Capítulo 19

O dia já estava em seu final, a noite adentrava por entre as longas janelas que iluminavam as escadas do prédio. Christine, ainda estava sentada, seu olhar penetrava a noite que logo encontrou seus cabelos desarrumados. Suas mãos já não abraçavam os joelhos, estavam postas ao lado do corpo.

Nada mais a interessava. Suas lembranças alcançaram a infância ao lado de sua mãe. Momentos que havia esquecido devido ao corre-corre do dia-a-dia. Lembrou-se da vez que havia cortado o braço por ter caído da escada, sua mãe havia lhe advertido sobre esse tipo de brincadeira, e , aos prantos, correu até sua mãe que com todo o carinho lhe fez um curativo com todo o cuidado do mundo, ganhando um beijo e um abraço logo após.

Christine custava a acreditar que sua mãe, aquela que lhe ajudou por tanto tempo, estava morta. Tinha dificuldade de entender o motivo. Por que alguém lhe faria mal? Esta pergunta permaneceu durante longos minutos.

Minutos estes que lhe trouxeram do torpor à raiva.

Não mais lágrimas. Christine, agora, sentia ódio, a raiva dominava seu corpo e sua mente a cada instante. Seus braços estavam firmes, seu rosto, apesar de molhado pelas lágrimas, já não demonstravam fraqueza, mas determinação. E com um rápido movimento de seus braços, se postou ereta. Enxugou as lágrimas que ainda escorriam pelas bochechas e com uma longa fungada, decidiu fazer o que tinha que ser feito – ir à polícia.

Mesmo determinada, suas lembranças não foram suprimidas e ainda lembrava dos maravilhosos anos de sua adolescência. Várias histórias pra contar, algumas não tão boas de serem ouvidas, mas maravilhosas de serem lembradas.

E com todos esses sentimentos, Christine conseguiu chegar ao saguão. Muitas pessoas indo de um lado para o outro, alguns não muito preocupados com o que estava acontecendo, muito menos o que teria acontecido com ela. Mas uma pessoa que estava sentada do outro lado do saguão, logo a avistou.

Johnatan correu de encontro a Christine, que não notou a presença do amigo.

– Por onde você andou? Estou horas te esperando. Falei com a recepcionista e ela me disse que você havia subido, mas que até agora não havia descido. Estava preocupado.

Christine simplesmente olhou o amigo que de tão excitado não notou seus olhos inchados e continuou a falar.

– Você não faz idéia do que eu descobri. Sim, o Michael trabalha naquele outro prédio, mas não pude falar com ele, me disseram que ele não estava e que só voltaria na semana que vem. Poxa, você não acha isso incrível? Até…

Por um momento, Christine lembrou-se do motivo que havia lhe trazido até aquele lugar, mas não tinha a menor vontade de alongar a conversa, queria o mais rápido possível sair, respirar um ar puro. E assim, deixou o amigo falando sozinho e caminhou em direção à porta.

Johnatan ainda estava terminando a frase quando viu que, praticamente, estava falando sozinho. Olhou para o lado e a viu caminhando sozinha em direção à entrada.

– Christine? Espere.

Com alguns passos, conseguiu alcançá-la.

– O que houve?

– A minha mãe….

Christine parou no meio da frase. Teve medo de pronunciar a palavra – “morta”. Era como aceitar um fato inaceitável até o momento, pois mesmo tendo ouvido o que haviam lhe notifiado pelo celular, ainda não queria acreditar nessa história. Estava negando o fato ocorrido.

– Sua mãe? O que aconteceu com ela?

E com a mesma determinação que lhe fez levantar e seguir caminho até a delegacia, acabou contando para Johnatan.

– Minha mãe está m.. morta!

Johnatan parou onde estava ao ouvir aquela palavra que com tanto sofrimento fora pronunciada. E reparou como havia sido negligente com o sentimento da amiga. Estava lá, contando toda a história, e não foi capaz de reparar que ela não estava bem, que alguma coisa havia acontecido.

– Morta? Mas como?

– Assassinada. Foram o que me disseram.

– Quem te disse isso? Só pode ser uma brincadeira.

– Me ligaram. Era a polícia informando o que havia acontecido.

Johnatan queria ajudar a amiga de qualquer forma, não acreditou que aquilo seria possível e logo tentou acalmá-la.

– Mas será que não pode ter sido uma brincadeira?

– Não. Minha mãe era a única que anotava meu apelido na sua agenda de telefones, só ela me chamava assim.

Foi então, que Johnatan percebeu que a possibilidade de ter sido uma brincadeira já não fazia mais sentido.

– E o que você fará agora?

– Tenho que ir à delegacia e depois reconhecer o c…corpo.

– Posso te acompanhar?

Christine sabia que não aguentaria fazer aquilo sozinha e aceitou que Johnatan fosse com ela, pois seria melhor ter alguém ao lado para poder lhe dar apoio, naquele momento.

– Sim.

E sem mais palavras, ela caminhou para a saída rumo à delegacia. Johnatan que vinha logo atrás dela, pegou sua jaqueta e com um movimento suave e delicado, como se estivesse-na confortando, colocou-a sobre os ombros de Christine, pois já era tarde e o frio começava a se projetar contra as pessoas.


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