Capítulo 34

Christine parou no meio da sala, levantou as  sobrancelhas como quem não houvesse entendido nada. O café que trazia à mão não esquentava mais do que sua imaginação que trabalhava a todo o vapor para entender o que haveria acontecido para que Johnatan tomasse uma decisão dessas depois de 7 anos longe de casa.

O sorriso que trazia nos lábios não mais lhe fazia companhia, somente um simples abrir de lábios acompanhado de olhos arregalados.

– Como assim, fazer as malas? O que aconteceu?

– Isso mesmo. Estou voltando pra casa e você vai comigo! – Johnatan ainda segurava o telefone enquanto respondia a pergunta de Christine.

– Tudo bem, já entendi que você irá voltar pra casa, mas o que aconteceu para que você tomasse uma decisão dessas? Assim, em menos de 1 hora.

Johnatan colocou o telefone novamente no gancho e levantou-se da cadeira que ocupara com tanta convicção que fez Christine assustar-se.

– Não sei nem por onde começar. Estava conversando tranqüilamente com a minha mãe. Falávamos sobre o passado, sobre o que havia acontecido durante todos esses anos longe. Ela me falou até sobre a Julia, lembra?

Christine ao ouvir aquele nome, sentiu um calafrio subindo-lhe a espinha. Achou estranho esse sentimento, mas tentando não demonstrar o que havia acontecido, respondeu rapidamente, enquanto sorvia um pouco do café que já estava esfriando.

– Claro que lembro. Era uma amiga sua, não?

– Christine!? Não lembra da história? Poxa, ela foi muito mais que uma amiga…

– Desculpa, acabou saindo sem querer.

Johnatan sentiu que havia algo de estranho na resposta de Christine, mas não quis entrar em detalhes, preferiu deixar o dito pelo não dito. Porém, Christine ainda estava incomodada com aquela história, não sabia o motivo, mas preferiu não comentar nada, também.

– Então, o que realmente acontece?

Christine totalmente impaciente, sentando-se no sofá que, ao lado da cama, esperava um ocupante.

– Vamos, me conte toda a história!

Johnatan olhou para Christine e viu que dali ele não sairia sem antes contar tudo o que havia acontecido e, principalmente, o motivo que o levou a tomar a decisão de voltar para casa tão repentinamente. Assim, sentando-se de frente para Christine, na cama ainda desarrumada, olhou para Christine, que já estava acomodada na poltrona, com os pés dobrados, tomando seu café, e contou toda a história, desde o começo da ligação até a tomada da decisão.

– Mas o que aconteceu com a sua mãe?! – perguntou Christine.

– Não sei ao certo. Meu pai disse que ela havia se sentado na cama com os olhos cheios de lágrimas.

– Só isso?! Ela não disse mais nada?

– Não. Entendeu o porquê da minha viagem? Preciso saber o quê aconteceu. Preciso saber qual a relação desse seu colar com a minha mãe.

– Entendi.

– Então? Vá arrumar a sua mala. Vamos para Nova York!

Christine olhava para Johnatan com um leve sorriso nos lábios. Um último gole separou Johnatan de seu comentário.

– Johnatan, esqueceu que eu não tenho mais emprego? Aliás, nunca ganhei bem para fazer uma viagem dessas.

Johnatan levantou-se da cama, andava de um lado para o outro. Foi até o armário onde havia encontrado o colar e virou-se rapidamente para onde Christine estava sentada.

– Oras, por que não pensei nisso antes?!

Johnatan estava eufórico. Um sorriso largo lhe preencheu os lábios. Seus olhos, abertos como nunca antes, olhavam para todas as direções.

– Pensou no quê?

Christine estava impaciente com toda aquela euforia. Suas pernas já não estavam mais descansadas sobre a poltrona. Quase de pé, olhava Johnatan andando de um lado para o outro.

– Vamos! Diga logo! Você está me deixando impaciente.

– Minha mãe…

– Sim, sua mãe…?

– Minha mãe sempre mandava dinheiro pra mim, mesmo depois do meu “sumiço”. Ela continuava depositando e eu nunca utilizei.

– Como não!? E como você se mantinha aqui em Londres?

– Oras, trabalhando como você!

– Não acredito! Se fosse comigo eu já teria gasto TUDO.

– Ah, eu sempre fui muito orgulhoso. Queria poder me virar sozinho, sem depender deles.

Por alguns instante, Christine imaginava o que poderia ter feito se alguém lhe enviasse dinheiro todo o mês durante 7 anos seguidos. Afundada na poltrona, pensou que poderia não ter que se sujeitar às grosserias dos clientes, imaginou que poderia ter alugado algo melhor, ao invés deste porco apartamento em que vivia. Completamente envolvida em seus pensamentos, Christine nem reparou em Johnatan que já havia sentado novamente diante dela.

– Christine? Tudo bem?

– S-sim… Tudo. Só estava imaginando.

– Então? Vem comigo para Nova York?

Aleitando-se na poltrona, Christine olhou para Johnatan e disse:

– Sim,  e porquê não?

– Então vamos, precisamos ver se a conta no banco ainda está ativa e disponível. Vamos?

Johnatan levantou-se, olhou para Christine, que ainda estava afundada na poltrona, disse:

– Mas esse dinheiro não é meu, Johnatan.

Pensando um pouco, Johnatan segurou-a pelo braço e disse:

– Não se preocupe. Vamos logo, precisamos ir até o banco.

Christine, ainda relutante, levantou-se da poltrona, segura por Johnatan e seguiram caminho até a porta do apartamento.

O barulho dos pés descendo os degraus foi o único som que, agora, ecoava pelas paredes do apartamento de Christine.


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