[Editorial] Leitura: um diálogo interno

Livros, revistas, jornais, contos, Folhetins… Ler é maravilhoso. Boa ou má, qualquer leitura é válida.

Segundo o professor  de filosofia da Universidade do Sagrado Coração (USC) Silvio Motta Maximino “A leitura provoca um efeito físico no cérebro, além do espiritual e psíquico”.

Sou obrigado a concordar. A leitura tem a capacidade de nos levar a outras vidas, a outros universos; a outras situações que são capazes de mudar a forma como nos vemos e, portanto, como vemos o mundo. Porém, certas vezes, é capaz de transformar as pessoas de uma forma totalmente diferente da esperada, como aconteceu com um leitor de André Vianco, autor do livro Os Sete (entrevista completa – Programa do Jô, de 20 de abril de 2011), ao perguntar para o Autor como ele deveria proceder para se tornar um vampiro.

Porém, casos como do exemplo acima são raros, os mais fáceis de serem encontrados são aqueles em que os livros acabam mudando a nossa forma de pensar. Muitas vezes, esses momentos ocorrem quando nos deparamos com uma determinada frase ou uma rápida passagem, daquelas que nos fazem pensar além da palavra morta, que nos leva a digressões não previstas, ou previstas, pelo autor. E nesse momento… Ah… nossas vidas darão uma guinada. Pode não mudar naquele exato instante, mas, se você teve aquele estalo, aquela sensação de “preciso anotar isso”, ou só pelo fato de você ter parado para pensar naquela frase. Acredite você mudou, e nem mesmo o Akinator, o Gênio da Internet, será capaz de dizer quem você é.

Ler, portanto, além de ser uma forma de viajar em águas nunca antes navegadas, é uma oportunidade de dialogar, de desenvolver novos pensamentos, de visitar novas cidades, de viver novas vidas com aquele personagem que se parece tanto conosco. Assim, a história deixa de ser ficção e se tornar uma possível história pessoal. Esse é o poder de uma história bem contada, onde você se torna o personagem e o personagem se torna você. Por vezes, chega ao ponto de querermos alterar a história para torná-la… nossa.

Com o seu poder de nos transportar para dentro de um personagem, a leitura permite não só um diálogo interno, mas uma discussão com o leitor. Uma discussão do antes e do agora; do velho e do novo, proporcionando bons combates, tendo de um lado o antigo e do outro o atual, nos impulsionando a um eterno ciclo sem fim. E quando isso acontece caro leitor… não há como voltar atrás. Não há como resistir às delícias de se autoconhecer. Seja bom ou mau, o descobrir é revigorante; é libertador. Até podemos tentar, mas será difícil vencer a nova versão de nós mesmos.

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas… Que já têm a forma do nosso corpo… E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares… É o tempo da travessia… E se não ousarmos fazê-la… Teremos ficado… para sempre… À margem de nós mesmos…

Frase atribuída a Fernando Pessoa

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