[Editorial] De Gutenberg ao Mercado Editorial

Johannes Gutenberg – pai da prensa móvel – deu início ao que hoje chamamos de Mercado Editorial. O uso de tipos móveis revolucionou o modo de fazer livros pela Europa e pelo mundo.

Diferente dos monges copistas e até dos escribas egípcios, a prensa móvel permitiu uma rapidez na reprodução de livros, transformando o processo manual em um modelo Ford de produção, tornando o livro mais acessível, popular e, porque não, barato. No entanto, apesar de ter sido algo revolucionário, as novas técnicas de prensa serviram a um único propósito: o conhecimento. Gutenberg, ao lançar o primeiro “best-seller” da história: a Bíblia, visava a transmissão do conhecimento numa sociedade católica e temente a Deus.

Claro que uma Bíblia produzida naquela época não era deixada em qualquer criado-mudo de hotel, sua produção era destinada a pessoas ricas que pudessem pagar pelo preço de sua fabricação. Entretanto, mesmo sendo uma produção inicialmente cara, a técnica de prensa permitiu sua proliferação após alguns anos. Ou seja, a revolução permitiu a popularização da cultura, a longo prazo.

Contudo, com todo o peso da responsabilidade à qual se destinou o antigo mercado editorial, hoje, a prática estabelecida não busca a divulgação de conhecimento, mas o lucro que determinada publicação poderá gerar, caso seja um livro de sucesso. Publicar um livro deixou de ser uma forma de levar cultura ao povo para se tornar, efetivamente, um negócio. Um mercado controlado pelas mãos de determinadas pessoas que decidirão o que você, eu e todo mundo deverá ler.

Pascoal Soto, diretor editorial da LeYa, disse à redação do G1:

“O que chega a uma editora sem indicação dificilmente vai adiante. Aqui, recebemos 100 projetos editoriais por mês. É muito difícil avaliar. Tentamos ver tudo, mas é complicado saber o potencial real desses projetos.”

Sem dúvida que ao dar essa declaração, Soto confirmou o que muitos já sabiam de antemão, ou seja, para se tornar um “autor” é preciso ter uma boa indicação, caso contrário, seu livro poderá ficar parado numa mesa durante meses, ou, até mesmo, poderá nunca ver os olhos de um editor.

Infelizmente, esse é o grande truque: um padrinho. Alguns dão o nome de network outros de influência. A verdade é que o nome pouco importa, o importante será a pressão que ele exercerá naqueles que darão o voto final; portanto, o bom e velho: “publique-se”.

Assim, de revolucionário a seleto, o Mercado Editorial tornou-se uma oligarquia, concentrando o poder na mão de “copistas ou escribas” que determinarão o que deve ou não ser lido.

Como Gutenberg, passamos por um momento de transição, onde a prensa móvel deve ser reinventada, buscando não só o lucro, mas o princípio de seu criador:

“It is a press, certainly, but a press from which shall flow in inexhaustible streams…Through it, God will spread His Word. A spring of truth shall flow from it: like a new star it shall scatter the darkness of ignorance, and cause a light heretofore unknown to shine amongst men”

Johannes Gutenberg



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