Capítulo 30

Um banho, uma roupa e alguns penteados diferentes. Isso foi tudo que Christine conseguiu fazer naquele início de noite. Ainda estava no banheiro quando ouviu um pequeno gemido vindo do quarto onde Johnatan dormia. Christine soltou a escova, que estava em suas mão, na pia, abriu a porta e seguiu até o quarto, que não distava 3 metros.

Johnatan ainda estava deitado na cama, mas não tão calmo como antes -suava frio. Parecia um pesadelo, dava a impressão de que acordaria, porém, não abriu os olhos. Christine tentou acordá-lo, mas depois da segunda tentativa acabou desistiu e ficou ao seu lado durante a maior parte da noite.

Não eram 8 horas da manhã quando Johnatan acordou e pode ver Christine deitada, ao seu lado, em um sono leve. Tentou procurar o colar, mas este já não estava mais em sua mão. Imaginou o que teria acontecido, sabia que Christine teria pego e, por um momento, teve medo.

Na tentativa de levantar-se para ver se o colar teria caído no chão, acabou movendo o braço rapidamente acordando Christine que logo se levantou!

– Você está bem? – Perguntou Christine.

– Sim, estou, porquê?

– Você estava tendo um pesadelo.

– Estava? Não me lembro de nada.

– Fiquei preocupada…

– Comigo? – Johnatan logo emendou.

Christine colocou-se de pé. Estava um pouco envergonhada, não estava acostumada com aquela situação, muito menos acordar ao lado de um homem.

– Está tudo bem com você? – Perguntou Johnatan.

– Claro! Fiquei assustada com a hora. Só isso.

Johnatan percebeu que não era somente isso que havia feito ela se levantar daquele jeito, imaginou que ela também estaria se perguntando sobre o colar ou seria somente a situação que havia lhe deixado assim.

– Não sei de você, mas estou com muita fome. O que acha da gente comer alguma coisa?

– Ótima idéia! Eu deixei algumas coisas na geladeira. O que acha de fazermos um belo café-da-manhã?

A idéia pareceu muito agradável, e Christine logo se prontificou em arrumar a bagunça na cozinha pra poderem preparar o desjejum. Johnatan foi até o aparelho de som e colocou alguma música pra quebrar o gelo, visto que Christine ainda estava um pouco tensa com a situação que acabará de acontecer.

Life’s lika a road that you travel on

There’s one day here and the next day gone

Sometimes you bend, sometimes you stand

Sometimes you turn your back to the wind

Christine e Johnatan se olharam… um sorriso, uma gargalhada – mais vida na casa. Johnatan conseguira o que estava buscando. Christine agora estava mais animada que antes e ele também sentia-se melhor, e ao som da música continuaram a arrumação.

Life is a highway

I want to ride it all night long

If you’re going my way

I want to drive it all night long

A música já envolvia todo o apartamento, assim como o cheiro dos ovos fritos e dos pães torrados. Johnatan estava fazendo um belo suco de laranja enquanto Christine preparava as xícaras e os talheres.

There was a distance between you and I

A misunderstanding once but now

We look it in the eye

A música estava no Repeat, Christine tinha feito o favor de alterar a ordem das músicas, permitindo que somente essa música tocasse. Ambos estavam animados, felizes e cheios de fome quando a música chegou ao seu final.

Life is a highway

I want to ride it all night long…

Johnatan pegou o controle do rádio e desligou, pois chegara a hora do café-da-manhã. Pães, torradas, leite quente, suco de laranja, ovos, geléia, até iogurte eles tinham. Seria um belo desjejum, disso ninguém tinha dúvidas.

Christine estava pronta pra se sentar à mesa, mas Johnatan foi mais rápido e puxou a cadeira pra ela.

– Obrigado – disse Christine impressionada.

– De nada.

Uma parte boa de ter nascido em uma família norte-americana rica e conservadora era a boa educação.

A comida já estava chegando ao fim, quando Christine resolveu perguntar a Johnatan sobre o colar. Por alguns minutos, sentiu-se constrangida, mas a imagem de Johnatan mexendo em suas coisas foi mais forte que ela, e logo veio a pergunta juntamente com o barulho da torrada se quebrando.

– Johnatan, sei que você também deve estar se perguntando, querendo saber o que aconteceu com o colar que você estava segurando.

A xícara que Johnatan levara aos lábios pairou no ar por alguns segundos, voltando à mesa onde o pires a aguardava.

– Confesso que estava preocupado, imaginando se você havia pego o colar ou se ele havia caído no chão quando eu estava na cama.

– É, eu peguei. Mas gostaria de saber o motivo que fez você mexer nas minhas coisas até encontrar o colar.

Johnatan, por um momento, ficou chateado com aquelas acusações, mas não se importou, pois ele no lugar dela também teria perguntado a mesma coisa.

– Christine, não foi bem isso que aconteceu. Eu estava procurando uma coberta para me cobrir e quando puxei a colcha o colar caiu no chão. Foi isso que aconteceu.

Christine quebrava mais um pedaço da torrada enquanto imaginava a cena que Johnatan acabara de descrever, e foi quando disse:

– E porque você o estava segurando com tanta força?

Aquelas palavras foram como farpas em sua pele. Johnatan não soube como iria contar a Christine, não sabia sequer qual seria o significado daquele colar pra Christine, mas haveria de lhe dar uma resposta.

A xícara repousava tranqüilamente no pires que outrora a esperava, os pães já não eram tão saborosos como a 15 minutos atrás, a música havia perdido sua simpatia quando Johnatan retomou o diálogo.

– Pode parecer estranho, mas lembrei que minha mãe possuía um colar como este. Aliás, era igual! Agora, onde você conseguiu esse colar, Christine?

Christine já não quebrava mais a torrada, sua perna que antes estava apoiada na beirada da mesa, com os pés na cadeira, relaxaram, sua expressão foi mais forte que ela, sua torrada, agora, com algumas migalhas pairavam sobre a mesa. Sua boca estava sedenta por algum líquido…

– Christine!? – Perguntou Johnatan.

E em uma fração de segundos, Christine se recompôs, olhou nos olhos de Johnatan e disse:

– Foi minha mãe quem me deu este colar.

Somente torrada e xícara estavam presentes naquele momento. Johnatan e Christine permaneceram inertes, quietos a observar a xícara e a torrada, respectivamente.


Fatal error: Uncaught Exception: 12: REST API is deprecated for versions v2.1 and higher (12) thrown in /home/folhe034/public_html/wp-content/plugins/seo-facebook-comments/facebook/base_facebook.php on line 1273