[Editorial] Natal: um dia de…

E chegada a hora do natal: a confraternização, o banquete saboroso, os abraços e a troca de presentes. Um dia tão esperado, que sua preparação começa logo no começo de dezembro com a árvore de natal. Um momento mágico onde todos se reúnem para escolher os melhores lugares para pendurar os enfeites e a melhor posição para o pisca-pisca, reservando um espaço considerável para os futuros presentes e cartões de natal. Esse é o momento inicial, o momento onde o espírito natalino nasce e morre.

A impressão que tenho é que a montagem da árvore dá início a tudo. Um corre pra lá, um corre pra cá. O ambiente e a vida social mudam completamente depois que o pinheiro já está enfeitado. Ligações e preparativos para receber os familiares começam, e sempre com a mesma pergunta: na tua casa ou na minha? Seguindo, por muitas vezes, senão todas, com a singela escolha do “amigo secreto”, dando um ar de surpresa para o fatídico dia. E, assim, com esse pontapé inicial, começa a grande corrida.

A necessidade em “comprar” é tão alta que lojas, shoppings, ruas, igrejas, prédios públicos e até BANCOS começam a enfeitar seus ambientes inóspitos para esse momento tão esperado. A corrida é tão intensa que os centros comerciais deixam suas portas abertas por 24 horas, os empregadores pagam as parcelas do 13º salário e as pessoas, como bons cordeiros, seguem o rebanho, como uma enorme romaria às lojas mais próximas.

O papel de comprador natalino é tão bem desempenhado que poderíamos separá-los em três categorias: os compradores de curta distância, os de média distância e os de longa distância. O primeiro deixa tudo para o final, dando uma explosão rápida na última semana. O segundo faz um preparativo para sair em dias mais tranquilos, correndo com mais calma. Agora, o terceiro… Esses são aqueles que começam cedo, fazendo suas compras meses antes. No entanto, independente da categoria que você se encaixa, continuará sendo um corredor.

Infelizmente, época de natal é assim mesmo… Mas… não deveria ser!

O Natal traz consigo uma pausa, um anúncio de que o ano acabou e que devemos celebrar o nascimento de um novo amanhã e não um demorado pagamento de prestações. O Natal é um momento de reflexão e confraternização, seja com ou sem presentes. Bonito mesmo é ver toda a família reunida, (aqueles que já perderam seus avós, pais ou até irmãos, saberão do que estou falando) compartilhando risadas e lembranças, celebrando mais um ano junta. O Natal tem uma força tão especial – muitos a chamam de espírito natalino – que é capaz de afastar as diferenças, aproximando pessoas que há muito estavam distantes.

Confesso que fico triste com essas situações. Não sou de dar presente, muito menos de ganhar, aliás, acho que isso é uma consequência, pois, se não presenteio, provavelmente não serei presenteado… Divagações à parte é triste ver que um ritual tão bonito deu lugar ao presente no pé da árvore de natal.


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