Capítulo 28

A noite havia sido longa. Muitas perguntas, muitas histórias, porém poucas respostas foram ouvidas. Dúvidas e mais dúvidas enchiam a cabeça de Christine enquanto o táxi, quase enfrente ao seu apartamento, parou bruscamente na avenida!

– O que foi isso? – Perguntou Johnatan.

– Nada, desculpe meu senhor. Pensei ter errado a entrada.

Mas Christine já havia se perdido em seus pensamentos, ainda que fosse difícil não pensar na morte de sua mãe, tudo lhe estava tão próximo. Seu olhar já não transparecia calma ou rancor, mas indiferença. Tinha medo que as expectativas do Delegado Coleman fossem corretas, que sua mãe houvesse cometido suicídio. Foi quando, tentando evitar esses pensamentos, pode ver por detrás de sua janela, o Pub que tanto tempo havia trabalhado.

– Johnatan! veja!

– Onde?

– Não se lembra? O Pub! Olha lá o Paul!

Christine estava vidrada, muitos dias se passaram desde seu último dia de trabalho. Não seria saudade o que sentia, mas conforto. Aquele lugar era uma alívio para ela, conseguia tocar sua vidinha sem preocupações, mas depois daquela noite, tudo havia mudado. Conhecer Michael foi tão bom… mas muitas coisa aconteceram logo depois disso. Descobertas, incertezas, vontades, medos, anseios… Amor, se é que poderia se dar ao luxo de pensar em um sentimento tão nobre diante de tudo que acontecera.

Alguns momentos passaram por entre seus olhos, tão intensos que teve medo de serem observados por Johnatan, que observava o Pub sobre seus ombros. A vontade era parar e cumprimentar Paul, mas já estava ficando tarde e Paul não estava com cara de bons amigos, logo preferiram seguir seus caminhos.

Não havia se passado 5 minutos quando o táxi os deixou em casa, pela pequena quantia de £ 15,00 (R$ 49,00). Uma viagem cara para os poucos quilômetros percorridos. Johnatan fez questão de pagar a corrida, ainda mais sabedor que Christine não possuía dinheiro, pois estava desempregada a algum tempo.

– Gostaria de entrar, Johnatan?

Christine queria uma companhia, não gostaria de ficar sozinha novamente, mesmo porquê da última que ficou sozinha, não foi algo tão agradável quanto gostaria.

– Se não for atrapalhar, seria bom.

Aquela foi a primeira vez que Christine levaria Johnatan para seu apartamento. A vergonha lhe consumia, pois a limpeza não era seu forte, muito menos a organização, mas àquela altura, limpeza e organização seriam o menor de seus problemas. Já passava das 7 da manhã quando eles entraram no apartamento. Roupas soltas aos cantos, toalha posta sobre a cama ainda por fazer, sapatos largados ao chão do armário. Um ar pesado cobria aquele apartamento pouco iluminado e úmido. Johnatan também percebia que Christine estava inquieta com toda aquela bagunça e tentou dizer alguma coisa pra poder quebrar o gelo.

– Apesar da bagunça é um bom apartamento.

Será que melhores palavras não poderiam lhe sair à boca? Foi o que pensou, porém já estava dito e pela expressão de Christine, não parece que foram tão ruins assim, o que trouxe alívio a Johnatan.

– Sim, é um bom apartamento, também, não pretendo morar aqui o resto da minha vida, além do mais, com a morte da minha mãe, tenho a casa que ela me deixou.

Christine não havia pensado nesse pequeno detalhe até então, e por incrível que pareça, esse pensamento lhe trouxe um pouco de alívio, pois precisaria de dinheiro logo menos, e a idéia de possuir algum refúgio para um momento de necessidade lhe agradou bastante.

– Está com fome? – disse Johnatan.

– Sim, um pouco, mas não sei se tem alguma coisa na geladeira.

– Vamos ver… É, tem um litro de leite vencido, algumas torradas não muito boas e uma fatia de pão. Acho melhor descer e comprar alguma coisa pra tomarmos um café, o que acha?

– Ou podemos descer e tomar um café.

– Não, faço questão de preparar um café pra você, além do mais, você precisa descansar.

Christine achou ótima a idéia e assentiu com a cabeça em um leve movimento seguido de um pequeno sorriso. Assim, Johnatan seguiu caminho até a padaria mais próxima; não iria demorar tanto, pois havia uma bem de esquina ao prédio.

– Vou levar a chave, tudo bem?

– Claro!

Johnatan desceu as escadas e logo já estava na rua. Alguns carros já funcionavam, uma pequena neblina ainda cobria as ruas úmidas daquele pequeno bairro. O caminho foi curto, mas a fila estava longa para os frescos pães, mas Johnatan não se importou, estava gostando da idéia de preparar um café da manhã para Christine, e permaneceu na fila para o tão quentinho pãozinho.

Meia hora havia se passado, mas Johnatan, vitorioso, voltava para o apartamento com dois litros de leite, 4 pães, café moído na hora, frios, torradas, geléia, algumas frutas e iogurte. Tudo indicava que o café da manhã seria maravilhoso, porém, ele não contava com Christine deitada na cama em sono profundo. Sua reação foi instantânea, seus braços relaxaram, seu sorriso já não brilhava, seus olhos descansaram, e logo já estava guardando as compras pra uma outra hora.

Ele olhou Christine deitada, ainda com a roupa da noite anterior, pelo jeito ela não demorou nada para cair no sono; sua única reação foi arrumá-la melhor na cama, pegou as cobertas e, cobrindo-na, deu-lhe um beijo na testa e foi procurar um lugar pra descansar. Procurou no armário alguma coberta, algo que desse para se cobrir por completo; tirando uma roupa daqui outra dali, conseguiu encontrar uma colcha de retalhos que lhe parece a melhor opção, porém, quando a estava puxando, um pequeno colar caiu em seus pés. Não era um colar comum, esse colar ele já havia visto em algum lugar, não lhe era estranho. A corrente de prata trazia dois MM um ao lado do outro – era o colar que Michelle havia entregado para Christine.

Johnatan parou alguns segundo para olhar aquele colar, sabia que já o havia visto em algum lugar, tinha certeza! Mais alguns segundos e, de repente, palavras brotaram de seus lábios.

– Mãe!?


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