[Minissérie] Uma semana – parte 5

André não estava acostumado com aquele tipo de convite, normalmente quem convidava era ele, não o contrário. Ainda descobrindo o ambiente, André parou enfrente a uma seleção de fotos que Ana expunha com muito orgulho. As fotos expostas traziam sua trajetória, desde sua infância, passando pela adolescência, faculdade e, por fim, uma única foto dela na varanda daquela casa.

– Vejo que você gosta do seu passado – disse André ainda segurando aquela última foto nas mãos. – Mas por que a última nesta casa?
– Gosto sim, pois foi ele que me fez o que sou hoje, não teria como negar isso, independente dos erros e acertos, você não acha?
– Com toda a certeza – disse devolvendo a pergunta. – Mas e essa última foto, por que nesta casa?
– Aqui eu sou eu mesma, faço tudo o que quero, quando quero e não tenho que dar satisfações a ninguém. Não preciso me adequar a ninguém – disse enquanto abria a prateleira para pegar duas taças de vinho.

André, olhou bem para a foto e a única coisa que pode concluir era que a foto havia sido tirada por outra pessoa e que o dia estava frio, pois Ana estava coberta por uma manta. Pensou até em perguntar quem havia tirado a foto, mas se esse fato fosse relevante, ela teria acrescentado isso na explicação e acrescentou:

– Belíssima casa, Ana!
– Obrigada! Mas me conte você. Por que não vem com frequência pra praia, não gosta?
– Nem me fale. Vontade não me falta, mas o trabalho consome muito do meu tempo, fica difícil sair para uma viagem, mesmo que seja curta.
– Entendo sua situação, já tive meus momentos também – Ana estendeu a garrafa para André. – Você faria as honras?
– Claro! – disse segurando a garrava. – Mas onde está o saca rolhas?
– Ah, claro, o saca rolhas, como poderia esquecer dele, não é verdade?
– Exatamente… – André sorriu ao dizer isso.
– Pronto, aqui está. O que acha de sentarmos lá na varanda?
– Por que não? Está uma noite agradável.

André olhava Ana, aquele vestido aguçava seus instintos, ele não conseguia parar de pensar no que aquela noite poderia trazer – era a primeira vez que a tinha desejado. Seus pensamentos o atormentavam, não sabia como disfarçar, mas também não sabia se tentaria o primeiro movimento ou deixaria o clima rolar, um frio na barriga tomou conta de seu corpo.

Já sentados, André fez as honras e abriu a garrafa de vinho, deixando que ele respirasse um pouco, serviu as duas taças, oferecendo uma a Ana. E enquanto deixava a garrafa descansando sobre a mesa da varanda, perguntou.

– Realmente, sua casa lembra muito o campo, bem que você disse. Sinto como se não estivesse na praia – disse tentando mudar seus pensamentos. – Quase nem dá pra sentir o mormaço.
– Por isso mesmo que gosto deste local. Se quero ir à praia, pego o carro e vou, caso contrário, sento aqui e leio um livro, distante de toda aquela agitação.
– Verdade. E você fica sempre aqui sozinha? – André ainda estava curioso sobre quem havia tirado a foto. – Digo, sua família, seus amigos… namorado talvez?
Assim que Ana ouviu a palavra namorado, soltou um sorriso que não tinha como ser encoberto pela taça que estava em seus lábios.
– Você quer saber se eu namoro, André? É, isso?
– Bom, tentei ser sutil, mas como você já foi logo no assunto. Você namora? – disse enquanto bebia um pequeno gole de vinho.
– Longa história, mas resumindo, não estou namorando, no momento.

André ficou aliviado com esse comentário, mas intrigado com a pausa que deu, deixando bem claro que não estava com alguém naquela hora. Será que ela tem namorado e foi ele que tirou aquela foto, mas estão brigados e por isso que não mencionou nada durante a explicação? Pensou.

– E você, namora, André?
– Não, faz muito tempo que não tenho algum relacionamento sério.
– Entendo. Muito trabalho, não?
– De certa forma o trabalho acaba atrapalhando um pouco. Como quase não tenho tempo pra mim, conseguir conciliar as duas coisas seria bem complicado.
– É, sei muito bem do que você está falando.

Ana já estava quase no final de sua taça, a bebida era um alívio para ela. Suas emoções estavam à flor da pele, ela queria que aquela noite não passasse desapercebida, ela queria André, mas o medo de dar algo errado, de que ele só quisesse uma noite e nada mais, a apavorava. Então, como estava em sua própria casa, não se importou em beber um pouco mais, completando seu copo e bebendo mais um pequeno gole.

André que manteve seus goles nas pequenas sorvidas, sentia que Ana estava tensa. Ambos queria uma noite inesquecível, mas como seria, nem ele, ou ela, saberiam dizer. Suas emoções agora estavam estampadas em seu olhos, em seus gestos; nos olhares trocados com Ana, enquanto ela bebia mais um gole do vinho.

Tentando não deixar seus gestos o entregarem, André procurava pensar em outras coisa, por mais difícil que isso fosse, queria para de pensar que eles estavam sozinhos e que o mais óbvio seria uma tentativa mais ousada, mesmo que recebesse um não. E assim, buscou em sua mente, algo que pudesse tirá-lo daqueles pensamentos, algo que não fosse Ana, mas o máximo que conseguiu foi lembrar da foto de Ana sentada na varanda, e quem a havia tirado. Seria o namorado de Ana? Pensou. Tal ideia parecia absurda, sem falar que ele não teria coragem de tirar essa dúvida com alguma perguntar, apesar de ser somente curiosidade, aquela ideia parecia fixa, mas servia ao propósito, conseguira desviar seus desejos por Ana, capacitando-o a uma nova pergunta.

– E você pretende ficar aqui até quando?
– Mais uns 3 ou quatro dias. Vim somente para passar uma semana inteira, tentando aproveitar o feriado prolongado. E você?
– Nossa, que coincidência, também só vim para aproveitar o feriado, mas que para mim, estão parecendo férias – disse sorrindo.
– Pois é! Muita coincidência – sorrindo bebeu mais um gole. – Mas conte-me, o que exatamente você faz no seu trabalho?
– Tem certeza que quer saber? – perguntou, mas logo recebeu um aceno de Ana, que se esticou na rede. – Então, hoje, como sou sócio do escritório, faço mais trabalho burocrático, analiso casos, coordeno meus estagiários e advogados e, vez ou outra, faço alguma audiências, somente quando é estritamente necessário, pois não gosto muito.
– Então você está preso a uma mesa, é isso?
– Praticamente! E quer saber? – André percebeu que já estava mais solto somente com aquela taça de vinho. – Não gosto nem um pouco disso, sinto que estou jogando meu talento fora, se é que tenho algum.
– Nossa! Que triste ouvir isso, imaginei que você estivesse satisfeito com o seu trabalho – Ana disse se arrumado na rede. – Você tem uma vida muito boa, tem um carro legal, uma casa à beira mar.
– Sim, financeiramente eu estou satisfeito, mas sempre quis fazer algo a mais, não só assinar papeis e coordenar funcionários, isso é muito chato!
– Bom, então deixemos esse assunto de lado, pois não quero que você fique triste com toda essa conversa, a noite está muito boa para ficarmos nos lamentando dos problemas do passado – Ana esticara o braço. – Você poderia me passar a garrafa, André?

Agora que Ana estava completamente aconchegada na rede, pediu a garrafa a André, esticando a taça para que ele a servisse. André, não querendo parecer que a estava embriagando – algo que não seria nada mal, pensou por um instante – encheu somente até metade da taça, mas Ana segurou a garrafa indicando que queria mais. André virou mais um pouco, mas Ana puxou a garrafa, juntamente com André, que não a havia soltado. Quando André estava bem próximo, quase a dois palmos de distância, Ana o segurou pela camisa e o puxava para mais perto. André sabendo o que estava prestes a acontecer, deixou a garrafa no chão, segurou o copo de Ana, colocando-o sobre o peitoril da janela e aceitou o convite ao beijo.

Seus lábios se tocavam pela primeira vez, André sentia os lábios carnudos de Ana, seu cheiro, sua pele macia, sua vontade crescendo, sua necessidade de puxá-la contra seu corpo. André poderia ter esquecido como funciona a arte da sedução, mas o sexo era algo instintivo, não precisava de aulas ou indicações, tudo era natural, seu corpo respondia na intensidade de suas vontades, seu tesão falava mais alto.

Ana, que estava completamente entregue pela bebida, deixou que André conduzisse; acompanhando todos os seus movimento, suas carícias, seus beijos no pescoço – área que ela tanto adorava – e completamente envolvida nos braços de André, deixaram para trás aquela rede, sozinha com seus embalos. André, não estava preocupado em seguir rumo ao quarto, aliás, o local pouco importava, mas aquela rede não comportava dois corpos, mesmo que tão juntos como estavam, bailando pela varanda. André, ainda ditando as regras, encosta seu desejo contra a parede, segurando seus braços, beija todo seu pescoço, primeiro de um lado, depois do outro, aliviando a pressão exercida sobre os braços de Ana, para que pudesse descer todo o seu corpo, sentindo-o por cima do vestido. Ana se entregava às carícias de André, mas não conseguira ficar muito tempo esperando por seus beijos; queria mais, muito mais.

Ainda encostada na parede, puxa a camisa de André, tirando-a com toda a força que encontrou, queria agora aquele corpo, e o queria agora! André deslizou o vestido de Ana. Contemplando seu corpo escultural, André aproximou seus lábios e a beijou profundamente, sendo correspondido pelas pernas de Ana que o envolviam, tentado trazê-lo para mais perto. André, então, segurou-a nos braços e a deitou no chão da sala – não havia tempo nem necessidade de irem até o cômodo mais próximo.

Seus corpos suados, comunicavam-se sozinhos; a sincronia era perfeita, tudo se encaixava: pernas, braços, beijos e carícias. Carícias essas que se prolongaram até o nascer do dia, aonde, já na cama, começavam a adormecer.

Ana, totalmente relaxada, olhava para André, deitado ao seu lado e sorria como há muito não o fazia. O vinho havia sido consumido totalmente, seus corpos nus, cobertos pelos lençóis, ainda se tocavam, quando Ana virou de lado para ver as horas, imaginando: André, você foi espetacular! Como se ouvisse aquela afirmação, André a abraçou, envolvendo Ana em seus braços, adormeceram.


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