequências.

Uma palavra escrita é semelhante a uma pérola.
Johann Goethe

Comments

  1. INTERESSANTISSIMA comparação!
    É verdade, escrevemos em murais, em pedras mesmo que sejam virtuais.

    • Exatamente, Sis!
      Temos a impressão de que temos a liberdade de escrever, porém, estamos presos em algo que, provavelmente, nunca desaparecerá.
      Quando o Tavares falou isso, minha cabeça explodiu! Sério, passei o encontro inteiro pensando sobre isso.

      Beijinhos e obrigado pelo comentário, Sis!

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