Capítulo 18

Christine já estava ansiosa, seu coração batia mais forte a cada passo que dava, sentia que iria rever Michael. Sem saber o por quê, tinha a impressão de que já era esperada, ainda mais pela simpatia que a recepcionista disse seu nome.

– Gostaria de alguma coisa para beber enquanto espera?

– Não, obrigado.

– Claro. Então, por favor, sente-se que já irão lhe atender.

Christine procurou alguma poltrona para se sentar, havia várias, mas preferiu a mais distante da recepção e dos olhares que passavam por ela. Sentia que todos a observavam, que a julgavam pela sua roupa ou pelos seus cabelos desarrumados. Estava afundada na poltrona na tentativa de desaparecer para os que passavam, mas não escapou de um olhar determinado que vinha em sua direção.

– Boa tarde, senhorita. Queira me acompanhar.

Apoiando-se nos braços da poltrona, Christine levantou-se com dificuldade ao mesmo tempo que tentava arrumar seu cabelo totalmente bagunçado. Suas mãos, descordenadas, pioravam o penteado de seu cabelo, seus passos eram pesados como se tivesse botas de concreto ao invés de saltos gastos pelo excessivo uso e, claro, pela falta de dinheiro para outros novos.

Percorreram o longo corredor até uma sala distante das outras, Christine teve a impressão de ser a maior sala do local, com portas de madeira e janelas para o corredor à suas costas.

– Por favor, espere nesta sala, já irão lhe atender.

Christine sentou-se. Por entre suas roupas subia um frio descomunal que gelava sua espinha, arrepiando os pêlos finos e loiros que possuia nos braços.

Não havia passado nem dois minutos que estava sentada à espera de alguém, mas horas haviam passado em suas lembranças, todas estas lhe remetiam às vezes que havia encontrado com Michael ou, pelo menos, as histórias que ele se fazia presente. A carta que sua mãe havia lhe mostrado, o dia do encontro na D-E-S-T-I-N-Y, os encontros com Marie e até a corrente que estava em sua mão, com as iniciais “MM” estavam revirando suas lembranças e estômago. A perda do emprego nem se fez presente, apenas lembranças sobre aquele homem alto e loiro que havia encontrado uma certa vez.

Impaciente, levantou-se. Suas mãos já estavam frias e suadas, parecia uma colegial à espera de um beijo tão sonhado. Por um momento parou frente à porta com uma imensa vontade de abrir a porta para ver se alguém estava chegando, mas teve medo de dar de cara com alguém. As janelas fechadas não possibilitavam uma simples olhada para o mundo lá fora. Estava sozinha, assim como estaria se estivesse em seu apartamento, mas desta vez tinha certeza que alguém tocaria a campanhia.

Christine já estava voltando para a cadeira de onde havia levantado quando ouviu um barulho vindo da porta. Virou-se, ajeitou a blusa, tentou arrumar pela última vez o cabelo, mas sem sucesso, levantou os olhos e um pequeno sorriso nos lábios e esperou que entrasse.

– Boa Tarde. Christine, não é? Sou o Michael Mayer. Disseram que você queria falar comigo.

– B-boa Tarde…

Christine não acreditava no que estava acontecendo, todo aquele desespero para nada, toda aquela angústia em vão.

– … Você é aquele que chamam de “MM”?

– Sim. (risos) Um pouco bobo, mas sim, sou eu mesmo. No que posso ajudá-la?

– Mas você não é alto e loiro!

Christine estava completamente fora do seu bom senso, não falava coisa com coisa, estava confusa e desapontada.

– Bom, pelo que vejo, infelizmente não sou loiro e nem alto. Por quê? Deveria?

– Talvez.

E foi com essa última frase que Christine pegou sua bolsa e saiu da sala sem dizer mais nenhuma palavra. Estava triste, irritada, confusa com tudo aquilo. Michael tentou alcançá-la e gritava para que ela ouvisse.

– Por favor, espere!

Mas Christine não queria saber, estava envergonhada, cheia de dúvidas e, claro, sentindo-se uma palhaça por tanto fantasiar, queria sair daquele andar o mais rápido que pudesse. Na recepção, a atendente tentou prestar algum tipo de auxílio, mas em vão foram suas tentativas. Christine estava decidida e a caminho das escadas se dirigiu.

Christine corria, descia degraus como um moleque fugindo de seu algoz. E lá pelo 3º andar, sua bolsa começou a emitir um som que já não ouvia há tempos.

– Alô?

– Sim…. sou eu. Quem fala?

Ofegante, Christina precisou para para poder ouvir o que estavam lhe dizendo. Sabia que não iriam mais incomodá-la com a história do andar “MM”.

– Sim. É a minha mãe.

– O quê!! COMO? O que aconteceu?

Christine parou. Seus olhos estavam distantes, mas seus ouvidos atentos ao que diziam, mas não por muito tempo, pois o celular caiu-lhe das mãos, já não estava mais preocupada se alguém a encontraria, estava completamente rígida, no entanto, seu corpo logo relaxou e sem poder pará-lo, mesmo querendo, escorregou pela parede de encontro ao chão e por lá chorou como uma criança oprimida.

Suas lágrimas caiam por entre suas mãos, soluços já não guardavam mais segredos. Chorava compulsivamente.

Meia hora havia se passado, Christine ainda estava sentada abraçando os joelhos. Já não chorava mais, balançava de um lado para o outro e com um único grito, saiu daquele transe que lhe dominava.

– MÃÃEe…

Sua voz sumia entre os longos lances de escada até que sumiram e somente o silêncio lhe fez companhia.


Fatal error: Uncaught Exception: 12: REST API is deprecated for versions v2.1 and higher (12) thrown in /home/folhe034/public_html/wp-content/plugins/seo-facebook-comments/facebook/base_facebook.php on line 1273