[Conto] A Vergonha – Die Blütezeit.

Há exatos 72 anos, teve fim uma das maiores e mais sangrentas guerras que o mundo moderno já presenciou: A Segunda Guerra Mundial. Uma data que, na minha opinião, não deve ser esquecida, pois, um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la”. Ernesto Che Guevara.
Devido à data de hoje, resolvi escrever um conto com três partes, ontem tivemos a primeira parte, hoje a segunda parte e amanhã teremos a parte final, aguardem!

Após ter decidido que seria não compartilhar o mesmo teto que seus pais, Johnen passou por grandes dificuldades, principalmente a financeira. Os seis primeiros meses, após sua saída, foram os mais difíceis. Como não possuía um lugar para morar, e o pouco dinheiro que ganhava não era suficiente para cobrir as despesas de um quarto, Johnen foi obrigado, por muitas noites, a dormir em casa de simpatizantes ao movimento nazista, porém, seu dormitório padrão estava localizado nas ruas de Nova York. Passando frio e fome, a pratica de pequenos furtos foi a única saída que encontrou para se manter vivo.

Mas, nos seis meses seguintes, uma oportunidade de emprego, num grande jornal da região, foi a sua salvação. Suas ideias revolucionárias sempre rendiam ótimos textos, dizia seu editor. Sua capacidade para enaltecer o exército alemão transmitia aos leitores a necessidade de uma investida mais intensa dos EUA, o que ocorreu, realmente, com a pressão popular, promovida, não pelos brilhantes textos de Johnen, mas pelo bombardeamento de Pearl Harbor. Assim, no final de 1941, os Estados Unidos entram oficialmente na Segunda Guerra Mundial.

Johnen, apesar de já estar estabilizado financeiramente e, de certa forma, ser um cidadão americano, ao ver os grandes anúncios do governo americano em prol de soldados, tomou a decisão de sair de seu emprego e juntar-se às forças aliadas. Porém, o que seu comandante não fazia ideia era que suas intenções não visavam acabar com a guerra, mas ter a oportunidade de se juntar ao exército alemão na investida contra as raças inferiores.

Seuss treinamentos duraram algumas semanas, sua ascendência austríaca proporcionou-lhe o cargo de intérprete, sendo enviado à Inglaterra como um valioso recurso, algo que o exército britânico precisava, ainda mais depois da Batalha da Grã-Bretanha, onde mil aviões alemães, da Luftwaffe, cobriram os céus londrinos, na manhã do dia 15 de setembro de 1940.

A batalha, apesar de ter sido perigosa, foi um sucesso para o exército britânico, pois, depois da sua tentativa, o exército nazista preferiu esperar a vitória contra os russos a investir novamente contra as ilhas britânicas.

E assim, num clima de tensão, porém, de certa tranquilidade, em 25 de abril de 1941, Johnen chega às ilhas britânicas, pronto para orquestrar seu plano de traição contra o exército americano e inglês.

Seus primeiros meses como intérprete foram tranquilos, fornecendo as informações necessárias para o exército britânico, enfim, um bom soldado, como todos esperavam que fosse. Uma de suas traduções ajudou o exército britânico na invasão, juntamente com as França Livre, em 8 de junho de 1941. Ou seja, Johnen cumpria seu papel como combatente.

No entanto, na madrugada de 10 de novembro de 1941, enquanto todos comentavam o discurso dado por Winston Churchill, Johnen continuava na escuta das forças alemãs, procurando uma forma de se juntar às forças nazistas. E usando de seu bom alemão, faz contato com um soldado alemão:

– Sim, possuo informações fundamentais para o governo alemão, câmbio.

E através dessas informações, Johnen já se considerava um traidor. Eufórico com o seu sucesso, resolveu comemorar sua conquista em um bar próximo à base inglesa. Depois de horas de conversa com alguns soldados, Johnen já havia bebido demais e começava a demonstrar seu lado nazista, criticando as forças aliadas e enaltecendo os soldados alemães por sua bravura e conquistas, deixando alguns poucos moradores descontentes.

– Você não sabe o que está falando! – dizia o mais velho. – Eles não passam de fanáticos e antissemitas!
– Não… não… São corajosos, sabem seguir ordens e estão conquistando toda a Europa.
– Por pouco tempo. – dizia o dono do bar.
– Não acredito nisso. Os aliados só estão conseguindo barrar a entrada deles em pequenos países, enquanto a Europa é dominada pela Alemanha, praticamente.
– Por pouco tempo. – respondeu a mulher do dono do bar.

Porém, antes que ele pudesse responder, o bar é invadido por pilotos da Royal Air Force – RAF (Força Aérea Real), empolgados pela noite de folga que lhes foi concedida. Animados e acompanhados de jovens britânicas, os pilotos começaram a demonstrar sua superioridade nos ares, principalmente depois da vitória na batalha da Grã-Bretanha que, apesar de já ter sido devidamente comemorada, ainda rendiam bons olhares das jovens.

– Sim, abati três caças Messerschmitt Bf 109. – dizia um dos pilotos.
– E eu três. – retrucava outro.
– Nossa, e você não tiveram medo? – perguntava uma jovem britânica de seus 17 anos, que afirmava ter 19.
– Medo? O que é isso?

Enquanto todos riam dos comentários dos pilotos, Johnen sentia-se incomodado, sentindo sua raiva se dirigindo para os punhos.

– Ah, vejam quem está aqui, o nosso mais confiável intérprete, Johnen. – reparou um dos pilotos. – Vamos, Johnen, diga-nos: Como se sente ao ver o exército britânico destruir os caças alemães?
Johnen, que antes vibrava com sua história de supremacia do exército alemão, via-se diante de vários “inimigos” sem poder demonstrar seu ódio por eles.
– Até onde me lembro, muitos pilotos morreram naquele dia, tanto alemães quanto britânicos, não foi?

Após seu comentário, o bar permaneceu em silêncio, como se estivesse homenageando os pilotos abatidos durante a batalha, sendo quebrado por uma das jovens:

– Com certeza! Mas ganhamos! – respondeu, trazendo os gritos e conversas de volta às mesas.

Insatisfeito, Johnen pagou a conta e deixou para trás aqueles impuros malditos, voltando para a base.

Sua função como intérprete estava cada dia mais cobiçada, sendo promovido a um cargo de maior destaque, o que lhe garantiu a participação na “Operation Frankton”, na qual foi feito prisioneiro pelo exército alemão, e se não fosse pela sua paixão aos ideais nazistas, teria sido executado juntamente com os outros 5 que foram capturados.

Durante dois meses, Johnen foi tratado como um prisioneiro; pouca água e comida estragada era o que recebia por suas informações. Mas, por mais que tentassem, sua paixão ao 3º Reich não era abalada, chamando a atenção dos comandantes do exército nazista.

E assim, após 4 meses como prisioneiro, em Abril de 1943, Johnen já não era mais tratado como inimigo, mas como um soldado alemão, sendo admitido às forças nazistas no sudoeste da França.


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