[Informativo] Por que o brasileiro lê pouco?

Segundo um levantamento do Instituto Pró-Livro, realizado em 2007, com 5.012 entrevistas em todas as Unidades da Federação, abrangendo o período entre 29/11/2007 a 14/12/2007, portanto, 15 dias, verificou-se que os brasileiros leem, em média, 1,3 livro por ano, excluídos os livros didáticos e pedagógicos, que, se somados à média, o índice subiria para 4,7 livros por ano. A pesquisa demonstrou que a maior parcela de não-leitores está entre os adultos, na faixa dos 30 a 69 anos.

Entretanto, devemos analisar alguns aspectos para compreendermos o porquê desses baixos índices.

Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, no ano de 2010, os maiores gastos dos brasileiros foram direcionados a três aspectos:

  • Alimentação e bebida (30%);
  • Habitação (16,09%);
  • Transporte (16,35%).

Somados, esses conjunto atingem 62,43%, sobrando somente 37,56% para o restantes:

  • Educação (3,16%);
  • Vestuário (8,07);
  • Artigos de residência (5,14%);
  • Saúde e cuidados pessoais (9,13%);
  • Comunicação (4,91);
  • Despesas Pessoais (7,15%).

Portanto, tomando como base os dados apresentados pelo IBGE, os livros entrariam nas seguintes categorias: despesas pessoais e educação, que juntos equivalem a 10,31% dos gastos. Assim, se pegarmos o preço de um livro (R$ 30,00 reais, em média), o que representa 5,5% do salário mínimo, que hoje é de R$ 545,00 reais, teríamos a metade dos gastos dessas categorias, o que prejudica (acredite) e muito em certas economias domésticas.

Esse simples cálculo nos levam a questionar o porquê o brasileiro lê pouco, ou seja, somente 1,3 livro por ano. O grande problema não está na falta de incentivo, mas, também, na questão económica.

Alguns podem dizer que existem livros por aí custando menos que 5 reais, que não é desculpa para lerem pouco. Sim, isso é verdade, existem livros – grandes livros – por preços módicos. No entanto, sem incentivo à leitura, é difícil que o brasileiro venha a aumentar esse índice. Esse incentivo deve partir tanto do campo económico quanto educacional, permitindo que crianças tenham mais acesso à leitura e que os adultos possam adquirir livros por preços razoáveis.

Medidas como as tomadas pelo próprio Instituto Pró-Livro, como “condição de inclusão cultural e desenvolvimento sustentado, por meio do apoio e promoção de acções voltadas a fomentar a leitura e a produção, distribuição e acesso ao livro no Brasil”, ajudam, mas também é necessário um maior engajamento do governo.

Foi anunciado pela Conferência Nacional de Educação – Conae, um investimento de 10% PIB em educação até 2014. Esse valor chega a ser mais do que o dobro no que foi gasto em 2010 (4,1% do PIB). Tais medidas tem o poder de aumentar esses índices, colocando o Brasil como um bom leitor na América Latina, retirando essa característica de que brasileiro lê pouco.

Apesar do que dizem , o hábito de ler é como a prática de esportes; quanto mais se lê, mais se tem vontade de ler, e mais rápido a leitura se torna, gerando um prazer em ler mais do que 1,3 livros ao ano. Gostar da leitura é algo que vem com o tempo, quanto mais cedo for o incentivo, melhor. A leitura permite ao indivíduo um crescimento não só psicológico, mas cultural, pois, ao recriar os cenários apresentados na história, o leitor consegue desenvolver novas formas de como vê o mundo ao seu redor, logo, transformando o indivíduo. Porém, quanto mais tarde isso ocorrer, a dificuldade  se torna maior, afastando o leitor desse caminho.

O baixo índice de leitura entre os brasileiros não só prejudica um indivíduo, mas toda a sociedade. A leitura é uma forma de demonstrar que certa sociedade está apta a percorrer novos caminhos, evitando cair em “armadilhas” das políticas de massa. Se o governo mantivesse o mesmo empenho que mantém em promover uma disputa sobre a permissão ou não de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol, durante a copa, com certeza esse índice aumentaria para níveis bem superiores.


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