Capítulo 20

A delegacia não era próxima do hotel onde haviam encontrado Michelle. Johnatan fez questão de pagar o táxi até a delegacia, queria ajudá-la de qualquer forma que fosse possível, apesar de não dispor de tanto dinheiro quanto o pai, ainda conseguia juntar um pouco por mês para alguma emergência, diferente de Christine.

Quando chegaram à delegacia, Christine logo sentiu um frio na espinha, pois sabia que após uma rápida conversa e, quem sabe, um depoimento, teria que reconhecer o corpo, essa idéia estava, a cada segundo, acabando com as suas esperanças de que tudo aquilo tivesse sido um erro. Um simples erro era o que ela gostaria de encontrar e não uma dura certeza.

Johnatan teve que esperar em uma sala ao lado, enquanto Christine conversava com delegado. Essa espera estava acabando com ele, tinha certeza que pelo adiantado da hora, provavelmente, a notícia era verdadeira. Por um momento, tentou imaginar a melhor forma de confortá-la, mas preferiu não ser falso, queria que ela soubesse que ele estava alí, pro que der e vier.

Longos 40 minutos se passaram e nada de alguma informação. Johnatan estava ansioso, queria entrar na sala pra saber o que estava acontecendo, mas mesmo que tivesse tentado, não poderia entrar, pois um dos policiais estavam do lado de fora da sala de interrogação. Ainda inquieto, Johnatan levantou-se e foi em sentido à saída para respirar um ar fresco, aquele ar pesado da delegacia. Mas antes que alcançasse a porta, Christine saiu acompanhada do delegado. Ao longe, Johnatan pode ver algumas lágrimas que escorriam e, naquele momento, sentiu algo que nunca havia sentido antes – compaixão.

Quando mais se aproximava, pode ouvir o delegado conversando com ela.

– Sim, infelizmente, não conseguimos indentificar nenhum suspeito. Mas estamos trabalhando nisso, tente ficar calma que logo iremos resolver este caso.

– Claro. Mas a única coisa que não irão resolver é a perda.

– Sinto Muito…

O delegado com todo o seu tato, não conseguiu se controlar e acabou por desmerecer a situação, fazendo pouco caso da morte de Michelle, tratando a morte dela como um mero acontecimento corriqueiro. Christine notou a frieza na voz do delegado, mas controlou-se, pois, sabia que para ele aquilo não passava de mais uma noite com outros personagens. Os pensamentos de Christine foram interrompidos pela forte voz do delegado.

– A Senhorita deverá, agora, reconhecer o corpo no necrotério. Caso queira, podemos acompanhá-la até o local.

– Tudo bem.

E assim, foram Johnatan, Christine e um oficial para o necrotério. No caminho, Johnatan tentou conversar com Christine para tentar confortá-la, mas a amiga não se mostrou muito receptiva, mas mesmo assim, continuou sua tentativa até que ele conseguiu tocar no ponto certo.

– Como aconteceu?

– O delegado disse que foi um assassinato, mas não o hotel não tem registro da pessoa que se hospedou naquele quarto, o único registro que eles têm é o da minha mãe.

– Mas sua mãe frequentava o The Four Seasons?

– Não que eu saiba. Minha mãe quase nunca saia de casa. Achei estranho quando o delegado me disse isso.

– E eles não têm nenhuma informação a mais do que já sabemos?

– Não, disseram que, até o momento, só verificaram que ela foi morta com 3 ti-tiros no peito e um na cab-bbeça.

Aquela lembraça foi dolorosa para Christine e não conteve as lágrimas que caíam sem o mínimo esforço, assim como o seu corpo que logo encontrou o obro de Johnatan e, em prantos, permaneceu alí durante a viagem inteira.

– Chegamos. – disse o oficial.

Christine tentou se recompor, mas não conseguia disfarçar as lágrimas que teimavam em escorrer pelas bochechas. Ainda abalada, preferiu seguir o caminho ao lado de Johnatan, que a abraçava carinhosamente, enquanto o oficial indicava o livro que eles deveriam assinar para poderem entrar na sala e fazer o reconhecimento.

Ambos entraram, o oficial se despediu e seguiu viagem de volta à delegacia, deixando os dois sozinhos naquela fria e mórbida sala.

As paredes brancas e os objetos de metal traziam a morte pra mais perto deles. Christine já estava completamente abraçada a Johnatan, que também não queria largá-la sozinha.

– Por aqui, por favor.

O funcionário já acostumado com toda essa situação, tentou ser o mais delicado possível, mesmo sendo um necrófilo em suas horas vagas.

– Bom, fizemos o possível para não impressioná-los. Estão prontos?

Christine virou o rosto para o peito de Johnatan na tentativa de não ter que olhar para o que viria agora.

– Estamos. Por favor, pode levantar.

Christine tentou não olhar, mas sabia que ela teria que identificá-la e, resistindo até o último momento, virou demoradamente o rosto, ainda molhado, para olhar o corpo da mãe.

– S..sim.

E com vários acenos de cabeça, Christine confirmou a identidade. Agora, mais do que antes, as lágrimas brotavam de seus olhos como se algo dentro do seu peito fervesse, mas calor era a única coisa que Christine não sentia, um frio tomou todo o seu corpo e precisou que Johnatan a segurasse com mais força antes que ela caísse no chão. Suas pernas estavam fracas. A verdade agora era certa, não havia como fugir dela ou se iludir na tentativa de que tudo aquilo não passasse de um sonho. Sua mãe estava morta, fria como uma noite de inverno.

Johnatan conseguiu se equilibrar e conduzi-la para fora daquela sala fria e pra longe do corpo de sua mãe. E por alguns minutos ficou ao lado de Christine, mas levantou-se para poder pegar um copo com água para a amiga.

Enquanto isso, Christine olhava para a parede da recepção como se contemplasse um belo quadro, mas nada de belo havia naquela parede para se olhar a não ser algumas pequenas rachaduras. E assim, o tempo parou e só um som veio de encontro ao seu ouvido, era o seu nome pronunciado por uma voz a muito deixada pra trás.

– Sinto muito, Christine.

Seu olhos levantaram e puderam ver aquele belo homem postado bem diante dos seus olhos. Um belo terno acompanhavam suavemente os seus cabelos loiros e seus olhos azuis.

– Michael…


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