[Resenha] O Velho e o Mar – Ernest Hemingway

Ilustração do para o livro O Velho e o Mar

“O Velho e o Mar” é o romance mais famoso de Ernest Hemingway, que lhe garantiu o prêmio Pulitzer, em 1953.
Escrito em 1951 e publicado em 1952. O Velho e o Mar faz parte das 10 obras de ficção escritas por Hemingway, sendo seu último livro a ser publicado em vida.

O livro utilizado na resenha é a 75ª edição, de 2011, com 128 páginas, traduzido por Fernando de Castro Ferro e editado pela Bertrand Brasil Esta obra não contém divisões de capítulos, portanto, uma leitura corrida e sem necessidade de paradas.
Esta resenha será dividida entre Resumo da Obra, Crítica, Recomendação e um breve resumo sobre o Autor.

 Resumo da Obra

O Velho e o Mar conta a história de Santiago, um pescador cubano que, depois de 81 dias sem apanhar um só peixe, acaba fisgando um de tamanho descomunal, que lhe oferece inusitada resistência e contra cuja força tem de opor a de seus braços, do seu corpo, e, mais do que tudo, de seu espírito.

Santiago é um velho pescador que, devido a sua vasta experiência no ramo, conhece o mar e suas artimanhas, buscando sempre se sobressair aos demais pescadores quando se trata de conhecimentos de pesca. Porém, um homem que sempre está disposto a ensinar seus truques a quem está disposto a aprendê-los.

Acompanhado pelo seu jovem aprendiz, que hoje já não mais o acompanha em suas aventuras, Santiago é apaixonado pelo mar e fã de beisebol, e sempre que pode, acompanha os resultados pelo jornal, antes de dormir.

Rotulado por muitos como um azarento de pior espécie, Santiago é um homem de rija têmpera, e acreditando em si mesmo, parte sozinho para o mar alto, munido da certeza de que, desta vez, após 84 dias, o 85º dia será o seu dia de sorte.

Um homem só com seus sonhos e pensamentos, suas fundas tristezas e ingênuas alegrias, amando com certa ternura o peixe com que trava ingente luta até levá-lo a uma derrota leal e honesta.

Crítica

Como dito antes, o livro possui 128 páginas, portanto, um livro pequeno e rápido de ser lido. Um texto rápido e sem muitas firulas, apresenta, ainda, algumas ilustrações no decorrer das páginas. No entanto, por mais curta que seja a história, Hemingway consegue envolver o leitor, despertando certas insatisfações e percepções para os mais ávidos.

Quando lemos um livro de grande impacto entre os críticos, temos que observar a época em que foi escrito. Assim, vemos que O Velho e o Mar foi escrito no início da década de 50, após pesadas críticas recebidas pelo seu último livro, Do Outro Lado do Rio e Entre as Árvores. Assim, num período pós-guerra e repleto de críticas, Hemingway escreve O Velho e o Mar.

Desta forma, é impossível ler O Velho e o Mar com olhos despretensiosos. Algumas referências apresentadas nos faz divagar sobre a representação que Hemingway dá a Santiago, ao Jovem aprendiz, ao Grande Peixe e aos Tubarões que atormentaram a sua volta para casa.

Utilizando os personagens, vejo Santiago como o próprio Hemingway; o Peixe como sua obra: os Tubarões como sendo os críticos e o Jovem como uma metáfora ao próprio escritor, ou seja, uma reflexão sobre a sua vida até o momento que chegou. Algumas outras comparações podem ser observadas. Porém, gosto da forma que o livro se apresentou para mim. Gosto de encarar o livro como uma crítica pessoal e profunda ao invés de estabelecer um paralelo com o mundo pós-guerra, pois assim a leitura se torna muito mais profunda e sentimental do que crítica e política.

Acredito que essa seja o grande sucesso do livro. Hemingway não só criou um romance, mas uma crítica, uma reflexão e um personagem aprofundado em nós mesmos, que nos leva nas marolas de suas palavras até um mar revolto de sentimentos e reflexões pessoais. Ou seja, o velho Hemingway nos leva ao mar de sentimentos e sensações, permitindo-nos uma reflexão profunda sobre quem somos e o que fazemos de nossas próprias vidas quando estamos diante de grandes sonhos e profundos problemas.

Vejamos algumas passagens:

“- Como é que você se sente, mão? – perguntou ele à mão tomada de cãibras, tão inerte que parecia de uma rigidez cadavérica. – Vou comer mais por sua causa.”

“(…) É fácil quando se está vencido’, pensou o velho pescador. ‘Eu nunca tinha sido derrotado e não sabia como era fácil. E o que me venceu?’, pensou ele.
- Nada – disse em voz alta. – Fui longe demais.”

“Pescar mata-me tal como me faz viver.”

 

Hemingway, na minha opinião, não é um excelente escritor, mas quando escreve faz seu trabalho com maestria. Por possuir uma formação jornalística, o autor sabe colocar muito bem as palavras, permitindo que seus textos sejam lidos por uma, duas, três gerações simultaneamente, sem perder o foco principal. Ou seja, suas histórias saem de um contexto histórico para se tornarem fontes de inspiração para mutios.

Recomendação

Acredito que depois da crítica, sou obrigado a recomendar a leitura do Velho e o Mar. Seja você um jovem rapaz ou um senhor de várias primaveras, o livro serve tanto como um passatempo como uma reflexões sobre a vida.

Porém, acredito que O Velho e o Mar seja uma leitura indicada para pessoas acima de 30 anos, exatamente para um maior aproveitamento das belíssimas colocações e reflexões que invadem a pequena história.

O Autor

Hemingway nasceu em 1899 e morreu em 1961, 10 anos após escrever O Velho e o Mar. Entre suas obras, temos Por Quem os Sinos Dobram, Paris é uma Festa, Adeus às Armas, O So Também Se Levanta e outros tantos contos. Ganhador do Prêmio Pulitzer em 1953, Hemingway também foi acariciado com o Prêmio Nobel de Literatura no ano seguinte, em 1954.

Hemingway trabalhou como correspondente de guerra, durante a Guerra Civil Espanhola, experiência que lhe rendeu inspiração para uma de suas maiores obras: Por Quem os Sinos Dobram. E, ao final da Segunda Grande Guerra, instalou-se em Cuba, onde viveu até 1960, voltando para os Estados Unidos.

Sua vida foi repleta de altos e baixos. Sofria de hipertensão, diabetes e depressão. Uma vida conturbada que, no dia 2 de julho de 1961, teve seu fim. Hemingway, aos 61 anos de idade, cada vez mais instável emocionalmente, comete suicídio com uma de suas armas favoritas.

 

O Velho e o Mar

O Velho e o Mar

Título: O Velho e o Mar
Autor: Ernest Hemingway
Ano: 2011
Páginas: 128
Editora: Bertrand Brasil
ISBN: 9788528607598

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Comments

  1. Sempre ouvi falar desse livro, mas nunca despertou meu interesse.
    Depois de ler sua resenha e crítica, percebi que deixei passar uma grande oportunidade de boa leitura.
    Hoje tenho mais de trinta, então deve ser o momento certo. Acredito que, sabendo dos detalhes que você colocou no artigo, vou poder aproveitar muito mais das mensagens contidas nele.
    Grande abraço.

    • Grazi, eu também ouvia falar muito bem desse livro, mas sempre me pareceu um livro mais “cabeça”, por isso que deixei ele de lado.
      Daí, depois de alguns anos, vendo amigos lendo e comentando, deixei a preguiça de lado e entrei de cabeça no mundo de Hemingway. A loucura foi tanta que já comprei 3 livros! Agora só espero encontrar tempo pra poder ler todos e fazer as devidas resenhas. :)

      Fico muito feliz em saber que despertei uma curiosidade. Aliás, acho que essa é a melhor recompensa quando indicamos um livro!
      Espero que você se divirta muito lendo O Velho e o Mar.

      Beijão e obrigado pela visita! :)

  2. Ótima resenha, como sempre.Realmente, parece um livro interessante. Lerei.
    bjs

  3. nossa gostei muito desse livro ele me intereso muito , pois fim um belo traabalho de português…
    peguie ele meio por acaso mesmo mais valeu apena um bela historia!

    • Jackson, sem dúvida, O Velho e o Mar é um excelente livro. A história é repleta de profundidade, não só em relação ao personagem principal – o velho -, mas até o peixe tem uma peça chave. Sou capaz de dizer que o Jovem me pareceu uma loucura do Velho, uma ideia de quando ele era mais novo.
      Enfim, fico muito feliz que tenha gostado da história.

    • sim cara e muito bacaana mxm vlw por ler e ainda responder o meo comentario

  4. bom

  5. Amaury Martins Pereira says:

    Quando li este livro me senti entusiasmado com a. Narrativa intensa e emocionante.W.

    • Digo o mesmo, Amaury!
      Hemingway se tornou sinônimo de compra no escuro; tenho certeza que qualquer livro dele será uma boa aquisição.

      Abraços e obrigado pelo comentário.

  6. Ana Carolina Santos says:

    Bom livro!

Trackbacks

  1. [...] livro não é repleto de reflexões como O Velho e o Mar. Muito pelo contrário, é um livro real. Portanto, a recomendação vai para aqueles que buscam [...]

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