[Resenha] Quando Nietzsche Chorou

Boa noite, caros amigos e leitores, essa semana, em meio a estudos e livros didáticos, tive a oportunidade de terminar a leitura de um excelente livro, que logo menos apresentarei a vocês.

Primeiramente, gostaria de esclarecer que nunca fui fã de auto-ajuda, principalmente pelo fato de que se é auto-ajuda, é uma ajuda autónoma, logo, essa ajuda deve ser formulada por mim mesmo e não por algum livro ou por experiências de outras pessoas, como: “Você pode”, “você é maravilhoso”, “você… você… você…”. Enfim, acho que me fiz entender, não?

Portanto, sempre fui contra livros que, supostamente, têm a fórmula correta de como ser feliz, ou como vencer na vida. Pois, talvez essa regra geral não se encaixe nos meus problemas, ou nem se quer são meus problemas.

Assim, a busca por livros desse tipo sempre foram infundadas, desmotivadas e, até mesmo, desprezadas. Porém, após a indicação de uma amiga, resolvi me dar uma chance, mas não sem antes ter lido opiniões e críticas sobre o assunto. Mas, preciso ser honesto com vocês, o título do livro havia me fascinado: um título forte e ao mesmo tempo introspectivo, pois nos força a imaginar como tal fato poderia acontecer e, se aconteceu, por quê?

E, assim, movido pela curiosidade, “comi” as 100 primeiras páginas em questão de horas! A história já havia me envolvido nas primeiras linhas. Fatos históricos misturados com ficção, romance, decepções e angústias envolvendo o protagonista é uma das minhas combinação favoritas, aliás, acredito que deixaria qualquer pessoa ávida por mais e mais. Entretanto, o que me trouxe mais próximo à história foram as colocações filosóficas trazidas por um dos personagens, que aliás, foi um dos maiores filósofos do século XIX. Algumas que faço questão de compartilhar: Discussão sobre Deus e a eutanásia; escolha do momento da morte;

– Cada pessoa é dona de usa própria morte. E cada uma deveria encará-la conforme lhe aprouvesse. Talvez, apenas talvez, tenhamos algum direito de tirar a vida de um homem. Mas não temos nenhum direito de lhe tomar a morte. Isso não é conforto e, sim, crueldade.

A inversão dos valores proposta, fez-me questionar a relação de vida e morte. Primeiro, só poderá morrer aquele que está vivo, logo, se morto estiver, essa questão não mais será abordada, podendo se tornar uma constante no tempo. Porém, se a análise parasse por nesse ponto, alguns me classificariam como um niilista, mas não, a análise continua ao decorrer do livro.

Segundo o real personagem, Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós! A grande verdade está por trás do acontecimento, ou seja, a sociedade atual matou Deus para poder “possuir” a verdade, gerando um fim aos fundamentos transcendentais da existência.

[Ok. Você já deve estar achando que este post é de auto-ajuda, não é verdade? Continue lendo e verás que “filho teu não foge à luta“.]

É, realmente, essa citação me deixa um pouco apreensivo, pois, nascido em um país de maioria católico, filho de portugueses, não teria como olhar para tal afirmação e dizer: Ele está louco! Mas, no próprio livro, outras citações nos faz acredita que tal fato é fundamental para o crescimento humano, mesmo que não concordemos com isso.

Uma das grandes verdades desse livro foi uma citação que tento levar para o meu dia a dia, permitindo-me experimentar as sensações e pequenos momentos que me são apresentados.

“Torna-te quem tu és.”

Uma frase profunda, porém, salvadora. Pois, se analisarmos essa citação com o texto acima, podemos chegar à conclusão que se fomos responsáveis pela morte de Deus, então seremos capazes de nos livrar dos temores impostos, não por ele, mas pela sociedade, permitindo que possamo-nos tornar quem realmente somos: Deuses de nós mesmos. Ou seja, governar nossas próprias vidas, ao invés de sermos governados.

Enfim, essas são as minhas impressões, como tantas outras que pude extrair do livro.

Outras citações chegam a ser tão profundas quanto as que citei aqui, porém, se começar o rol das citações, talvez, apenas talvez, alguns quererão matar-me, munidos do pensamento de que não estarão me privando da morte, mas da vida. 😉

Mas, antes de citar o livro e acabar com a leitura (abrindo a comentários, claro), gostaria de deixá-los com mais algumas citações, porém, sem comentários.

“Talvez esteja pensando naqueles que ama. Cave mais profundamente e descobrirá que não ama a eles: ama isso sim as sensações agradáveis que tal amor produz em você! Ama o desejo, não o desejado.”

“Se não estivesse pensando esses pensamentos estranhos, em que estaria pensando?”

“Dostoievski escreveu que algumas coisas não devem ser contadas, excepto aos amigos; outras coisas não devem ser contadas mesmo aos amigos; finalmente, existem coisas que não se contam nem a si mesmo!”

“Caso não se viva no tempo certo, então nunca se conseguirá morrer no momento certo.”

E chega! O livro é repleto de questionamentos, de citações que possibilitam um autoconhecimento, e foi por isso que tomei um tempo para lhes oferecer essa oportunidade para que as conheça. E, foi pelo autoconhecimento promovido pelo livro, que não o considero como auto-ajuda, mas como uma forma de se auto-conhecer, de se permitir, indagando certas situações da vida, permitindo uma maior análise do que acontece, aconteceu e poderá acontecer contigo nessa pequena jornada.

Espero que tenha servido para alguma coisa; que não seja a vontade de ler o livro, mas que algumas dessas citações o faça refletir sobre a tua vida, assim como foi pra mim. E, portanto, sem mais delongas, chega a hora da grande revelação, se é que você ainda não descobriu qual é o livro… Não? Bom, o livro é

Quando Nietzsche Chorou (compre no submarino)
de Irvin D. Yalom.

E, após a leitura, pude perceber que a psicanálise pode ser uma ferramenta poderosa para a resolução de algumas questões que teimam em não se resolverem ou serem resolvidas. Permitindo que, através dela, possamos chegar a uma conclusão somente nossa e, assim, possamos entender os porquês de estarmos em tal situação, e como sair dela, principalmente.

E dessa forma que o Irvin C. Yalom consegue mostrar, através do livro, como até as maiores mentes podem sofrer com problemas mal resolvidos.

Aconselho a leitura desse livro, não como uma auto-ajuda, mas como um auto-conhecimento autoconhecimento. Aproveite-se!

E, após esse gigantesco post, me despeço, esperando os comentários, críticas, sugestões e discussões.


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