Capítulo 31

O ambiente estava pesado. Johnatan olhava para Christine tentando buscar em seus gestos alguma explicação para o que acabara de ouvir, mas sua amiga estava tão quieta, pequena diante de tantos questionamentos, que seus gestos não mereciam atenção.

Aquela manhã havia sido mágica: música, boa companhia, risadas… Mas a vida lhe trouxe à realidade, novamente. Estava diante de seu melhor amigo, mas não conseguia dizer uma única palavra.

– Christine? – perguntou Johnatan com uma voz sumida. – Está tudo bem?

– Sim. – disse Christine. – Estou bem, mas não sei o que lhe dizer. Minha mãe deu-me esse colar, mas nunca explicou o significado dele, apenas disse que o colar foi um presente dado por Michael.

– Mas o que tanto tem esse Michael! – com um tom de deboche. – Christine, por quê nunca perguntou a ele sobre isso?

– Não sei.

Johnatan demonstrou estar irritado com toda aquela história, sobre Michael e o colar, mas tentava não demonstrar, mesmo sabendo que sua última pergunta denunciava seus sentimentos.

– Johnatan, não adianta ficar irritado com essa história. – disse Christine. E continuou. – O melhor que temos a fazer é procurá-lo e perguntar.

Christine demonstrava mais segurança que seu amigo, mas ainda estava perplexa com a descoberta, e desejava saber mais sobre o colar da mãe de Johnatan, pois ela não acreditava que ambos eram o mesmo colar.

– Mas me diga uma coisa, Johnatan. – disse Christine. – Qual é a história desse colar e da sua mãe?

– Como eu lhe disse, a única coisa que eu sei é que ela tinha um colar igual. Aliás, lembro-me nitidamente do último dia que vi o colar. Havíamos brigado, eu e meu pai, e na hora que eu estava me despedindo da minha mãe, pude ver o colar.

– E se você tentasse conversar com a sua mãe?

– Não! – categoricamente, disse Johnatan. – Faz anos que não converso com eles, não sei se conseguiria.

Christine levantou-se da cadeira, andou pelo cômodo durante alguns instantes sem saber o que fazer. Uma colher que estava em suas mãos, passeava entre seus dedos, percorrendo seus pensamentos em busca de letras, palavras, idéias.

A manhã já havia terminado, e o dia passava ao período da tarde, tranqüilo, como se nada houvesse lhe impedido de percorrer as boas horas matinais. No entanto, seus observadores continuavam buscando soluções para seus problemas.

Johnatan, sem perceber, brincava com a xícara de café que estava diante de seus dedos. Como uma criança, jogava o objeto de um lado a outro, buscando em suas lembranças alguma situação que lhe respondesse a pergunta: Qual o significado daquele colar?

Ambos buscavam respostas, mas nenhum conseguiu trazer luz àquela questão, pelo contrário, somente dúvidas e mais dúvidas.

– Desde quando sua mãe tinha esse colar?

– Lembro dele desde quando eu era criança, deveria ter uns 7 anos, provavelmente.

– Sua mãe…

Christine parou pra pensar, queria fazer a pergunta, mas não sabia qual seria a reação de seu amigo, ainda mais depois de saber que foi Michael que havia dado este presente a sua mãe.

– Você iria perguntar? – indagou Johnatan.

– Foi somente uma idéia, mas é capaz… – interrompeu.

– Diga! Não consigo pensar em mais nada. – disse Johnatan.

Christine parou de andar, voltou-se a Johnatan e, por mais que lhe incomodasse, fez a pergunta:

– Sua mãe conhecia o Michael?

Johnatan parou a xícara, que permaneceu inclinada sobre a mesa, segura por dois longos dedos.

– Desculpe, não quis te irritar com essa idéia, mas só poderia haver uma explicação, não acha?

Ainda pensativo, Johnatan balançou a cabeça como quem diz: Sem problemas. E continuava a olhar as migalhas de pão espalhadas pelo baile da xícara. E então disse:

– É, realmente faz sentido. – Johnatan ainda olhava para os pedaços de pão.

– Mas temos um problema.

A afirmativa trouxe a atenção de Johnatan de volta, trazendo seus olhos para Christine que ainda trazia a colher entre os dedos, mas agora encostada nos lábios. Como quem busca as palavras certas, retirou a colher dos lábios e completou o pensamento.

– Você não quer falar com a sua mãe e eu não sei onde encontrar o Michael.

– Não sabe como encontrá-lo? Mas ele sempre aparece nas horas “certas”! – Johnatan ainda demonstrava desconforto com o último encontro.

– Sim, sempre APARECE. Nunca consegui conversar com ele, muito menos saber onde encontrá-lo.

– E a D-E-S-T-I-N-Y? Será que não podemos encontrá-lo lá?

– Provavelmente, mas não sei onde fica.

– Não se lembra do local? – indagou Johnatan.

– Não, foi tudo muito rápido, um beco qualquer, tarde da noite… Só lembranças, mas não o local exato.

Johnatan se viu na obrigação de dizer alguma coisa, visto que sua amiga não poderia lhe ajudar nessa busca.

– Então a forma mais simples seria ligar para a minha mãe, não?

Christine demorou para concordar, mas com um leve aceno, respondeu a pergunta do amigo. Com a cabeça baixa e os olhos levantados, cobertos por alguns fios de cabelo que se soltaram detrás da orelha, Christine olhava Johnatan e esperava alguma resposta.

Olhando as migalhas, respondeu. – Sim, acredito que seja a forma mais rápida, mas como irei ligar pra minha casa depois de tantos anos?

– Simples, pegue o telefone, disque o número e diga: Olá, mãe.

Johnatan soltou uma risada alta enquanto deitava o corpo pra trás na cadeira. – Você está de brincadeira, não é?

Christine acompanhou o amigo na risada. Realmente havia sido uma brincadeira, mas que no fundo havia um pouco de verdade naquela frase, mas sabia que Johnatan não iria ceder tão rapidamente. Porém, para sua surpresa…

– Tá certo. Acho que será melhor assim. Antes tarde do que nunca, não?

– Também acho. – concordou. – Vai ligar agora?

– Que horas são? Já passou das 2 horas da tarde?

– Sim.

– Então me dê o telefone!

Christine estava contente por aquele impulso, pois sabia o quanto a mãe do amigo iria gostar daquele telefonema, ainda mais depois de tantos anos.

Johnatan já havia discado o último número, quando desliga repentinamente.

– O que houve? – perguntou Christine.

– Nada, vou tentar novamente.

Christine sabia que não seria fácil para Johnatan, mas permaneceu ao seu lado enquanto ele discava os números; 8453 foram os últimos números.

Os segundos passavam como horas fossem. Johnatan inquieto na cadeira, levantou-se. Andava em círculos enquanto chamava. Christine olhava o amigo andando de um lado para o outro, enquanto sentava-se na cadeira e colocando os pés pra cima, como havia feito horas atrás.

Do outro lado do Atlântico ouvia-se uma voz…

Alô, Mãe?


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