Capítulo 27

O delegado Coleman estava empolgado. Provavelmente o garoto conseguria lhe dar respostas às suas perguntas. Não foi atoa que de pronto foi o primeiro a questionar sua afirmação.

“O Senhor?!”

Christine ainda estava parada à porta, não entendendo o que acabara de ouvir, ainda mais que tais palavras vieram de um amigo que ela tanto queria bem, mas que de tempos pra cá, não demonstrava tanta afinidade quando no começo.

Ela lembrou-se, por um momento, da bela história que um dia ele havia lhe contado sobre Júlia, sobre como eles haviam se separado, e sentia que ambos se amavam, mas o destino não havia sido generoso com eles.

Michael, ainda olhava-no com desconfiança, mas não demonstrou seus sentimentos, ficou somente no olhar que Johnatan percebeu. Parecia que só havia ambos na sala, mas segundos mudariam essa percepção…

Johnatan, agora, era o centro das atenções. A estante, a mesa, nem a falta de luminosidade da sala estavam mais presente, somente 4 pessoas; três olhavam Johnatan diretamente e prontos para dizerem algo.

– Sim, acredito que posso ajudar a entender esse bilhete, Christine.

– Então, diga!!!

Christine estava muito exaltada, não mediu as palavras, Johnatan sentiu-se um pouco acuado, porém não poderia mudar de idéia justamente agora, ainda mais depois de ter falado isso na frente do delegado Coleman.

– Vamos, garoto. Diga o que sabe.

A sala diminuia com cada pergunta. Johnatan, por um momento, sentiu uma falta de ar, parecia que as palavras ficaram presas em sua garganta… Cada minuto a mais era um minuto a menos, para seu desespero.

Todas as janelas estavam fechadas, assim como a porta logo atrás de Christine, no entanto, Johnatan sentiu um ar gelado percorrer todo seu corpo, sabia que, mais cedo ou mais tarde, teria que dizer algo, caso contrário, poderia ser acusado pelo delegado como suspeito do crime.

Michael, que até agora não havia dito muita coisa, deu dois passos à frente,  colocou mão direita sobre o ombro de Johnatan, olhou em seus olhos e disse:

– Johnatan, não se preocupe, diga o que sabe.

Aquelas palavras foram certeiras, parecia que Michael tinha lhe tirado um fardo das costas, mesmo sem saber como ele fez isso, sentiu-se mais corajoso, mais tranquilo e confiante. A sala parecia ter voltado ao normal, o ar não estava escasso como antes, a mobília estava posta em seus lugares sem mais ou menos poeira.

Invadido por uma confiança incompreensível, Johnatan olho para Christine e disse:

– Venha, sente-se, pois tenho que lhe contar uma história, aliás, já deveria ter lhe contado.

Christine sentou-se, mas nem por isso estava com cara de muitos amigos; lágrimas ainda teimavam em correr pelas bochechas.

– Christine, lembra do dia do enterro de sua mãe?

– Sim, com poderia esquecer?!

– Desculpa, não foi isso que quis dizer… Lembra que meu pais estava presente e que tivemos uma briga?

– Sim, lembro!

– Então, não lhe contei, pois a briga parecia envolver somente eu e meu pai, mas depois do que sua mãe escreveu no bilhete, acredito que há mais pessoas envolvidas…

O Delegado estava atento a cada palavra que Johnatan proferia, e nesse exato momento questionou sobre a história.

– Que história é essa? O que aconteceu no enterro, preciso saber! Vamos meu filho, me conte o que aconteceu.

Johnatan olhou o delegado, mas viu que não tinha outra opção, teria que contar o que havia acontecido, e, assim, começou.

– No dia do enterro…

A noite já estava quase em seu final quando Johnatan havia terminado a história para pura satisfação do delegado Coleman. No entanto para sua surpresa, tanto Michael quanto Christine estavam com os olhos fixos nele.

– Entendo… mas sobre o que vocês conversaram? – O delegado já fazia anotações em seu Moleskine®.

No entando, Johnatan não havia contado a história completa, o que fez foi dar uma introdução sobre o que havia acontecido no cemitério, o encontro com o seu pai e a discussão que aconteceu, porém, não havia contado sobre o que eles haviam discutido.

– Pois bem…

– Pai, o que você está fazendo aqui?

– Olá, meu filho.

– (…)

– O que o Sr. está fazendo aqui? Justamente no enterro da mãe de uma amiga minha?

– Meu filho, muita coisa precisa ser dita.

– Sim, com toda a certeza, ainda mais depois de tanto tempo, não acha?

– Não. Não sobre isso.

– Nossa! Obrigado pelo conforto!

– Preciso te contar algumas coisas que aconteceram no passado, coisas que estavam esquecidas, até hoje, mas não podem mais ser deixada pra trás!

– Poxa, que bom para o Senhor! Depois de 7 longos anos, depois de não ter conversado comigo durante tanto tempo, o Sr. vem até o enterro da mãe de uma amiga pra desabafar? Pra me contar coisas que aconteceram no seu passado, ainda mais coisas que não têm relação alguma comigo!?

(Johnatan deu as costas pro seu Pai).

– Tente entender. Nunca imaginei que essa hora chegaria, mas é preciso!

– Não! Chega! O Senhor não tem esse direito! Preciso voltar ao enterro e, por favor, não me venha mais com essa história! Deveria ter pensado muito antes de ter vindo aqui somente pra querer desabafar!!!

(Johnatan afastou-se de seu pai e caminhou em direção ao nada, enquanto seu pai seguia o caminho em direção aonde Christine estava).

Tanto o Delegado quanto Christine estavam boquiabertos com a história. Michael parecia muito mais calmo, poderia dizer que ele não estava demonstrando espanto algum sobre o que havia acontecido, dava a impressão de já ter ouvido essa história.

– E porquê você não disse nada?! – disse Christine.

– Desculpe Christine, nunca imaginei que isso poderia ter alguma coisa a ver com o que aconteceu com a sua mãe, mas depois do que li esse bilhete deixado por ela, achei muita coincidência meu pai ter aparecido no enterro e me falado essas coisa.

Christine concordar com ele, apesar de não transparecer, além do mais, ele não teria, realmente, como saber.

O delegado já anotara tudo que havia escutado e mesmo assim, ainda olhava para o seu caderno de anotações na tentativa nula de entender tudo aquilo.

– Certo, meu jovem. Acredito que seu pai pode nos esclarecer essa história. Onde posso encontrá-lo?

– Encontrá-lo? Provavelmente em Nova York!

– Nova York!?

– Sim.

Os grisalhos cabelos que ainda teimavam em permanecer em sua careca logo se levantaram, o delegado estava agora mais confuso, precisava buscar informações com uma pessoa que nem em Londres morava.

– Tudo bem, daremos um jeito para colher essas informações.

O relógio já marcava 6:15 am.

– Bom, acho que já tomei muito tempo de vocês. – disse o delegado.

Michael que estava sentado em sua cadeira, levantou-se, olhou para Christine e disse:

– O delegado tem razão, Christine. Melhor irmos descansar, pois a noite foi longa, e acredito que você precise dormir depois de tudo isso.

Michael conseguia convencer Christine, e de pronto ela levantou-se.

– Obrigado, Sr. Coleman. Peço que me informe sobre qualquer alteração nas investigações, e, por favor, encontre a outra parte deste bilhete!

– Sim, faremos o possível. Passar bem.

– Até logo.

E com um aperto de mãos, ambos se despediram.

– Eu acompanho você até sua casa, Christine. – disse Johnatan.

– Obrigado.

– Até logo, Christine. Tente descansar.

– Tchau, Michael. Obrigado por tudo.

Michael se despediu de Christine e olhou para Johnatan com um leve sorriso nos lábios; e vestindo seu sobre-tudo, sumiu na densa Fog que abria a manhã daquela sexta-feira.

Um taxi parou à porta da delegacia, quando Johnatan disse:

– Vamos?


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