Capítulo 23

Johnatan estava mais do que surpreso com a presença de seu pai. Havia passado 7 anos sem receber notícias de sua família em Nova York, apesar das intensas tentativas de sua parte.

Em seu primeiro ano em Londres, Johnatan escrevera diversas cartas para sua família, mas nem uma se quer foi respondida. Já no segundo ano, as diversas cartas tornaram-se apenas uma ou duas para desejar-lhes um feliz natal e um feliz aniversário, e foi no terceiro ano que Johnatan deixara de escrever.

Seus pais nunca haviam feito esforços para entrar em contato com ele. Talvez tal fato tenha ocorrido pelo brusco rompimento com Julia, ou pela simples decisão de ter ido viajar. Ele nunca soube o motivo. Mas agora tudo era diferente, seu pai estava diante dele, seus cabelos grisalhos demostravam o passar dos anos, e em seus olhos podia ver os longos anos de ausência.

Johnatan demorou alguns minutos para dizer outra palavra, pois aquela (Pai?!) ainda estava presente no mórbido ar presente no cemitério. Christine já não mais era focalizada por Johnatan que foi absorvido pelos grandes olhos castanhos de seu pai. Aquele olhar havia, por muitos anos, feito dele uma simples criança amedrontada, mesmo com os seus 18 anos quando resolveu deixar a casa dos pais.

Parece que todas as tristes e alegres lembranças voltavam para alegrar e apavorar aquele momento. Seus lábios estavam cerrados, olhos arregalados e suas mãos tremiam, diante daquela figura paterna. No entanto, Johnatan olhou diretamente nos olhos de seu pai e disse:

– O q.. que você está fazendo aqui?

– Olá, meu filho.

Seu pai estava calmo e tranquilo, tudo que um homem de respeito deveria ter diante daquela situação. A mãe de Christine deitada morta no caixão, 7 anos separados do filho, provavelmente, demonstrar raiva ou alegria, não seria apropriado.

– Olá, pa… pai.

Essa imediata gagueira fez brotar dos lábios de seu pai um singelo sorriso. E foi assim que a conversa deu início.

– Christine, não é?

– Sim.

– Sinto muito pela sua perda. Aliás, me chamo Richard, sou pai do Johnatan. Muito prazer.

Christine, simplesmente, acenou com a cabeça agradecendo as palavras do pai de Johnatan, e estendeu o braço para comprimentá-lo. Aquele momento a deixou desconfortável, sentiu-se estranha no próprio enterro de sua mãe, ambos alí, parados, olhando um para o outro. Ela, que observava, não conseguiu esboçar palavras para lhes tirar daquele transe, mas resolveu se afastar para poder deixar os dois conversarem com tranqüilidade.

Christine estava caminhando para um lugar distante, mais próximo dos seus desconhecidos familiares, mas ainda mantinha contato visual com Johnatan e seu pai, que por alguns instante, pareciam conversar civilizadamente, mas não durou muito. Christine pode observar, mesmo que de longe, uma briga que acontecia entre os dois, não uma briga de fato, mas uma briga de palavras.

Johnatan e seu pai gesticulavam, apontavam, viravam o rosto enquanto o outro lhe dirigia a palavra, alguns passos acompanhavam as palavras soltas ao vento. Tudo indicava que eles estavam discutindo, mas Christine não pode ouvir a discussão, até que Johnatan afastou-se de seu pai, que virou-se para onde Christine estava e viu que ela observava toda a discussão, disfarçando o olhar para uma outra direção.

Richard dirigiu-se para onde Christine estava, pois Johnatan não demonstrou querer continuar a “conversa”.

– Desculpe pelo que aconteceu. Não gostaria que tivesse visto essa cena.

– Cena?

Christine fingiu não entender o que estava acontecendo.

– Sim, a discussão que tive com Johnatan.

– Infelizmente, não pude deixar de notar.

– Claro. Bom, novamente, sinto muito pela sua perda, acabei chegando em uma hora imprópria.

– Obrigado.

Richard estendeu a mão e cumprimentou Christine, para a sua despedida.

– Prazer em conhecê-la, apesar das circunstâncias.

Christine só soube acompanhar o cumprimento de Richard, sem dizer alguma palavra, forçando Richard a voltar para o seu carro e seguir seu caminho, assim como todos os outros presentes no cemitério, que já estava quase vazio.

Johnatan, ao longe, observava seu pai se distanciando, e sentiu que poderia voltar para perto de Christine, pois estava mais calmo.

– Desculpe, Christine. Não gostaria que você…

– Tudo bem, não precisa se desculpar.

– É que…

– Já disse. Não preciso desse tipo de explicações agora, só preciso de uma companhia para voltar pra casa. Você me acompanha?

– Claro…

Johnatan ainda estava abalado com a visita de seu pai, e Christine sabia disso, e por esse motivo não quis saber do que havia ocorrido, preferia que Johnatan se acalmasse para poderem conversar com mais calma.

Christine sentiu~se aliviada por tudo aquilo ter acabado. Mas não pode deixar de olhar para trás, buscando o caixão de Michelle, e num tom muito baixo, quase inaudível, pronunciou:

Adeus, mãe. Sentirei sua falta.


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