[Resenha] Um Homem: Klaus Klump – Gonçalo M. Tavares

SINOPSE

Os tanques invadiram a cidade e o corpo de um cavalo apodrece na rua há meses. Os homens tornaram-se primitivos. As coisas femininas estão agressivas. Nã há profissões, mas as habilidades se multiplicaram. O som das máquinas, das balas e das bombas emudeceu as conversas e as melodias. Notícias continuam a ser produzidas incessantemente. Agora, uma orquestra militar percorre as ruas da cidade. Um muro separa o tempo presente do passado, anterior à guerra.

Klaus Klump é editor. Faz livros que vão contra a economia e a política do momento. Sua família é rica e atua no ramo industrial. Klaus não se interessa pelos negócios familiares, mas com a guerra acabou se reaproximando do pai e da mãe. Sua amante, Johana, é uma mulher bonita. Ainda que alguns de seus amigos tenham desaparecido, Klaus mantém-se neutro – ao menos ainda não entraram em sua tipografia.

No entanto, os militares não demoram a aparecer na vida de Klaus – e não por interesse nos livros que ele edita. Klaus rompe com a comodidade de sua posição social e, assim, encontra Alof, Herthe, Clako e Xalak, protagonista como ele de um modo de vida em que a urgência em sobreviver suplanta o amor, a arte e o pensamento.

Neste romance intrincado, cuidadosamente elaborado, cruzam-se histórias diversas, permeadas por meditações desconcertantes a respeito da natureza humana num tempo terrível, em que os homens lutam para se salvar.

Orelha do livro

RESENHA

O livro narra a história de Klaus Klump, um editor de livros de uma pequena e pacata cidade. Apaixonado por Johana, sua companheira, Klaus, um homem alto e crente nas forças do destino, divide a casa com a amada e Catharina, a louca mãe de Johana.

Porém, com a invasão de forças inimigas, a vida deste casal transforma-se. Não mais pequenos olhares ou brincadeiras, o medo de que alguma desgraça assole a família, Johana não se descuida um minuto dos cuidados para com a mãe e Klaus. Mas, a invasão dos militares é profana, violam as casas, os lares e os bens mais preciosos de seus amantes, forçando Klaus a mudar o rumo de sua profissão; de editor para militante.

A luta pela pátria faz com que Klaus encontre novos amigos e amantes, pessoas que lhe acompanharão pelo resto da história, trazendo alegrias e sofrimentos, que mais tarde se tornarão somente lembranças de um período obscuro se suas histórias.

Gonçalo faz uso de uma época de guerra para narrar este romance filosófico, formando uma análise entre a atividade humana e o meio em que os personagens vivem, demonstrando as reações em tempo de guerra, e como a combinação entre esses dois elementos é capaz de transformar pontos de vista.

Carregado de pensamentos filosóficos, Gonçalo, como é de costume, faz, do cotidiano de seus personagens, um pano de fundo para atiçar o leitor a ir mais fundo nas relações psicológicas do que no próprio enredo. Questões tão simples que nos fazem ver a realidade como ela é: pura e maldosa.

Abordando citações de grandes filósofos, o autor dá uma nova roupagem para questões como dinheiro, sexo e conquista. Eis algumas passagens do livro:

“Klaus, no entanto, sempre tinha pensado que é mais fácil simular a parte humana de um som – a parte verbal – que a parte animal de um som – esses tais barulhos disformes. No amor – havia percebido Klaus – ou mais propriamente: na fornicação – existia à evidência um som com dois rostos – um rosto animal e o outro humano: e o único rosto verdadeiro era o animalesco.”

Quando Gonçalo se refere ao rosto animalesco, refere-se à própria natureza do homem, enquanto ser consciente, pois sabe o que fazer de forma bruta e estúpida!

Assim, através de combates psicológicos, Um Homem: Klaus Klump nos mostra como a natureza humana se transforma durante períodos de guerra, permitindo conclusões óbvias, porém, por medo ou vergonha de enxergar a realidade como ela é – me refiro a Saramago, quando escreveu o livro: Ensaio sobre a Cegueira -, buscamos escondê-la através de simpáticos olhares e um simples bom-dia.

Por fim, acredito que o autor nos deixa uma pequena pista no meio de conturbados pensamentos: “O cavalo ainda estará no centro da rua?”

 

Sobre o Autor

Autor

Gonçalo M. Tavares

Gonçalo M. Tavares, escritor português, nasceu em 1970.

Os seus livros deram origem, em diferentes países, a peças de teatro, peças radiofónicas, curtas metragens e objectos de artes plásticas, vídeos de arte, ópera, performances, projectos de arquitectura, teses académicas, etc.

Em Portugal recebeu vários prémios entre os quais o Prémio José Saramago 2005 e o Prémio LER/Millennium BCP 2004, com o romance – Jerusalém (Caminho); o Grande Prémio de Conto da Associação Portuguesa de Escritores “Camilo Castelo Branco” com água, cão, cavalo, cabeça 2007(Caminho).

O Livro

Um Homem: Klaus Klump

Um Homem: Klaus Klump faz parte da tetralogia O Reino, que inclui também A Máquina de Joseph Walser; Jerusalém,  e o romance  Aprender a Rezar na Era da Técnica

Título: Um Homem: Klaus Klump
Autor: Gonçalo M. Tavares
Ano: 2007
Páginas: 115
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 978853591058-2
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