Capítulo 33

Os gritos de Johnatan pairavam pelo ar, flutuavam em direção à porta, porém não surtiram efeitos em Lilian, que presa em seus pensamentos e medos, deixou o telefone largado no chão por mais alguns minutos, enquanto observava seu colar brilhando em suas mãos.

Johnatan, do outro lado do oceano e da linha, procurava formas de chamar a atenção de sua mãe, mas não encontrou outra senão os gritos, que já haviam preenchido os aposentos de sua mãe e, por motivos óbvios, os corredores de seu prédio.

Seu pai, que já havia entrado em casa, pode reparar alguns murmúrios vindos ao longe, mas não conseguia entender o que estaria acontecendo. Postado à porta de entrada da casa, ainda com o jornal e as chaves em mãos, colocou sua bolsa sobre a mesa enquanto se dirigia ao som desconhecido.

– Querida, está tudo bem?

Seus olhos procuravam com atenção qualquer movimento estranho nos aposentos da casa. Verificou o andar de baixo e nada encontrou, dirigiu-se à escada e parou nos primeiros degraus.

– Lilian!? Você está bem?

Os murmúrios aumentavam com os vencidos degraus. Richard já estava na metade da escada quando pode ouvir algo que lhe parecia um “mãe”, vindo ao longe.

– Johnatan, é você, meu filho!?

Richard já havia trocado o seu tom de voz. Mantinha-o entre a preocupação e o medo enquanto acelerava o passo, buscando aquela voz que muito parecia ser de Johnatan.

Richard acabara de entrar no quarto onde Lilian estava sentada enquanto o telefone, jogado no chão, emitia algumas vozes. Com as mãos cobrindo os olhos, Lilian não reparou que seu marido havia entrado em seus aposentos. Richard, sem saber o que fazer, buscou primeiro pegar o telefone do chão e saber o que havia acontecido.

– Alô?!

Johnatan ouviu aquela voz e soube que seu pais havia atendido e, sem pensar, desligou o telefone rapidamente, mesmo sem ao menos saber o que havia acontecido com sua mãe. Por alguns minutos, olhou o telefone e sentiu-se amedrontado, sabia que seu pai havia reconhecido sua voz e temia que algo houvesse acontecido com sua mãe. Pensou em ligar novamente, mas a idéia de que seria seu pai a pessoa que atenderia dessa vez, deixou-no paralisado sobre a cadeira.

Johnatan sentiu-se culpado por não ter perguntado a seu pai sobre sua mãe. Queria e precisava saber se estava tudo bem com ela, mas deixou o medo dominá-lo, sabia que agora seria impossível descobrir o que havia acontecido.

Preso em seus pensamentos, Johnatan olhava para o telefone como se ele pudesse dar-lhe alguma resposta, mas não foi ele quem o deu e sim, seu pai, do outro lado da linha que agora estava tocando.

Por um momento, Johnatan não saberia se atendia ou não, mas lembrou-se que Christine ainda não havia voltado e que, possivelmente, poderia ser ela, buscando informações sobre o que havia acontecido e, novamente, por um impulso…

– Alô?

– Johnatan?! – Richard sabia que era seu filho.

Johnatan, sem saber o que responder, suava frio só de ouvir a voz de seu pai. Tentou imaginar como seria possível ele ter descoberto o telefone, mas não foi difícil de imaginar…

“-Bina!”. Respondia para si mesmo. “Bina!?!” Como poderia ser tão desleixado? – Pensava.

– Johnatan, você está aí?

– Sim, estou. – respondeu.

– O que acontece?!?!?!?!

Richard, completamente nervoso, não conseguiu conter sua raiva e Johnatan que temia que isso pudesse acontecer, não soube o que dizer.

– Vamos, me diga! O que aconteceu? Por que sua mãe está chorando, o que você disse a ela!?

– Nada. Eu só… – e foi interrompido por Richard.

– Como nada? Ela estava conversando com você e ficou assim de repente? É isso que você está querendo me dizer?

– Não, claro que não. Só estou tentando… – novamente interrompido.

– É, você só tenta! Olhe como sua mãe está!?

Johnatan queria saber como sua mãe estava, mas seu pai não dava nenhuma brecha.

– Pai, me escute! – gritou, Johnatan.

– …

– Não fiz nada! Não disse nada de mais! Estávamos conversando até que lhe fiz uma pergunta e ela não respondeu mais.

– Pergunta? Que pergunta?! – Richard estava curioso para saber o que havia acontecido.

Johnatan buscou rapidamente em suas lembranças algo que pudesse responder a pergunta de seu pai, mas que não fosse a real resposta.

– Perguntei se ela ainda lembrava dos dias que passeávamos no parque, quando eu ainda era uma criança.

– Somente isso?! – Impressionou-se.

– Sim. Mas ela não respondeu, não sei o que pode ter acontecido… Como ela está?

– Deitada, mas parece bem.

– Ela disse alguma coisa? – perguntou Johnatan.

– Não. Ela simplesmente sentou-se na cama e me olhava com os olhos cheios de lágrimas. Após isso, abraçou-me e deitou-se.

Johnatan sentiu-se aliviado, pois deu a impressão que sua mãe estava bem, pelo menos fisicamente, mas mesmo assim, ainda precisava ter absoluta certeza do que havia acontecido.

– Pai, precisamos conversar.

– Estamos conversando, Johnatan. – respondeu Richard.

– Sim, estamos.

– Então…?

Johnatan sabia o que era preciso dizer…

– Pai, estou voltando pra casa!

Com aquelas palavras, Richard sentou-se na cadeira que havia sido ocupada por Lilian enquanto conversava com seu filho.

– Quando?! – perguntou Richard.

– Em breve… – sem mais o que dizer, Johnatan terminou a conversa se despedindo de seu pai.

E nesse momento, enquanto Johnatan pensava em Julia e sua mãe, Christine que havia deixado mãe e filho conversando, entrava pela porta do apartamento com um sorriso no rosto e um café na mão.

– Então, como foi, descobriu?

Johnatan voltou de seus pensamentos e pode ver Christine parada na entrada da cozinha e disse:

– Faça as suas malas, vamos para Nova York!


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