Capítulo 16

Oito horas era o que dizia o seu relógio, nem um minuto a mais ou a menos. Christine estava nervosa, agitada, preocupada com o desfecho que Paul iria dar ao seu emprego, mas mesmo assim, postou-se firme em seu caminhar até a porta do Pub.

Quando lá chegou, Paul estava fechando as portas para um descanso merecido após uma longa noite de rodadas e mais rodadas, ainda mais sem uma funcionária. Paul estava prestes a virar as costas quando Christine toucou-lhe o ombro, na tentativa de parecer simpática.

– Bom dia, Paul.

– Bom dia? É verdade, pensei que ouviria um boa-noite, ontem.

– Sinto mui..

– Você sente muito? Claro que deve sentir, pois agora terá que encontrar outro emprego, sendo que este já não é mais teu.

– Paul, por fav..

– Eu que lhe peço, preciso descansar.

– Eu preciso deste emprego, tenho contas a pagar.

– Deveria ter pensado nisso ontem, não agora.

E sem mais palavras, Paul deixou Christine à porta do Pub sem nem olhar pra trás. Christine que agora estava mais preocupada que antes, derramou uma longa lágrima que lhe escorreu pelas faces até a ponta e seu queixo.

Após alguns minutos caminhando sem rumo, Christine sentou-se em um banco, procurava uma solução, que teimava em não surgir. Realmente, deveria ter pensado antes de como esse emprego era importante para ela e para a sua permanência em Londres, pois, por mais que tentasse, não gostaria de ter que voltar à casa de sua mãe.

Neste momento, Christine nem lembrava mais de Michael ou qualquer outra coisa que lhe aconteceu no passar da semana, só tinha olhos para o que ouvirá de Paul e o quanto tudo aquilo acabaria lhe afetando. Teve vontade de procurar Johnatan, mas nem se quer sabia seu endereço, quanto mais o telefone.

Estava completamente perdida, sem amigos, sem trabalho e quase sem dinheiro, pois recebia por semana. Decidiu, então, ligar para a sua mãe, sendo que ela era a única que poderia lhe ajudar neste momento. Andou até um telefone público, procurou algumas moedas para fazer a ligação e então, discou o número.

Um, dois, três, quatro toques e nada. Parecia que sua mãe não estava em casa. Agora, mais preocupada e insegura que antes, realmente, não sabia o que fazer, pra onde ir ou com quem conversar. Estava perdida. Tentou novamente, mas, como da outra vez, ninguém atendeu.

Vagou pelas ruas olhando vitrinis, vez ou outra, observava as pessoas que pela rua caminhavam, seus sorrisos, alegria que, naquela hora, não poderia nem sequer fingir, quanto mais sentir.

Meio dia. Seu relógio não a enganava, estava faminta. Com tanta coisa acontecendo, esqueceu que não havia tomado café. Procurou um velho conhecido restaurante, um que tinha costume de almoçar quando estava pelas redondezas.

Sentou-se e, prontamente, o garçom lhe atendeu.

– Bom dia, Christine. O que posso lhe servir hoje?

– Um emprego – respondeu com um sorriso nos lábios.

O garçom solto uma alta risada.

– O que aconteceu? Parece que não está em um bom dia.

– Não. Realmente não estou. Acabei de perder o meu emprego.

– Nossa. Mas, provavelmente, conseguirá encontrar outro. Fique tranquila.

– Deus lhe ouça – respondeu sem muito entusiasmo.

O garçom deu um pequeno aceno com a cabeça e se distanciou. Christine pegou o cardápio e procurou por algo barato, algo que ela pudesse pagar. Fez o pedido. Enquanto esperava contava suas economias, precisava saber quanto ainda tinha pra gastar, ou não.

Duzentas e cinqüenta libras era tudo que possuia, contando com o dinheiro que estava em sua conta. Não era muito, sabia, mas poderia passar umas 3 semanas sem se preocupar demasiadamente.

O almoço não foi demorado, ainda mais com a fome que Christine estava. Pagou a conta e logo se levantou para seguir seu caminho incerto. Na porta do restaurante, Christine ouve um barulho que a tempos não ouvia seu celular tocando.

– Alô?

– Johnatan! Graças a Deus, precisava conversar.

– Não, não consegui acordar, acabei levantando de manhã.

– Sim, fui demitida e não sei o que fazer.

– Conhece o restaurante Plummers?

– Acabei de almoçar, posso esperar se quiser.

– Tudo bem, estou te esperando.

Um sopro de alegria invadiu seu corpo, não era uma promessa de emprego, mas a promessa de um amigo para conversar. Sentiu-se aliviada, pois agora não estava mais sozinha, pelo menos, não estará dentro de alguns minutos.

Johnatan chegou todo sorridente, parecia que estava contente e vê-la. Christine sentiu-se amparada pelo sorriso do amigo.

– Fiquei preocupado com você, ainda bem que está tudo bem.

Christine abriu os lábios e simulou um breve sorriso.

– Desculpe. Não quis ser rude. Sei que você perdeu o emprego, mas pelo menos você está bem e com saúde. Foi isso que quis dizer.

Christine correu os olhos até encontrar os dele e pode reparar que ele estava lhe dizendo a verdade. Sentiu-se, então, feliz por ele estar preocupado com ela. E com um sorriso, agora não simulado, agradeceu com os olhos.

– Ontem eu queria te contar várias coisas que acabei descobrindo sobre o nosso “amigo”.

– Amigo? De quem você está falando?

– Michael, esqueceu?

– Nossa, nem tive cabeça pra pensar nisso. Hoje o dia está cheio.

– Sim, claro. Mas ouça.

Johnatan começou sua história. – Conversei com a Marie a pouco e ela disse-me que encontrou-se com Michael no mesmo dia que havia conversado conosco e que ele, provavelmente, estará na cidade hoje. Então podemos arriscar e ir até o local que ela nos indicou. O que acha?

– Não tenho mais nada pra fazer. Vamos!

Parecia que a alegria de Christine, realmente, havia voltado. Não sabe se foi a presença do amigo ou da notícia, mas que já estava com esperanças novamente, isso sim.

Ambos sairam do restaurante e seguiram viagem até as proximidades da Galeria Nacional, local indicado por Marie. Subiram no ônibus que os levariam até Pall Mall East.


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