Capítulo 24

Uma semana havia se passado e Christine ainda não conseguia superar a perda de Michelle, ainda lembrava de suas conversas, seus conselhos, mas o que a deixava estranhamente interessada era o motivo do assassinato. Tudo parecia estranho para ela, quem iria querer matar sua mãe? Da polícia ela já havia perdido as esperanças, pois não haviam entrado em contato, a não ser para chamar-lhe para um depoimento, nada além disso.

Apesar de tudo, Christine preferia que aquele dia nunca houvesse acontecido ou, pelo menos, não por agora, ainda mais depois de tudo que estava acontecendo. Parecia que o universo havia se voltado contra ela principalmente naquela semana. Seu emprego já não existia mais, sua mãe havia morrido, suas economias acabaram devido ao enterro e os preparativos.

Tudo indicava que sua vida estava caminhando para um momento sombrio, cheio de dor e sofrimento. Ela gostaria de permanecer deitada em sua cama observando o teto embolorado de seu quarto. Aquela visão lhe trazia momentos de tranquilidade, de otimismo, como naquele dia que ela resolveu pegar a sua melhor roupa e sair de encontro ao nada. Mas foi nesse dia que sua vida começou a mudar, nesse dia ela encontrou a D-E-S-T-I-N-Y e lá acabou por conhecer Michael.

Mais uma vez ela se via deitada, mas desta vez nenhuma sensação percorreu seu corpo inerte, paralisado por lembranças já há muito esquecidas, sentimentos que pensou ter perdido. Por mais que ela pensasse, sua alma estava estagnada em um certo momento, seu corpo estava presente, mas suas lembranças caminhavam pelos confins do tempo.

Sua mãe agora era jovem, carregava Christine em seus braços até a cerca da casa. A árvore era gigantesca perto dela, seus pequenos pés pareciam folhas próximas à enorme raíz que penetrava fundo no solo.

– Ela está morta! – Christine repetia às lágrimas.

Ela teve a impressão de que sua mente estava lhe pregando peças, tentando esconder a triste realidade, realidade esta onde sua mãe já não era mais jovem e muito menos viva, e pela segunda vez sentiu raiva de sua mãe. Decidiu que já estava na hora de encarar a realidade, pois não poderia ficar deitada o dia inteiro, apesar do sofrimento que ela havia passado nos últimos dias.

E foi no mesmo instante de sua decisão que seu celular toca. Christine levantou o mais rápido que pode, mas antes de alcançar sua bolsa, conseguiu tropeçar em algumas roupas que estava espalhadas pelo chão.

– Alô?

– Sim, estou bem, Johnatan.

– É, pode ser. Acho que me fará bem.

– Tudo bem, vou me arrumar.

Com raiva, Christine pegou a jaqueta que estava jogada no chão e a colocou sobre a cama. Aquele telefonema tinha lhe dado um ânimo, só de pensar na idéia de sair de casa já lhe agradava. Mas a preocupação agora era escolher a roupa correta. Christine olhou para o armário – quase sem roupas – e decidiu pela calça jeans e uma blusa preta, juntamente com um velho sapato que estava ao lado da cama. E assim, colocou a roupa sobre a cama juntamente com a jaqueta e caminhou para o chuveiro.

Quinze minutos depois, Christine estava de banho tomado e com os cabelos secos, pois não daria tempo para tanta mordomia. Vestiu a roupa, pegou sua bolsa, as chaves e dirigiu-se para a escada. E foi com aquele pensamento – Sim, um ar puro me fará bem -, que Christine abriu a porta do prédio e encontrou Johnatan, que já a estava esperando fazia uns 5 minutos.

– Está com fome?

– Fome sim, mas dinheiro não.

– Tudo bem, dessa vez fica por minha conta. Vamos?

Durante essa semana que se passou, Johnatan e Christine haviam se visto muito pouco, pois Johnatan estava trabalhando dobrado para cobrir a ausência da garçonete que Paul ainda não havia contratado.

– Como andam as coisas lá no Pub?

– Tranqüilas. Só estou correndo mais do que o normal, o Paul não contratou outra pessoa para ocupar o seu lugar.

– Imagino. Ele nunca foi organizado mesmo.

– Verdade, sempre faltou alguma coisa, isso quando nós não davamos um jeito.

Christine soltou um leve sorriso que fez Johnatan ficar mais contente.

– Isso foi um sorriso?

– Sorriso? Bobagem.

– Tudo bem, vou fingir que não foi.

Ambos andavam pelas ruas sem a menor preocupação com o horário ou se faria ou não frio com o cair da noite. Mas por um breve momento, Christine lembrou da briga entre Johnatan e seu pai no dia do enterro, imaginou que ele não queria falar sobre isso, mas como já havia passado tantos dias sem tocar no assunto, provavelmente não teria problema em perguntar.

– Johnatan, sei que não é da minha conta, mas e seu pai?

A pergunta foi como um tapa na cara, direta e rápida, não dando tempo para uma melhor resposta.

– O que tem ele?

– Você tem falado com ele?

– Não. Olha, chegamos. Vamos que hoje é por minha conta.

Christine parou por um momento, mas de nada adiantou, pois Johnatan já havia seguido para a porta de entrada, indicado o caminho para Christine. Ela sabia que aquela resposta não era verdadeira, mais parecia uma desculpa para não falar sobre o assunto. No entanto, preferiu deixar essa história para depois da janta.

Alguns minutos depois e com o pedido feito, Christine fez sua segunda tentativa, tentando outra abordagem.

– Eu imaginava seu pai mais alto que você.

Johnatan respondeu com um aceno e não disse mais nada, sua comida parecia estar mais interessante do que aquela conversa, e Christine decidiu não fazer mais nada e se preocupar com a sua janta que já estava esfriando, deixando essa história mal contada para uma outra hora.


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