[Editorial] O Livro Cinematográfico

Não é novidade de que o cinema é movido por histórias literárias, das quais, podemos citar: O Poderoso Chefão, Harry Potter, James Bond, Entrevista com Vampiros, entre outros que tiveram suas histórias adaptadas ao cinema.

Aliás, o grande sonho de qualquer escritor é ver que sua obra não está limitada apenas ao papel e tinta, mas que ela pode ser adaptada a tantos outros meios (cinema, teatro, exposições). Porém, o que antes era a via de uma mão (o cinema adaptando livros), hoje, temos o lado oposto, ou seja, o escritor adaptando seu livro ao cinema. E a verdade deve ser dita, muitos escritores escrevem pensando em Hollywood, dando um tom cinematográfico às histórias, deixando de lado o poder que somente a leitura proporciona.

Como já disse várias vezes, sou fá de José Saramago, seus livros, pra mim, são uma obra de arte. Uma forma de ver o mundo com outros olhos, como é o caso do Ensaio Sobre a Cegueira. Um livro que traz um incomodo absurdo a qualquer pessoa que tenha ou teve o prazer de lê-lo. Acompanhar a história pelos olhos de uma personagem é Brilhante! A leitura se torna intrigante e, ao mesmo tempo, desesperadora. Pois, você e a personagem são os únicos que enxergam a história com ela realmente é. Diferente do restante, que simplesmente sentem o mundo. Ou seja, ao mesmo tempo em que você vê o mundo pelos olhos daquela que enxerga, você sente o mundo através daqueles que sentem. E, desculpem-me os fãs de Fernando Meirelles, mas, sentir o caos gerado pela cegueira coletiva, não é o mesmo que vê-los.

O poder do livro não está nas telas, nas grandes produções ou efeitos especiais. Seu poder permanece nas mãos do leitor, em sua imaginação, no seu sentir; em sua capacidade de imaginar cada acontecimento, cada detalhe, cada situação, criando sua própria história através do que o escritor escreveu. Porém, quando as obras são escritas para o cinema, perdemos essa possibilidade, pois, o personagem e suas situações já se apresentam totalmente criadas, sendo capaz de produzir o sentimento de que “O livro é BEM melhor!”. E, quem nunca ouviu, pensou ou sentiu isso, que atire a primeira pedra.

Ler é, antes de tudo, um exercício de imaginação; é viver ao lado do escritor e de seus personagens; é estar em constante transformação; é ter a capacidade de viver milhões de personagens em situações diferentes e, ao mesmo tempo, não deixar de ser quem você é. Ou seja, é dar ao leitor o poder de imaginar, de se colocar presente na história como um personagem, ao invés de acompanhar os passos do ator principal.

 Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever – inclusive a sua própria história.

Bill Gates


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