Capítulo 17

Johnatan não parava de falar sobre o que poderiam encontrar, como seria o tal lugar onde ele trabalhava, o quê ele fazia. Christine, impiedosamente, diz uma única frase:

– Mas nem sabemos qual é o prédio.

Essas palavras acabaram com o ânimo de seu amigo. Seus olhos já não brilhavam, muito pelo contrário, buscavam no fundo de suas lembranças algo que pudesse dizer-lhes o que fazer, ou pelo menos, onde procurar. Suas buscas tornaram-se improdutivas. Nada que remetesse à conversa que havia tido com Marie lhe dava alguma luz.

Christine, já impaciente com o silêncio, tentou puxar assunto para evitar que ele acabasse por se frustrar. E com a mesma rapidez que calou Johnatan, disse:

– Você chegou a ler os jornais hoje?

Como se tivesse tomado um tapa no rosto, Johnatan voltou seus olhos para Christine e por um segundo não encontrou palavras, mas logo completou.

– Não. Alguma coisa interessante?

– Interessante não digo, mas curioso. Alguém foi morto na noite passada, dentro de um quarto luxuoso de hotel. Bom, pelo menos era o que dizia o jornal.

Johnatan ficou perplexo, pois nunca soube de nenhum assassinato dentro dos limites da cidade, ainda mais em um quarto de hotel de luxo.

– Nossa! Isso aqui em Londres?

– Não sei, só li a chamada da matéria.

– Impressionante. Nunca imaginei.

– Pois é.

Christine nem sabia mais o que falar, disse aquilo somente para acabar com o silêncio que a estava matado. Pretendia, assim, tentar induzir Johnatan à outro pensamento, pois não estava com cabeça pra discutir o que irião ou não encontrar. Estava muito preocupada com o desemprego.

Poucas quadras os separavam da tão esperada busca. Cada quadra era contada por Johnatan de forma regressiva.

– 4….3….2….

Tamanha era a sua empolgação que Christine já estava anciosa para o que iriam encontrar. Seu coração batia mais forte, tinha certeza que aquele era o local. Não sabia exatamente o por quê, mas tinha a convicção que estava no caminho certo. A cada quadra a menos, Christine fixava os olhos ao longe, pesquisando as pessoas, olhando os becos, encontrando saídas, tudo aquilo por um homem amigo de sua mãe.

Faltava duas quadras e Christine, em um movimento brusco, agarra o colar que sua mãe havia lhe dado dias atrás. Era um simple colar, apesar de ser de ouro, tinha as letras MM.

– 2…1… Chegamos!

Como uma criança, Johnatan, em um pulo, levantou-se da cadeira e dirigiu-se à porta, esperando Christine que ainda estava se levantando. Christine, por sua vez, teve dificuldade de soltar o colar que segurava com tamanha convicção.

Ambos desceram do ônibus e na rua procuravam algum prédio que ficasse próximo à Galeria Nacional. Encontraram dois prédios, não tão próximos, mas eram os únicos que estavam praticamente juntos à Galeria. A dúvida de qual prédio seria estava matando Johnatan, mas Christine sentia, sabia qual era o prédio correto, parecia conhecê-lo como se fosse o seu próprio apartamento.

– Aquele! Vamos primeiro àquele.

Como guiada por uma força desconhecida, Christine logo atravessou a rua acompanhada de Johnatan que vinha logo atrás.

Quando ao Hall chegaram, puderam vislumbrar uma enorme entrada, uma linda recepção e um enorme display que indicava os andares e a quem pertencia.

Logo estavam os dois procurando algo que indicasse o andar. Johnatan sem saber por onde procurar, vasculhou andar por andar na longa lista. Porém, Christine logo soube onde ir, pois no display mostrava a seguinte linha:

“MM – manager”

Foram só essas letras que Christine conseguiu ler para saber onde procurar. Estava claro para ela que lá estaria Michael.

– Christine, encontrou alguma coisa?

Essas palavras foram cortantes. Christine não sabia o que lhe dizer. Algo dizia que ela deveria subir sozinha sem a presença do amigo.

– Não.

Sua voz tremia ao dizer. Sabia que estava enganando seu fiel parceiro, mas também sabia que era o certo a fazer. E com a voz ainda trêmula, logo disse:

– Acho que seria melhor se a gente se dividisse. Eu fico neste prédio e pergunto na recepção sobre alguma informação e você vai ao outro para tentar descobrir alguma coisa. O que acha?

– Claro, será bem mais rápido.

Christine sem palavras e sentindo-se mentirosa, acena com a cabeça para o amigo.

– Então nos encontramos aqui.

– Ok.

A longos passos, Johnatan dirigiu-se para a porta de saída enquanto Christine estava postada abaixo do letreiro a espera da saída de seu amigo. Ela sabia que não teria muito tempo para descobrir o que aquelas letras queriam dizer. Correu até a recepção para poder receber autorização para subir.

– Boa tarde.

– Boa tarde. No que posso ajudá-la?

Christine olhou novamente o letreiro pra saber o andar exato.

– 8º Andar.

– MM?

– Sim.

– Seu nome, por favor.

– Christine…

Antes que dissesse mais alguma coisa, a recepcionista logo interrompeu.

– Claro, senhorita. Por favor, pode subir.

Christine não entendeu a atitude da mulher. Ela nem havia pedido uma identificação e logo deixou-na subir. Por uns segundos tentou imaginar o motivo daquele tratamento, mas lembrou-se que, naquele momento, tempo era o que ela menos possuia. Dirigiu-se ao elevador.

– MM, por favor.

Longos segundos de espera fizeram de Christine a pessoa mais impaciente do elevador. Mexia na bolsa, arrumava o cabelo sem saber o motivo, mas continuava a arrumá-lo.

– MM. – Disse o acessorista.

Quando desceu, Christine estava perplexa com tamanha beleza. Longos vidros separavam o hall de entrada da recepção. Luzes iluminavam tanto o hall quanto a entrada para o andar, ternos e mais ternos passeavam por entre os corredores. Tudo parecia funcionar perfeitamente.

Quando na recepção chegou, após passar pela porta de entrada, Christine achou-se mal vestida, sentiu-se acuada, mas determinada na sua busca. Quase à beira da bancada, foi surpreendida pela recepcionista.

– Boa Tarde, Christine.

Aquelas palavras foram decisivas para dar-lhe a certeza que estava no caminho correto.


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