PPE – Programa de Prisão Educacional

Passei por cinco colégios desde o maternal até o 3º colegial. Não, não foi por má conduta ou algo do tipo, mas por opção, ou a falta dela. No entanto, o que quero dizer é que não tenho saudade dos tempos de escola. Tenho saudade das pessoas e de certos momentos, mas não dos tempos de escola.

Desabafo ou não, a verdade é que me sentia intimidado com o sistema de ensino, e vejo que esse sentimento ainda está presente. Alunos ainda se sentem intimidados pela forma que lhes é colocada a educação. Com medo, talvez, e as aulas expositivas não tendem a melhorar esse quadro, pois, permanecer sentado dando ouvidos a pessoas dizerem que é nosso dever aprender aquilo a todo custo, senão, nos tornaremos um bando de fracassados pro resto de nossas vidas. Será?

Segundo a sociologia, a personalidade de um indivíduo é formada tanto pelas suas decisões como pela interação social, ou seja, o meio tem um fator determinante para a formação de nossa personalidade e, por que não, individualidade.

O padrão de ensino de qualquer escola não deixa nada a desejar para um sistema penitenciário. Uma diferença gritante é o quanto se paga para ficar preso em um local inóspito:

  • horário de entrada e saída;
  • intervalos:
  • seguir as regras estabelecidas:
  • os doentes são levados à enfermaria;
  • provações constantes;

Podemos dizer que se trata de um regime semiaberto, e olha que essas são algumas situações que podemos classificar como similares ao sistema penitenciário. No entanto, acredito não serem as únicas. Se incluirmos algumas brigas brincadeiras para determinar quem será a pessoa que manda e desmanda, enquanto uma hierarquia superior não se pronunciar, teremos uma boa visão de como funciona o sistema educacional.

Num momento tão frágil e delicado da vida de uma criança e de um adolescente, tratá-lo como um “presidiário” não parece ser a melhor opção. Aprender NÃO deve ser algo forçado. Aprender deve ser natural, curioso, interessante. Se a formação da identidade de um indivíduo é complexa, obrigá-lo a aprender não trará bons frutos.

Podemos citar dois fatores como determinantes para a formação da personalidade: o meio e o indivíduo. Isto é, a identidade consiste num conjunto de referências e influências que o definirão, por contraste, ou seja, pela diferença ante as diversas situações de seu cotidiano. Porém, o que vemos em nosso sistema educacional é uma abordagem contrária. A impressão que os alunos têm é que a escola não passa de uma prisão, privando-os de certos “prazeres” da vida. Ou seja, o sistema de ensino separa o indivíduo do meio, para criar outro completamente diferente de sua realidade, na frustrada tentativa de ensiná-lo.

A realidade é que a mensagem passada não afeta diretamente o seu interlocutor, pois, essa mensagem é transmitida em tons ameaçadores gerando uma desconfiança por parte dos seus “clientes”, ou seja, a mensagem perde-se durante o caminho, pois não há similaridade com a realidade vivida pelo aluno, criando um paradoxo: quanto mais educação menos educação.

A escola deve preparar o indivíduo para a vida, porém, não uma vida programada, mas a SUA vida; o seu momento, o seu meio. Isto é, dar as bases para que sua identidade seja formada, ensinando-o a fazer as suas próprias escolhas de forma natural, e, como um guia, conduzindo-o durante todo o processo. Aprender deve ser algo natural e coerente com o processo atual. Separar o indivíduo do meio é colocá-lo em uma posição defensiva, onde a melhor forma de defesa será o ataque.

Na medida em que o indivíduo mantém um show diante dos outros, um show que ele mesmo não acredita, ele pode experimentar um tipo especial de alienação de si mesmo e um tipo especial de desconfiança dos outros.

 Erving GoffmanThe Presentation of Self in Everyday Life


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