Capítulo 21

Christine estava quieta, observando a figura de Michael parada à sua frente. Não sabia o que dizer de sua aparição, aliás, não sabia o que dizer de forma geral. Sua mãe estava morta, assassinada, mais precisamente. E eis que surge diante de seus olhos a única pessoa que ela não esperava encontrar – Michael.

Suas lembranças voaram pelos tempos passados, lembrou-se do que sua mãe havia lhe contado, dos encontros ao “acaso” que tiver com Michael e todas as dúvidas que necessitavam ser sanadas, mas oportunidades lhe faltaram. Mas agora ele estava diante de seus olhos, demonstrando seus sentimentos pelo ocorrido e ela não conseguia dizer uma simples palavra, nem as mais óbvias – “Como você soube?”.

– Desculpe a minha ausência.

Ausência? – pensou. Qual ausência? Nunca havia me dito que estaria por perto. As únicas vezes que se encontraram foram soltas no caminho do tempo, nada substancial, nenhuma conversa produtiva, só dúvidas e mais dúvidas. No entanto, Christine não conseguiu expressar tudo o que sentia, somente conseguia acenar com a cabeça, mas repleta de determinação, conseguiu balbuciar algumas palavras que deram a entender…

– Como você soube?

Sim, ela havia conseguido dizer as palavras que estavam presas em seus pensamentos, mas gostaria de não ter feito.

– Michelle foi muito importante para mim. Acredito que você já sabe de nossa história. Não é verdade?

Mas no exato momento que Christine iria responder a pergunta, Johnatan volta com o copo d’água, resmungando pela péssima acessibilidade do prédio.

– Praticamente impossível encontrar uma lanchonete por aqui, fora que tive que pegar este copo em um bebedouro no 7 andar, dá pra acreditar?

Johnatan não havia visto que alguém estava conversando com Christine, muito menos, lembrado que não estava a passeio e mesmo assim, sua atitude foi a mesma como se estivesse em um dia normal no Pub. Mas quando se deu conta que ela não estava sozinha, logo entregou o copo d’água e, atônito, observava Michael sem saber quem ele era.

– Johnatan, este é o Michael. Michael, este é o Johnatan.

Mesmo tendo sido apresentado, Johnatan conteve a formalidade e por poucos minutos não fez a desfeita da apresentação e, estentendo a mão, comprimentou com um rápido e firme aperto de mãos.

– Prazer, Johnatan.

Sempre com o seu ar superior, mas não inferiorizando seu recém apresentado, Michael dirigiu a palavra a Christine.

– Novamente, sinto muito pela sua perda, Christine. Infelizmente, tenho que voltar ao trabalho e não poderei ficar mais tempo.

E com essas palavras, se vira e segue seu caminho, mas no momento em que abria porta da saída, olhou para trás e com um olhar firme e decidido, olha para Johnatan, que já estava mais tranquilo, e saí sem dizer mais alguma palavra. Johnatan, por outro lado, sentiu um desconforto com aquele olhar e como se tivesse recebido um tapa na cara, sentou-se ao lado de Christine, ainda olhando para a porta da saída.

Christine ainda estava perplexa com o que havia acontecido, ainda mais com a pergunta (sem resposta) que Michael lhe fez.

– Então esse é o Michael? Pensei que ele era mais alto. Aliás, o que ele estava fazendo aqui?

Johnatan sentindo-se um pouco melhor, após o olhar frio que Michael havia lançado, perguntou a Christine, mas a resposta demorou para vir.

– Ele disse que a minha mãe tinha marcado a sua vida. E acredito que ele sabia de seu paradeiro e sempre acompanhou de perto a vida dela. Mas se for assim, por que será que ele nunca apareceu?

As palavras lhe saiam da boca, sem mesmo ter pensado nisso, parecia que a presença de Michael tinha lhe dado um impulso e até ânimo para aquela situação tão dramática.

E nesse momento, ambos foram interrompidos pelo funcionário que trazia a ficha para que Christine pudesse assinar e liberar o corpo de sua mãe.

– Senhorita, preciso de sua assinatura para a liberação do corpo.

– Oi? Assinatura…

Aquelas palavras foram um balde de água fria na empolgação que Christine estava. E só assim, conseguiu voltar à realidade e lembrar que sua mãe estava morta. Novamente, toda a sensação voltou como um ar frio de começo de inverno.


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