[Minissérie] Uma semana – parte 6

Ana, ainda deitada, olhou o relógio marcar 16 horas e 46 minutos, quando virou a procura de André, mas para sua surpresa, não o encontrou dormindo, muito menos no quarto, nem suas roupas estavam largadas pelo chão, como na noite passada. Pensara, então, que havia sido somente aquilo: uma noite. Uma noite somente.

Mal conseguia levantar, tamanha era sua vergonha, permanecendo por alguns minutos enrolada entre as cobertas, pensando no que havia acontecido – ele deve ter deixado algum bilhete, imaginou. E movida por essa curiosidade e um certo ânimo, levantou-se, buscando o tão sonhado bilhete, alguma coisa que indicasse a sua volta, porém, o máximo que encontrou foi sua camiseta largada sobre a cômoda. Vestindo-a, foi até o banheiro se arrumar, olhando no espelho o reflexo de um objeto usado, que há poucas horas fizera um homem feliz.

Sua vergonha estava lá, estampada no cruel reflexo, juntamente com a maquiagem borrada, acentuando as olheiras, demonstrando o real sentimento. O sorriso já não existia, seus lábios fechados, escondiam um leve inchaço provocado pelos beijos ardentes de André. Cansada de observar a própria desgraça, pegou seus produtos e começou a limpar os últimos resquícios da noite anterior; primeiro os olhos, depois a boca e por fim, um punhado de água gelada para refrescar o desânimo. Havia até cogitado a ideia de tomar um banho, mas seu ânimo se foi em questão de segundos, preferiu sair do banheiro, rumo à cozinha para terminar a limpeza; apagar os traços da noite anterior, pensando: Mais uma vez fui escrava dos prazeres.

Esse último pensar movia seus firmes passos, prontos para encarar o que havia da noite anterior, mas, assim que chegou ao final do corredor, ouve aquilo que ela gostaria de ter ouvido minutos antes.

– Boa tarde! – Disse André. – Desculpe não ter te acordado, mas você estava dormindo tão gostoso que nem me atrevi a fazer barulho.

André realmente não estava na cama de Ana, mas acordara cedo para arrumar os estragos da noite passada e preparar um belíssimo café da manhã para ambos.

– Como não sabia do que você gosta, para o café da manhã, fiz o máximo que pude: frutas, pão, ovos, chá, torrada, café e leite.

Ana olhou para André e não se conteve, soltou um sorriso que iluminou todo o ambiente e correu para dar-lhe um beijo de bom dia, escorregando vez ou outra devido às meias que vestira. André largou o que estava fazendo e a abraçou. Retribuindo o sorriso e o beijo, parando somente para a troca de olhares, ficaram longos minutos vivendo aquele momento.

André que havia deixado alguns ovos na frigideira, voltou os olhos para a cozinha, como se voltasse à realidade, recebendo um abraço por trás de Ana, que o observava, sussurando, dizia:

– Hum… desse jeito vou ficar muito mal acostumada.

André sorria e a beijava no rosto, retrucando:

– Mal acostumado ficarei eu. Depois de ontem, isso era o mínimo que eu poderia fazer.

Ana agora o beijava no ombro, de desvencilhando para pegar um copo d’água. Apoiada na pia, observava André preparar a mesa, arrumando tudo como deveria ser, para, por fim, convidá-la.

– Espero que esteja com fome, pois temos muita comida aqui.
– Estou morrendo de fome! – disse com os olhos arregalados. – Adoro ovos fritos com queijo! – Disse Ana.
– Então somos dois! – disse – Venha, vamos nos sentar.

Ana deixou o copo sobre a pia e foi de encontro a André, que esperava ela sentar. Olhando para a sala, pode ver que ele realmente havia arrumado tudo, até os móveis estavam no mesmo lugar, as fotos arrumadas, a louça ajeitada. Enfim, foi como se nada houvesse acontecido, senão fosse a garrafa de vinho ainda sobre a pia, ao lado do lixo.

– Nossa, tu arrumou mesmo a casa, não?
– Acabei levantando cedo e não queria te acordar, o que seria impossível se eu ficasse deitado. Você se mexe muito, sabia?
– Então é por isso que a cama está toda revirada. – disse, escondendo um sorriso por detrás da xícara de café.
– E-xa-ta-men-te por isso! Óbvio
.

Ana e André riam tranquilamente, sem a menor vergonha.

O café da manhã foi longo, conversaram sobre suas preocupações da noite anterior, riram de como tudo aconteceu. Ana até jogou a culpa em André por tê-la embebedado, dizendo que ele havia programado tudo.

– Nem começa. Quem puxou minha camisa foi você! Eu só fui servir o vinho, mas você que resolveu me agarrar.
– Claro que puxei. Você não tomava nenhuma atitude!
– Justamente para não parecer que eu queria te embebedar pra me aproveitar de você.
– Deveria… – sussurou enquando desviava o olhar.

André, após ouvir aquilo, largou sua xícara e abraçou Ana, que ria compulsivamente – era exatamente isso que ela queria.

Dessa vez, o sofá foi o coadjuvante, cedendo lugar aos personagens principais, permitindo uma hora de intensa paixão, a qual foi finalizada por um belo banho à dois.
André olhando o pouco sol que ainda ostentava brilhante, nem reparou que Ana, enquanto se vestioa, o observava. Ficou postado na varanda, somente a observar aquele espetáculo, o mesmo espetáculo que vira no primeiro dia quando se lançou ao mar. Sentindo, novamente, o recomeço de uma nova vida, mesmo que não pudesse explicar o porquê, simplesmente sentia. E voltando-se para Ana, disse, enquanto o sol, do lado de fora, preparava-se para a grande despedida, usando as montanhas para não perturbá-los com seus fortes raios.

– O que acha de darmos uma volta na praia? Posso aproveitar e trocar de roupa, pois não sei quanto tempo essa roupa irá durar, principalmente se você continuar puxando ela toda a vez que eu a estiver vestindo.

Ana escondeu o rosto vermelho de vergonha, vestindo a blusa o mais lentamente que pode, para poder, depois, responder à pergunta.

– Adoraria caminhar um pouco. Um passeio ao cair da noite é sempre interessante.

A louça do café da manhã ficou largada na pia, esquecida por hora, à espera de um momento mais propício para ser arrumada, enquanto André pegava a chave do carro que havia deixado na mesa de entrada, se preparando para sair. Ana, pegando sua bolsa, seguiu André até a porta de entrada, a qual fechou assim que passaram.

No carro, as trocas de olhares e toques foram intensas, mesmo que a viagem não levasse mais do que 20 minutos, o desejo de um pelo o outro era evidente, e eles sabiam disso, mas se controlaram pois as ruas eram bem movimentadas e a velocidade não ajudaria a encobrir os movimentos estranhos no carro.

Chegando à sua casa, André estacionou o carro na garagem, desligando-o. Mais uma vez, tocava os lábios de Ana como se nunca houvesse tocado, ali, seguros pelo conforto e segurança da casa, não tinham com o que se preocupar, a não ser com o incômodo causado pelo câmbio do carro, que trazia boas recordações do passado, tanto para ele quanto para ela, cujas risadas denunciaram. Assim, preferiram descer do carro: o clima já não era mais propício.

André indicou o caminho. Ana observava a casa por fora, admirando a arquitetura dos 3 andares, mas foi ao entrar que sua admiração aumentou.

– E você não quase não vem para essa casa? – disse espantada. – Definitivamente, eu moraria aqui! – falava enquanto admirava a parte interna, não só pelo tamanho, mas por tudo: a posição do sol, tanto de manhã quando de tarde, os móveis, o pé direito, bem arejada. – Realmente, uma belíssima casa, que você tem aqui, André. E essa vista maravilhosa pra praia, dá pra ver o mar como se não houvesse areia entre sua casa e ele. Tu deve ser realmente muito bom no que faz.
– É, já tive meus momentos.

André até que gostava daquela bajulação toda, pois não conseguia esconder a satisfação que aquelas palavras lhe davam, principalmente por saber que alguma coisa em sua vida, até o momento, havia dado certo: o lado financeiro.

– Sinta-se à vontade, Ana. Se estiver com sede, fome… Enfim, só pegar. Eu vou trocar de roupa, mas já volto.

O que mais chamava a atenção de Ana foi a vista para o mar, da sua varanda, além do jardim, somente o mar ela conseguia ver, nem as pessoas que estavam caminhando ela pode ver; somente o mar. E, assim, ficou admirando toda a paisagem até André voltar.

– Pronto. Vamos? – André indicava o caminho até a porta do jardim, que dava para a praia.
– Claro!

Enquanto caminhavam, conversando sobre pequenas coisas do dia a dia, Ana arriscou segurar na mão de André, mas conteve-se, não queria parecer aquela menina chata. André, por outro lado, não estava preocupado com nada, estava calmo e tranquilo, tão confiante que não pensou duas vezes antes de segurar a mão de Ana, que olhou o gesto e lançou um sorriso, o qual foi retribuído por um beijo.

A caminhada durou até duas horas depois do pôr do sol, sendo finalizada na porta de entrada da casa de André.

– Não sei de você, mas eu estou com fome – disse enquanto limpava os pés antes de entrar em sua casa.
– Olha, até que não seria uma má ideia comer alguma coisa.
– Tem um bom restaurante aqui perto, queria mostrá-lo a você, tudo bem?
– Mas é claro.
– Só preciso trocar o chinelo e já podemos ir.

Ana, ainda não havia entrado no quarto de André, mas imaginava como deveria ser, principalmente a vista da varanda no primeiro andar.

– Venha, deixa eu te mostrar o resto da casa – dizia ele.

E assim, Ana subiu as escadas até o primeiro andar, conhecendo todos os cômodos apresentados por André e, finalmente, o terraço, que escondia um belo ofurô de madeira. Ana olhou o ofurô e já começou a imaginar como seria aquela sensação, mas foi interrompida por um beijo de André, que nem reparou nos seus olhares de desejo, levando-a à pensar que ele realmente estava com fome, mas dessa vez era por alimentos. Tal dúvida só foi sanada quando Ana viu o pedido de André: salada para entrada e como prato principal, um suculento pedaço de picanha, com arroz, fritas. Aquela cena poderia ter sido devastadora, mas Ana estava ciente de que ele havia comido muito pouco na noite anterior, e no café da manhã foram somente algumas torradas e um ovo mexido.

– Realmente você estava com fome, não?
– Sim, muita! Desculpe-me por essa cena, mas não consegui resistir à imagem do cardápio.
– Não se preocupe, está tudo bem – dizia rindo.

A noite já avançava quando ambos se dirigiram à casa de André. Ana demonstrava um pouco de cansaço, não visível, mas André havia reparado; ela não estava tão receptiva. Sem dizer dos seus olhos que traziam estampados o sono. Porém, mesmo assim, ainda encontrou forças para algumas carícias, ainda na porta de entrada. No entanto, André sabia que Ana não iria acompanhar mais uma noite intensa, foi então quando sugeriu.

– Quer que eu te leve pra casa?

Ana até achou uma boa ideia, estava cansada, precisava trocar de roupa, tomar um banho, tirar a areia da praia, sem contar que conseguiria dormiu melhor em sua própria cama, esparramada no colchão, como gostava de fazer, mas não queria deixar André.

– Não. Quero ficar aqui, com você – e levantando a sobrancelha, completou. – Além do mais, preciso experimentar essa sua cama.
– Ah, é? Realmente não é nada justo somente eu experimentar a sua, não é? – sorrindo disse.
– Sim, mas vou precisar tomar um banho, e também de algo para vestir, tudo bem?

André abraçou Ana e seguiram até o banheiro. Tomaram um banho relaxante e voltaram para a cama. Apesar do cansaço de Ana, a noite fora prolongada por mais alguns minutos, até que exaustos dormiram novamente abraçados.


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