Capítulo 26

Michael não disse nenhuma palavra, simplesmente olhava para Johnatan como se o analizasse, parecia que ele estava lendo seus pensamentos, de tão profundo que era seu olhar. Seus olhos estavam fixos para o rosto de Johnatan, que já estava estranhamente irritado com aquilo.

– Michael? O que você está fazendo aqui?

Christine percebeu que o clima entre os dois não era dos melhores e fez a pergunta pra tentar evitar qualquer mal entendido, pois, Michael com toda a sua altura e postado diante de Johnatan, fazia-no parecer um jovem adolescente.

– Olá, Christine. Vim pelo mesmo motivo que você. Saber mais detalhes sobre o assassinato de Michelle, só não imaginei encontrá-lo aqui.

Michael voltou os olhos para Johnatan que retribuiu com brusco movimento, na tentativa de não demonstrar insegurança, mas que logo foi percebido por Christine que até sentiu vontade de sorrir, se não fosse a chata situação em que se encontrava.

– Mas o quê descobriram?

– Ainda não conversei com o delegado e acredito que ele prefira falar com você.

– Bom, então vamos.

Christine e Michael seguiram rumo à sala do delegado acompanhado por Johnatan, que não se sentia tão querido quanto queria, mas mesmo assim, ainda tentou alcançar Christine.

Uma porta bem rústica dividia a curiosidade de Christine e a possível verdade. A porta foi aberta por Michael que, com um leve toque no braço de Christine, indicou o caminho a Christine. Mal entraram e a sua direita estava uma bela mesa de mogno que trazia em seus cantos belos adornos talhados na própria madeira – algo incomum para uma delegacia. Logo atrás da mesa, alguns quadros davam um pouco de vida àquela sombria sala. Um tapete verde com alguns rabiscos em marrom, conduziam os visitantes à antiga estante vitoriana.

Alguns dos livros contavam o tempo através de suas páginas deterioradas, assim como o tempo, pois limpeza era algo incomum no local, pois a poeira cobria o brilho nato da estante.  A pouca iluminação que vinha da janela dava ao lugar um ar sóbrio e um tanto sombrio. Duas cadeiras de madeira estavam postas diante da mesa à espera de seus futuros ocupantes.

Antes mesmo que Johnatan pudesse tomar alguma atitude, Michael ofereceu uma cadeira à Christine, e sentou-se imediatamente à cadeira ao seu lado. Johnatan, sem saber o que fazer, apoiou as mãos na cabeceira das cadeiras tentando não demonstrar sua impaciência com a atitude de seu companheiro.

Alguns minutos se passaram até a chegada do delegado – um homem mediano, acima do peso e de cabelos brancos -, que entrou na sala, com alguns papéis entre os dedos, e logo cumprimentou seus “convidados”.

– Boa noite. – disse o delegado. Acredito que não fomos formalmente apresentados, não é verdade? Me chamo Arthur Coleman, o delegado de polícia que está cuidando do assa… assassinato (vacilou por alguns minutos) de sua mãe. Sua mão estendida à espera de um aperto de mão de Christine, que logo veio.

– Boa noite. – apertando a mão de delegado Coleman. Muito prazer.  Como o Senhor já sabe, me chamo Christine Colahan e estes são Michael Campbell e Johnatan Priest.

– Sim, muito prazer. Um momento que pegarei uma cadeira para você meu jovem! – Dirigindo-se a Johnatan.

Apesar de estar sentado, Johnatan não estava tão confortável quanto os outros, pois estava sentado em uma simples cadeira de plástico que antes estava no corredor de espera.

– Bom, então vamos ao motivo que lhe chamei até aqui. Primeiramente, devo pedir desculpas pelo avanço da hora, mas como constava em sua ficha que poderíamos lhe chamar a qualquer hora…. – interrompido por Christine que agora dizia.

– Claro! Não se preocupe.

Pigarreando, o delegado Coleman continuou sua exposição. – Temos fortes indícios de que a morte de sua mãe não foi provocada por outra pessoa.

– Como?! – Christine quase levantou-se. – O Senhor está dizendo que minha mãe se matou?

– De certa forma, sim.

– Mas como pode ser? – Christine já estava de pé enquanto Michael segurava seu braço forçando para que ela se sentasse.

– Encontramos um bilhete durante as investigações.

O delegado estendeu um pedaço de papel rasgado com algumas manchas de sangue, em toda a sua volta, que dizia:

Não posso mais suportar a perda. Não posso mais mentir sobre o que aconteceu. Estou cansada de olhar para os dias passados e não poder contar a verdade sobre o que aconteceu. Tenho medo, muito medo de um dia ser acusada pelo que fiz. Antes não tivesse feito, mas eu era jovem e não poderia ser diferente…

As palavras de Michelle terminavam abruptamente, sem deixar mais vestígios do que havia acontecido.

– Mas… e o restante!? Onde está o término do bilhete?? ONDE!?

– Tente se acalmar, Christine. – Dizia Michael.

– … sim, se acalme.

Johnatan tentou se notado, mas suas palavras sumiam entre o nervosismo de Christine e a serenidade de Michael.

– Senhor Coleman, pode nos explicar o que isto significa?

Michael segurava a metade do bilhete em sua mão, mostrando ao delegado na tentativa de obter alguma resposta. Enquanto Johnatan ,sentado em sua cadeira, tentava acalmar Christine que, com um choro, sentava-se.

O delegado estava calmo, pois não era a primeira vez que ele presenciava e ouvia as pessoas chorando em sua sala. Sim, um trabalho dramático, porém era necessário ser feito.

– Sinto muito pela sua perda, Senhorita Colahan, mas chamei-a para lhe informar sobre os acontecimentos, preferi não lhe contar sobre este bilhete ao telefone.

Christine balançava a cabeça confirmando a escolha do delegado, que continuava seu raciocínio…

– Imaginei que a senhorita pudesse me fornecer maiores detalhes sobre as informações contidas neste bilhete.

Esta foi o real motivo por ter o delegado ter chamado Christine à delegacia. Ele buscava respostas, na tentativa de solucionar o suposto crime.

– A senhorita sabe o que este bilhete quer dizer? Digo, sobre o que sua mãe estava tentando escrever, antes de sua morte?

Christine enxugava suas lágrimas ao mesmo tempo que empurrava a cadeira e postava-se de pé.

– Não! Não sei o que este bilhete quer dizer. Muito menos acredito que minha mãe tenha se matado, se é isto que o senhor deseja saber.

– Desculpe se foi essa a impressão que passei. Mas, nesses casos, tenho que trabalhar com ambas as hipóteses, tanto de assassinato quanto de suicídio. Por isso, peço toda e qualquer ajuda que a senhorita possa me fornecer.

– Como lhe disse. Não sei do que isso se trata. Quem sabe se o senhor encontrar a outra metade deste bilhete, algumas respostas não sejam respondidas.

Christine sentia-se ofendida, não desejava permanecer um segundo a mais naquele local. Levantou-se, pegou sua bolsa e já estava saindo da sala quando Johnatan levantou-se.

Christine parou diante da porta e com um brusco movimento, virou-se e encarou os três homens que ainda estavam parados em seus lugares.

– Christine, espere!

Johnatan olhava para Michael, porém não havia em seus olhos aquela incerteza ou medo que antes havia demonstrado. Agora seu olhar estava determinado, sério, dava a impressão de ser outra pessoa.

– Preciso te contar uma coisa. Eu posso te ajudar a entender este bilhete.

Todos os olhares estavam em Johnatan. Christine boquiaberta com as palavras de seu amigo. Michael olhava-no com certa desconfiança e impaciência. Mas foi o delegado que disse as primeiras palavras…

– O Senhor?!


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