[Minissérie] Uma semana – parte 8

Alexandre estava lá, parado na porta da casa de Ana, estava prestes a bater, mas foi surpreendido pela convicção que Ana demonstrou a abrir a porta. Seu sorriso foi substituído por uma única pergunta:

– Está de saída?

Ana permanecia sem reação desde a hora em que o viu, mesmo após a pergunta de Alexandre, continuava a olhá-lo sem esboçar nenhum sentimento, sua única expressão era de espanto, misturado com um pouco de por quê. Somente após a repetição da pergunta que ela saiu do estado catatônico. Demonstrando estar perdida com seus afazeres, segurava a chave de casa somente pelo chaveiro, olhando Alexandre, retrucou.

– O que você está fazendo aqui?!
– Precisava conversar com você.
– Como você sabia que eu estava aqui?! – disse perplexa.
– Não foi difícil de descobrir, depois que você disse que não estava em Florianópolis.
– Tá, mas eu poderia estar em qualquer outro lugar, não precisava, necessariamente, estar aqui. E se eu não estivesse?
– Seria menos um lugar pra procurar, simples.

Ana mantia a expressão de perplexidade, a mesma que demonstrou na sua segunda pergunta. Olhando para os lados, desviando seus olhos do olhar penetrante de Alexandre.

– Que bom, agora já sabe onde estou. Se me dá licença, preciso sair – fechando a porta. – Com licença! – impôs, mas Alexandre permanecia parado.
– Já disse, precisamos conversar!
– Você precisa conversar, eu não. Pra mim está tudo bem resolvido. Acabou!
– Você não sabe o que aconteceu. Como pode terminar tudo sem ao menos ouvir o que eu tenho pra falar?
– Eu sei muito bem o que eu vi! Você não estava consolando ninguém, estava abraçado e aos beijos com ela! E ninguém me contou, eu vi!
– Não, você viu o que você gostaria de ver. Pois essa não é a verdadeira história .
– Você não a estava beijando?! É isso? Eu simplesmente imaginei essa cena, foi isso? Poupe-me desse teatrinho barato! Dê-me licença, estou atrasada! – empurrando Alexandre.

A determinação de Alexandre a incomodava, ela precisava sair, precisava avisar André que iria chegar um pouco atrasada, mas como faria isso, se Alexandre não parava de a importunar.

– Eu não irei sair daqui sem antes conversar com você, explicar toda a situação.
– Alexandre, eu não tenho mais nada pra falar com você, mais NA-DA! Agora, me dê licença, por favor.
– Eu só estou pedindo 5 minutos de sua atenção, Ana! Nada mais do que isso. Acho que é o mínimo que você pode me conceder depois de ter vindo até aqui.

Apesar de não querer conversar com ele, Ana sentiu-se abalada por todo o translado de Alexandre. E bem que ela gostaria de ouvir o que ele tinha a dizer, mesmo que isso não fizesse diferença alguma na sua decisão. E olhando para o relógio, disse:

– Ok. Cinco minutos, é tudo que vou te oferecer!

Abrindo a porta de casa, Ana convidou Alexandre a entrar.

– Pode sentar, só preciso enviar uma mensagem.

Alexandre, que há muito não visitava aquela casa, ficou surpreendido quando viu a foto que ele havia tirado como sendo uma das primeiras da fila. Chegou até a perguntar pra Ana o porquê dela estar em destaque, mas Ana não deu a atenção merecida, dizendo que estava lá por que gostara da foto. Com essa resposta, Alexandre colocou a foto no lugar, sorrindo. Ele sabia que ela não o havia esquecido, caso contrário, teria tirado aquela lembrança.

Ana estava terminando de enviar uma mensagem pra André, avisando que iria demorar um pouco, mas que iria encontrá-lo em breve, quando virou-se para Alexandre e perguntou:

– Pronto. Agora, diga-me o que você tanto precisa explicar.

Ainda olhando as fotos, virou-se rapidamente para Ana e pediu pra que ela sentasse, mas ela não se moveu, disse que estava bem onde estava e que ele poderia falar.

– Se você não se importa, vou me sentar.
– Fique à vontade, desde que seja rápido.

Rápida foi a única coisa que aquela conversa não foi. O relógio de Ana já marcava 1 hora da manhã, duas horas a mais do que havia pretendido sair de casa para encontrar André, que já enviara duas mensagens que Ana não havia respondido, tentando não interrompendo a discussão.

– … ah, então foi tudo uma armação? Ela só queria provocar ciúmes em mim, nada mais. Ok, Alexandre, vou esquecer, então, que você a estava abraçando também. Aliás, a estava beijando, não estava? Não vi nenhuma tentativa sua em largá-la … – o telefone tocou. Porém, no calor da discussão, Ana não percebeu seu telefone tocando na bolsa. – Então, vai negar que você não a estava abraçando?

O clima da noite estava convidativo, André já havia preparado o ofurô, champagne, velas. Enfim, tudo o que seria necessário para uma belíssima noite de desculpas, só estava faltando a atriz principal, que não respondia suas ligações. Impaciente, achou que algo teria dado errado, que alguma coisa poderia ter acontecido com ela, e tentou uma outra ligação; uma, duas, três, quatro, cinco vezes tocou o telefone, mas Ana não ouvira, caindo, então, na caixa postal. Enviou uma nova mensagem, esperando que essa fosse respondida. Sua espera era contada nos centímetros de vela que derretiam.

– Ana, tente entender. Aquilo não foi nada, foi somente um beijo, uma coisa boba!
– Boba pra você, que não viu a cena! Pra mim, foi a gota d’água! Já não era a primeira vez que você de graça com suas amigas. Nós já havíamos conversado sobre isso. Eu disse que aquele tipo de brincadeira me ofendia, não disse? Mas você não me dava ouvidos, sempre falava que eram suas amigas, que não havia maldade, que era pura brincadeira… Eu tinha te avisado, Alexandre! Agora, você vem até aqui esperando o meu perdão? Esperando que eu simplesmente esqueça o que aconteceu e volte ao “felizes para sempre”? – disse abrindo os braços em círculo. – Chega!
– Não, não estou pedindo perdão. Quero ter a oportunidade de provar o contrário pra você: quero uma segunda chance.
– Você já teve sua chance, Alexandre. E deixou escapar, agora é tarde demais.
– Nunca é tarde, Ana! – disse ao levantar do sofá, indo em sua direção.
– Alexandre, o que eu preciso dizer para que você entenda que eu não quero mais nada contigo?
– Você diz uma coisa, mas suas atitudes dizem outra. Se você não quisesse mais nada, por que guardaria essa foto? Você sabe que ela foi tirada na primeira vez que estivemos aqui, no nosso primeiro final de semana juntos! – a cada palavra, Alexandre se aproximava mais de Ana, que permanecia encostada na mesa da cozinha. – Se você realmente não quisesse mais nada, não estaria aqui conversando comigo. Não deixaria seu celular tocando na bolsa, não daria toda essa atenção pra mim.

Aquelas indiretas foram como facadas em seu peito. Ela não pensara nisso, mas depois de tudo que ele falou, estava apreensiva, duvidosa. Até mesmo o celular ela havia esquecido, e com isso, André!

A cada passo de Alexandre, Ana sentia-se mais acuada, desprotegida. Ainda continuava pensando nas coisas que Alexandre havia dito.

– … Vê como não posso acreditar em suas palavras, Ana?
– Não, isso não é verdade! – disse se afastando de Alexandre. – Essa foto está aqui por que me faz lembrar de um momento bom da minha vida, não por você a ter tirado, mas por que eu me senti feliz nesse dia – mostrando a foto para Alexandre, foi de encontro à sua bolsa. – Se hoje eu sou quem sou, é devido ao meu passado, isso eu não tenho como negar – vasculhando sua bolsa, encontrou o telefone, e continuou. – Você fez parte desse passado, mas hoje você não faz mais parte.

Alexandre chegara mais próximo de Ana, que ainda olhava as ligações e mensagens que André havia enviado, quando a pegou pelo braço, tirando toda a sua atenção do celular.
André havia esperado o retorno das ligações durante 2 horas, quando decidiu pegar seu carro e ir até a casa de Ana, para ver se estava tudo bem com ela; chaves na mão, carteira na outra, entrou rapidamente no carro, saindo acelerado pelo portão. A viagem que normalmente duraria 25 minutos, André fez em metade do tempo.

Ana estava confusa com toda aquela conversa, mesmo depois de tudo que havia visto durante aquela noite, Alexandre ainda exercia um enorme poder sobre ela, tão forte que não teve reação alguma quando ele a segurou pelo braço, puxando-a para mais perto dele. O celular, que já estava solto nas mãos de Ana, mostrava uma única mensagem de André, que ela não havia lido, dizendo que ele estava de saída para a casa dela: Estou indo até aí, espero que esteja tudo bem.

André estava, agora, parado diante da porta da casa de Ana. Um pouco mais tranquilo, pois viu a luz ligada, sabia que tinha alguém. Bateu a primeira vez e ninguém atendeu, tentou novamente, mas não houve resposta. Alexandre verificou se a porta estava aberta, virou suavemente a maçaneta e abriu a porta da casa de Ana. A cena que viu não era a esperada, Ana e Alexandre beijavam-se. Ana estava totalmente entregue nos braços de Alexandre que não reparou em André, que observava tudo.

Durante alguns minutos, André ficou ali, parado, sem saber o que fazer, assistindo aquela cena sem saber o que estava acontecendo. Teve vontade de intervir, mas diante do longo beijo que Ana dava em Alexandre, entendeu que aquilo não era alguma coisa de errado, o errado naquela história era ele. Assim, decidiu voltar pra sua casa, fechando a porta do jeito que deu.

Alexandre abraçava Ana, envolvendo todo seu corpo. Ana aceitou o beijo e o abraço, mesmo que não tivesse demonstrado logo de início. Mas interrompeu o ato assim que ouviu a porta batendo. Assustada, correu para ver o que era, quando viu o carro de André se distanciando cada vez mais. Desolada, sabia que havia feito algo errado, sabia que André havia visto aquela cena. Teve vontade de ligar pra ele, mas sabia que não seria o momento certo, pois ela já havia passado por isso. E voltando-se para Alexandre, determinada, disse:

– Vá embora!
– Mas…
– Vá embora!! Isso não deveria ter acontecido!

Alexandre sentiu que Ana estava irredutível, mas tentou se aproximar dela novamente.

– Pare de bobagem – disse, pegando em seu braço novamente. – Vem aqui… – puxando-a para mais perto.

A única coisa que Alexandre recebeu, além de um não, foi um sonoro tapa na cara, seguido das palavras:

– Já disse! Vá embora!

Com o rosto vermelho – não de vergonha -, Alexandre olha para Ana, que indicava o caminho da porta, sem ao menos olhar pra ele, e foi embora, ouvindo somente o barulho da porta batendo, atrás dele.

Ana estava arrasada, pegou o celular e leu as primeiras mensagens de André, que diziam com essas palavras: Estou te esperando ansioso para essa noite. Beijos. Uma lágrima escorria por sua bochecha, ao fechar o celular.


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