[Minissérie] A Sociedade Secreta – parte 2

O que será que ele quis dizer com: Toda as respostas serão dadas em seu tempo? (parte 1) – [Confesso que já estava procurando alguma forma de sair daquele lugar, mas a curiosidade era muito maior, caro leitor. Por esse motivo que acabei acompanhando o anfitrião].

Eu já havia enfrentado muitas plateias antes, mas nenhuma chegava aos pés daquela. Todos os olhares estavam voltados pra mim, nenhuma palavra fora dita. Era como se esperassem alguma coisa; um “olá”, talvez. Eu tentava falar alguma coisa, mas as palavras teimavam em não sair, eu estava paralisado com toda aquela situação, mas continuei acompanhando o anfitrião.

Enquanto acompanhava aquele senhor, até a mesa, supostamente, preparada para mim, meus olhos percorriam a plateia à procura de algum rosto familiar. No entanto, o máximo que vi foram pessoas totalmente estranhas, como se fossem rostos estampados em revistas, porém, sem nenhum sorriso, somente olhares.

– Sente-se, por favor. – apontando a cadeira central.

Assim que sentei, todos fizeram o mesmo – apesar do salão ser enorme, só haviam umas 30 pessoas na sala -, mantendo-se em silêncio até que o anfitrião se levantou e disse:

– Boa noite. – esperando até que fosse, também, recepcionado. – Há tempos temos esperado por esse momento. Para alguns, a espera foi longa, eu sei. – dizia. – Para outros, alguns simples minutos. Porém, aquele que aguardávamos chegou, e podemos dar início àquilo que foi profetizado pelos nossos predecessores… [Pois é, também soltei uma risada despreocupada quando ouvi suas palavras.]
– … hoje, temos um convidado ilustre. – todos deram uma salva de palmas. – Ansioso por respostas, que daremos em seu devido tempo. Por hora, jantemos. – e agradecendo a atenção, sentou-se.

Depois de toda essa apresentação, ainda guardava aquela primeira pergunta, presa nos lábios: O que está acontecendo? Mas não havia encontrado o momento apropriado para fazê-la. [além do mais, até que estava gostando de toda aquela atenção, esperando como uma criança pelos próximos acontecimentos]. Assim, ao se sentar, jovens rapazes e moças entraram na grande sala, trazendo o jantar.

Minhas tentativas de puxar assunto foram em vão. Como parecia ser de costume, nem um simples aceno recebi. Não tendo outra alternativa, olhei meu prato, a comida, somei a fome e deixei os problemas pra depois do jantar, pois a fome estava gigantesca.

Após o término do jantar, já estava mais tranquilo, satisfeito por ter resolvido o problema da fome, soltei os talheres e me encostei na cadeira, tentando aproveitar aquele momento. Mas para a minha surpresa, o anfitrião olhou pra mim e disse:

– Imagino como você está se sentindo. Repleto de perguntas, incertezas e receios. Mas por mais que isso possa parecer estranho, não se preocupe, tudo fará sentido mais tarde. Agora venha, precisamos sair.
– Calma! – retruquei. – Cansei dessa conversa “tudo em seu tempo”, o que está acontecendo aqui? – perguntei irritado.

O silêncio ainda permanecia no ambiente, porém, todos os olhares se voltaram ao anfitrião, que não tardou a responder:

– Justo. – disse. – Queira me acompanhar, por favor,  que terei o prazer de responder suas perguntas.
– Essa eu quero ver. – disse, afastando a cadeira da mesa para que pudesse levantar. – Estou pronto, vamos!

Assim que levantei, todos fizeram o mesmo, deixando seus talheres e guardanapos sobre a mesa, permanecendo nessa posição de alerta até deixamos a grande sala.

Voltando para o corredor, no qual havia percorrido com aquele rapaz que abriu a porta – sim, ele ainda estava lá, esperando com o lampião em mãos -, fiz a pergunta que tanto estava me atormentando.

– Então… – parei para que a pergunta se tornasse mais séria do que já era. – Será que o senhor poderia me responder uma Unica pergunta? – disse com certa rispidez. – Que papo foi esse de “tão esperado”, “ilustre convidado”?
– Como eu disse. – e tocando meu braço, continuou. – As respostas serão dadas no devido momento. Por hora, acredito que o Senhor tem outras tarefas a serem executadas. – disse ao soltar meu braço.

E com essas palavras tudo o que vi foi um clarão vindo do lampião, nas mãos do rapaz, me cegando os olhos por um instante. Até que meus olhos voltassem ao normal, não havia passado mais do que alguns segundos. Porém, ao abrir os olhos, a imagem daquela velha casa havia se transformado em um prédio comercial [eu não estava em outro local, o local era o mesmo, mas a casa já não estava lá]. Colunas de aço e concreto tomar o lugar da antiga casa, como se ela nunca houvesse existido. Somente mais um prédio comercial como tantos outros que ocupavam aquela rua.

Eu esfregava os olhos, tornava a abri-los, mas aquele prédio estava lá, parado. Nada de casa, de luz, de jardim, de portão, somente um prédio comercial. [Eu achei que estava ficando completamente louco, ainda mais por segurar o mesmo cigarro que fumava quando cheguei ali! Você deve estar se perguntando como eu sabia, não é? Simples, ainda tinha mais um cigarro no maço, o mesmo maço que tinha amassado dentro da casa].

– Preciso parar de trabalhar, não é possível! – disse a mim mesmo, enquanto encarava o prédio.

Parado, ali na rua, de frente à entrada do prédio, olhei o relógio, imaginando que horas já haviam transcorrido, mas, na verdade, o horário era o mesmo desde que havia entrado na casa: uma hora desde que saíra para caminhar. Era como um sonho…

– Isso, um sonho. – repetia para mim mesmo. – Um sonho, nada mais do que isso.

Seria impossível que toda aquela caminhada e o jantar tivesse tomado tão pouco tempo, pois pareceu-me que haviam transcorrido horas e mais horas – poderia até dizer que só o jantar teria tomado uma hora inteira.

– Não. Realmente, devo estar imaginando coisas… Somente uma hora? – disse em voz alta. – Cara, é melhor você voltar pra realidade e pro trabalho, isso sim!

Virei de costas para o prédio e chamei o primeiro táxi que passou. Entrei, informei o endereço e aguardei até que chegasse ao escritório.

Antes que eu terminasse de pagar o taxista, alguns colegas de trabalho, que estavam plantados na porta principal, me viram. E, correram até meu encontro, disseram:

– P…! Até que enfim! Já estávamos chamando uma viatura pra te procurar. Onde você se meteu?
– Caminhei de mais, só isso. – disse enquanto puxava mais um cigarro, tentando parecer normal – Estão prontos para terminarmos a reunião?
– Sim. – disse o primeiro. – Estávamos discutindo algumas questões, mas preferimos esperar você para dar a palavra final e dividir os trabalhos.

Como eu havia dito, depois da minha última promoção, tudo girava ao meu redor: reuniões, planejamento de produção, compras. Enfim, tudo.

– Bom, então vamos subir e fechar logo esse assunto que preciso dormir um pouco.

O resto da reunião havia sido realmente curta, ainda mais depois que voltei. Todos os detalhes foram esclarecidos, anotados, tendo as tarefas sido distribuídas para os respectivos responsáveis das áreas, não restando outra coisa a não ser terminá-la.

– Bom. – comecei. – Acredito que já temos tudo o que queríamos, não é verdade? Agora vamos descansar que a noite foi bem longa. [Longa havia sido pra mim, não para eles que só esperaram uma hora e meia para que a reunião acabasse].

Fui obrigado a me despedir de todos, um a um, até que só sobrasse eu e o segurança do escritório: sempre o último a me despedir.

– O seu carro está pronto, Senhor. – disse assim que saí.
– Muito obrigado. Até a amanhã.
– Até amanhã e um bom descanso, Senhor.
– Obrigado.

E, assim, com um simples obrigado e um aceno de mão, me despedi dele, seguindo rumo ao elevador que me conduziria até o estacionamento, aonde meu carro estava esperando para levar-me até minha casa.

A viagem havia sido tranquila e rápida. Tudo aquilo que eu desejava. Ainda mais depois de uma noite maluca como a que tive. Tudo o que eu queria era um belo banho e minha cama, na qual pudesse esquecer os problemas, pronto para acordar no dia seguinte totalmente renovado e lúcido.

Porém, estava prestes a iniciar mais uma outra viagem, repleta de novos acontecimentos. E tudo o que eu queria era uma noite de sono.


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