[Minissérie] A Sociedade Secreta – parte 7

Eu ainda não estava dormindo, apesar de Denis já ter encontrado seu lugar no mundo dos sonhos, animado com a conversa [parte 6] que havia tido com Rubens, apesar dos poucos detalhes e mistérios envolvidos. Porém, mesmo tendo durado pouco tempo, já havia servido ao seu propósito: aliviar a tensão sobre o assunto.

No entanto, o que ainda não conseguia entender era o símbolo em meu braço, principalmente pelo fato de ter aparecido após o guardião tê-lo tocado com sua lança. Isso, sem mencionar, também, os sonhos que estava tendo, alguns acordado [parte 1], outros dormindo [parte3]. Tudo isso ainda não fazia tanto sentido para mim, mas estava confiante em encontrar respostas com Rubens.

Denis dormia como um perfeito bêbado: largado, segurando a garrafa prestes a derramar seus últimos goles no carpete de madeira. Por um lado não me preocupei, pois, ele não iria acordar pelas próximas 8 horas, o que me daria tempo suficiente para folhear um pouco mais dos livros de meu pai.

Um, dois, três… sete livros foram retirados das prateleiras, alguns de sua coleção, outros da minha. Tais como: Simbologia Ocultista; A Doutrina Secreta, de Helena Petrovna Blavatskaya; O Verdadeiro Caminho da Iniciação,  Ocultismo e Teosofia, ambos de Henrique José de Souza. E outros mais corriqueiros, como A Mitologia Grega – um estudo aprofundado; O Grande Livro dos Mitos Gregos, de Robert Graves, entre outros.

Alguns desses livros traziam passagens interessantes, mas não consegui encontrar nenhuma que retomasse o significado do símbolo – talvez o sono houvesse me impedido. Confesso que era uma leitura pesada. Assim, os livros que mais me chamaram a atenção foram aqueles referentes aos mitos gregos, pois tinham uma ligação direta com aquela imensa Biblioteca do mundo de Duat. Aliás, algo que realmente havia sido bem interessante, principalmente pelas explicação de Hermes: “A biblioteca de Duat, meu Senhor, dispõe de todos os registros da humanidade. Qualquer coisa que foi escrita, desenhada, anotada, publicada, até aquelas que nunca conheceram a outros olhos que não fosse o de seu autor, estão aqui”. E pensando sobre isso, adormeci confortavelmente na poltrona da sala.

Enfim, acabei deixando os livros de lado, deixando o sono entrar tranquilamente, como uma terapia, meus olhos fecharam bem devagar, dando tempo para relaxar o corpo inteiro. E, desta vez, o sono havia transcorrido como sempre; sem perturbações, foi fechar os olhos e acordar somente com o barulho que Denis produzia na cozinha.

– Por acaso… você tem alguma coisa pra ressaca? – murmurou.

Eu ainda sonolento, nem dei muita atenção à pergunta, estava mais preocupado com a dor nas costas devido à péssima posição que dormi, do que com os problemas dele.

– Tenho! Água. – respondi.
– Acho que vou precisar de alguma coisa mais forte. – disse, enquanto vasculhava a geladeira atrás de um suco.
– Que horas são, Denis? – disse, ao levantar rapidamente.
– Horas? Não faça a menor ideia, mas acho que já passou do meio-dia.
– Meio-dia!? Porra, por que tu não me acordou? – perguntei, levantando a voz
– E como eu iria saber que você precisava acordar cedo? – respondeu. – E se possível, tem como falar um pouco mais baixo? Minha cabeça está explodindo.
– Também, com o tanto de cerveja que você bebeu ontem!
– Nem me lembre… Mas, por que da pressa, vai a algum lugar?
– Marquei uma reunião como um fornecedor, às duas da tarde, no Café Paulista. – mentindo sobre o real motivo, continuei. – Aliás, você sabe onde fica?
– Café Paulista… café paulista… Não. Não faço a menor ideia.
– Que saco! Vou acabar me atrasando. – desabafei. – Aliás, você está com o teu iPhone?
– Sim, está aqui. – disse ao retirá-lo do bolso. – Ei, pega leve, isso não é brinquedo! – resmungou irritado com a minha atitude, ao puxá-lo com tudo.
– Diz aqui que fica no Itaim Bibi. – informei. – É, parece que não será difícil de chegar.

Denis fez um sinal que sim e continuou bebendo sua água, segurando-se na pia com a outra mão. Eu, ainda com seu iPhone, verifiquei o horário, e Denis tinha razão, já passava do meio-dia. Aliás, faltava 15 minutos pra uma – com certeza eu iria me atrasar.

Preocupado, deixei o celular sobre o balcão e fui direto pro quarto me arrumar; um banho rápido era o que precisava para acordar, nada mais. Voltando pra sala logo em seguinda, encontrando Denis do mesmo jeito que o havia deixado: encostado na pia, tomando água.

– Denis, preciso sair. – disse. – Você vai ficar por aí, ou quer uma carona?
– Se tu me deixar em alguma farmácia, eu agradeço. – murmurou. – Preciso comprar algum remédio pra acabar com essa dor de cabeça, caso contrário, Ana irá me encher com a história de que não devo beber, que eu…
– Ok. – interrompi. – Tem uma farmácia no caminho, mas preciso que você venha comigo agora! Vamos! – quase precisando arrastá-lo para fora do apartamento, pois, seu novo andar iria, com certeza, me atrasar ainda mais.
– Vamos! – gritei.
– Estou indo, estou indo… – impaciente, disse. – Chame o elevador enquanto isso.

Denis não estava nada bem, a bebedeira não havia lhe caído bem. No carro, ele não parava de resmungar, dizendo que estava enjoado e que precisava dormir o dia inteiro, continuando com suas lamúrias até a hora que parei em frente à drogaria.

– Qualquer coisa, só ligar, Denis.
– Ok. Valeu pela carona. – e virando-se, disse. – Ah, boa reunião.
– Obrigado.

Saí acelerado do estacionamento. Faltava poucos minutos para às duas, e, com certeza, não iria chegar a tempo, a não ser que o trânsito ajudasse – como era sábado, estava com esperanças de que isso acontecesse. No entanto, não foi bem isso que aconteceu, o universo estava conspirando contra mim, pois, um acidente estúpido tinha acontecido a três ruas do meu destino, interrompendo a passagem para os outros carros, o meu incluído.

Foram 2 minutos – longos minutos -, até que a rua fosse liberada pra passagem, tempo suficiente para pensar em abandonar o carro e ir a pé. Mas deixei essa ideia de lado e continuei esperando, chegando ao café com 10 minutos de atraso, imaginando se ainda encontraria Rubens.

Saindo do estacionamento, corri até o local para procurar Rubens, que, aliás, poderia ser qualquer homem de meia idade, visto que, em momento algum da conversa, não havíamos mencionado como era a nossa aparência. Olhei o bar inteiro, procurando alguém que encaixasse na minha descrição mental: meia idade, cabelos ralos, barba cumprida e roupas escuras. Porém, todos que estavam por ali, tinham por volta dos seus 30 anos, mesma idade que eu. Não tendo outra solução, procurei um garçom para ver se ele havia visto alguém que se encaixasse nessa descrição. E, eis o que ele me respondeu:

– Olha, o único senhor que se encaixa nessa descrição, estava aqui há alguns minutos, chegou cedo e saiu daqui ainda agora. – disse ao olhar pra rua. – Veja, é aquele senhor que está atravessando a rua.

Ao virar, acompanhando a direção que ele apontou, vi aquele senhor se encaixar perfeitamente nos traços que havia imaginado:meia idade, cabelos ralos, barba cumprida, roupas escuras, porém, com papéis e mais papéis embaixo do braço, com um óculos de armação grossa equilibrado no nariz. Minha reação não foi outra, a não ser gritar.

– RUBENS!?

O suposto Rubens, parou ao ouvir o chamado, virou-se lentamente, como se não imaginasse que o estavam chamando. Mas, ao virar-se por completo, olhou bem pra mim. Tentando segurar seus papéis em um só braço para ajustar os óculos, com muita dificuldade, acenou, dando a entender que ele era o Rubens que eu procurava.

Assim, segurando seus livros com as duas mãos, como alguém que tem medo de ser roubado ou coisa parecida, atravessou a rua rapidamente, olhou pra bem pra mim, sem uma longa introdução, e disse:

– Você lembra muito o teu pai.
– Ainda bem…

Eu iria continuar, mas logo fui interrompido por Rubens, que olhou atentamente para a rua, depois para o café e, muito preocupado, disse:

– Venha. Será melhor se formos para aquela mesa ao fundo. – entrando sem esperar uma resposta.

Sem ter a oportunidade de sugerir outra mesa, segui Rubens até o fundo do café, observando os cuidados que com que ele escolhera a mesa: no fundo, afastado dos outros clientes. Um lugar muito reservado e com pouca iluminação natural.

 


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