Capítulo 32

Johnatan por mais que houvesse evitado conversar com sua mãe durante todos esses anos, não seria agora que ele iria desligar o telefone e fingir que não havia ligado.

– Alô, Mãe?

Johnatan suava frio. Tenta, mas não conseguia parar de tremer. Suas mãos mal conseguiam segurar o telefone que teimava em tremer suas orelhas.

– Alô, Johnatan. É você meu filho?!

– Olá, Mãe.

Do outro lado do Atlântico, podia se ver uma mulher derramando caladas lágrimas, que escorriam por entre seus longos dedos.

Uma pausa…

– Johnatan! … meu filho…

– Sim, mãe. Sou eu. Eu pensei tanto em te ligar.

Johnatan não conseguiu conter as lágrimas que lhe foram arrancadas do peito com aquelas doces palavras: “meu filho…”. A Muito tempo ele esperava ouvir aquilo, mas não encontrava forças pra fazer aquela ligação.

Christine estava ao seu lado com sua xícara de chá quando pode ver as lágrimas de Johnatan escorrem. Ao ver aquela cena, preferiu se retirar, foi buscar as chaves do apartamento pra poder deixar os dois tranqüilos. Pegou um casaco pois já estava escurecendo e, então, foi rumo à fria rua de londrina.

Nas escadas, Christine ainda podia ouvir alguns murmúrios que saiam do seu apartamento, mas a cada degrau que se desvencilhava, menos murmúrios escutava e mais barulhos de carros se aproximavam.

– E por quê não me ligou, meu filho? Esperei tantos anos por essa ligação. As cartas me traziam alegria, mas de repente elas pararam de chegar e meus dias foram mais longos, até que cheguei a pensar que nunca mais teria notícias tuas.

– Desculpe, mãe. Eu precisava dessa distância. Precisava sair de casa, precisava deixar tudo pra trás. Não dava pra continuar aí, muito menos manter contato. Desculpe…

Já nas ruas, Christine resolveu procurar algum lugar pra comer alguma coisa, tomar alguma coisa ou, pelo menos, simplesmente pra passar o tempo.

– Pouco me importa os motivos, meu filho. A única coisa que preciso saber é se você está bem. Você está bem?

– Sim, estou sim, mãe.

– Que bom ouvir isso! – Lilian sentiu-se mais aliviada em poder ouvir a voz de seu filho e saber que ele estava bem.

– E como estão as coisas, mãe?

– Como sempre. Seu pai viajando bastante, eu em casa e quase sem companhia. Mas sempre foi assim, não é verdade?

– É, ele sempre viajou bastante…

Nesse momento, Johnatan percebeu que seu pai não havia falado pra sua mãe que o havia encontrado, mas preferiu não criar atritos e continuou aquela conversa que a tanto evitava.

– Aliás, tenho uma novidade sim! – disse sua mãe.

– Novidade? – Johnatan não pode se preparar para o que viria.

– Sim. Esse dias estava passeando pelo Central Park e, quando menos espero, encontrei Julia. Lembra-se dela?

Johnatan parou… Trouxe o telefone mais próximo ao ouvido e perguntou surpreso:

– Julia?!

– Sim. Aquela namorada sua, lembra?

Aquelas palavras fizeram Johnatan voltar 7 anos no passado, tão rapidamente que pode rever o rosto de Julia, suave e macio como não poderia deixar de ser. Com os olhos fechados, pode sentia o leve toque de seus cabelos em seu rosto.

– Sim, me lembro dela.

– Ela perguntou de você. Aliás, a conversa, praticamente, foi só sobre você. Tanto da minha parte quanto da dela, claro.

Um sorriso maroto surgiu dos lábios ainda úmidos das lágrimas de Johnatan. E entre um suspiro e outro, perguntou:

– Como ela está, mãe?

Nesse momento, Christine ainda caminhava pelas ruas sem rumo. Uma rua após a outra ela caminhava, tentando encontrar algum lugar interessante para ficar alguns minutos.

– Ela me pareceu muito bem, filho. Menina muito simpática.

Havia meses que Johnatan não pensava em Julia, ainda mais em um momento tão delicado pra Christine. Mas ouvir na voz de sua mãe a palavra “menina”, trouxe-lhe momentos a dois que já não se recordava.. Imaginou Julia com os seus 28 anos, imaginou seus lindos cabelos, soltos ao vento. Essas lembranças davam a Johnatan uma sensação agradável.

Johnatan estava tão absorto em seus pensamentos que esqueceu, por um momento, que sua mãe ainda estava no telefone, cobrando sua atenção.

– Meu filho? Alô?! Você ainda está aí?

– S-sim. Estou aqui, mãe. Desculpa, o telefone acabou caindo. – mentiu Johnatan.

– Ah, claro…

Lilian ainda se recordava da paixão que seu filho tinha por essa menina e preferiu não desmentir o filho.

Christine havia encontrado um lugar não muito longe de sua casa. Era um Café. Alguns clientes, cadeiras de madeira alinhadas às mesas quadradas que preenchiam o lugar. Resolveu que ali seria um ótimo lugar pra esperar e pediu um cappuccino e um cookies. E por lá ficou.

– Johnatan, meu filho. Acho que seu pais está chegando.

Essas palavras foram como um tapa em Johnatan, que ainda imaginava Julia e seus cabelos soltos ao vento.

– Sim, é ele! Quer conversar com ele?

– Não, mãe!! Não deixe ele saber que sou eu.

O orgulho de Johnatan falou mais alto e Lilian sabia o motivo. Johnatan havia saído de casa por causa das brigas que havia tido com seu pai.

– Tudo bem, meu filho. Não irei falar pra ele. Mas saiba que a briga de vocês dois me deixa muito triste…

– Eu sei, mãe. Mas é preciso.

– Claro, claro… – Lilian não queria entrar em atrito com seu filho, pelo menos não nesse momento.

– Johnatan, por mais que me agrade ouvir a sua voz, o que fez você me ligar depois de tantos anos?

Johnatan sabia que não tinha como escapar do real motivo. Por mais que a conversa estivesse agradável, não teria como não questionar sua mãe acerca do colar. Era preciso, porém não sabia como melhor abordar o assunto.

– Além da saudade, Mãe?

– Sim, além da saudade, meu filho. Diga. Não acredito que depois de tantos anos, você ligue somente pra saber como estou. Vamos, diga.

– Nossa, mãe, você acha… – Johnatan foi interrompido.

– Johnatan! Não tente enganar sua mãe. Conheço você, sei que não foi só isso. Então… – Lilian conhecia seu filho melhor que ninguém e sabia que não havia sido só aquele motivo, havia mais coisa.

– Tem razão, mãe. Eu não liguei somente pra falar com a Senhora. Aliás, acredito que esse não foi o motivo principal. – Johnatan estava sendo sincero, após as palavras de sua mãe.

– Então, qual foi o motivo?

– Mãe, gostaria de saber se a senhora ainda usa aquele colar?

– Colar? Que colar? – Lilian já não estava tão rígida, suas palavras foram soltas.

– Lembro que a senhora usava um colar com dois EMES como pingente. A senhora ainda o tem?

Alguns segundos separaram a pergunta da verdade. Lilian suava. Não conseguia segurar o telefone com tanta firmeza como antes.

– Porque pergunta, meu filho? – Lilian tentava conseguir tempo para uma resposta.

– Mãe, a senhora se lembra ou não?

– S-sim, lembro.

– A senhora ainda o tem?

Lilian sentia-se pressionada, não sabia o que dizer. Estava tão acuada que por alguns segundos, deixou o telefone cair na cadeira enquanto levava as mãos ao peito, como quem acabara de tomar um susto. Buscava saber se ele ainda estava lá, se não havia sumido. Mas o colar ainda pairava no colo de Lilian.

Tensa e ao mesmo tempo aliviada, Lilian segurou o colar nas mãos e olhava fixamente para o telefone. Ela podia ouvir os gritos do filho.

Mãe!? Mãe!? Mãããe….


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