[Conto] Em algum lugar

Velas acesas enchem o ambiente com sua luz fraca. A lareira, quase morta, fecha o espetáculo junto a leve chuva que bate na janela pelo lado de fora. Um longo sofá se faz presente entre os feixes de luz que teimam em aparecer vez ou outra.

Um jovem observa o belo espetáculo que se forma ao seu redor, e pensando no que havia feito até aquele momento, lembrou que nunca tinha visto tamanho esplendor. Sentimentos vinham a sua mente e já não se sentia perdido, acreditava que ali era o seu lugar.

Sentia-se acordado, finalmente. Porém, temia que tudo aquilo não passasse de um  sonho, de uma bela recordação de tempos antigos, tanto que podia jurar que não estava no presente, mas no passado, pois o silêncio noturno era profundo, assim como seus pensamentos.

Cada móvel, cada carpete e cada objeto lembravam antigas fotos de seu avô. Fotos perdidas de um álbum empoeirado guardado no sótão da casa de seus avós, parentes que nunca teve muito apreço, mas reconhecia, agora, o quanto deveria ter dado atenção  as suas histórias de tempos onde a tecnologia não fazia falta, aliás, não existiam. Seu avô teimava em brigar com ele, dizendo que não entendia o por quê dele ficar horas em frente a um objeto inanimado enquanto havia tanta coisa bonita de se observar. Tantas lembranças que, em meio aos profundos pensamentos nostálgicos, pensou se realmente tudo aquilo não seria um sonho, uma vontade de ver o passado novamente. E coberto pelas chamas quase apagadas da lareira, adormeceu no sofá.

Ao acordar, a luz da manhã tomava conta de todo o ambiente, a lareira, já em cinzas, não tinha mais a imponência de outrora e as velas temiam a luz do sol. Mas a sua maior surpresa foi ver que o sofá não aparentava ser tão grande como havia pensado, e ao se atrever a olhar pela janela, seu espanto foi ainda maior! Uma linda manhã de outono estava esperando-o. Não havia mais carros rua, nem prédios gigantescos com seus escudos de vidro, mas pessoas bem vestidas, que conversavam, andavam e levavam suas sombrinhas a tira colo pelo imenso gramado do que parecia ser um hotel.

Ele não entendia o que estava acontecendo, tinha certeza que na noite passada, quando havia se hospedado, não era essa a paisagem que ele havia visto. Ficou minutos a observar o que estava acontecendo, buscando uma resposta lógica para tudo aquilo; segundos, minutos, horas e nenhuma resposta razoável. Decidido, resolveu descer e sentir o que acontecia.

Depois de vários comprimentos e de doces olhares, conseguiu chegar à parte externa, no mesmo local que acabara de olhar pela janela de seu quarto. Mais alguns minutos foi o tempo necessário para que ele acreditasse no que estava vendo. Seu primeiro pensamento lógico foi seu avô, e com queria que ele estivesse ali, para presenciar aquele momento com ele. E sentiu-se feliz, como na noite passada; tranquilo apesar da imensa surpresa.

Por quantas pessoas passasse tantos comprimentos recebia. Reparou na polidez e delicadeza com que as pessoas falavam e lembrava como havia sido ontem pela manhã, aonde todos muito fechados, nem o cumprimentavam. E andando, chegou à beira do lago e deitou-se. Ouvia os pássaros cantarem, observava o baile em que as nuvens dançavam. Sentia-se completo, satisfeito, sabia que ali era o seu lugar.

E foi deitado à beira do lago que o jovem rapaz fechou os olhos e nunca mais acordou daquele instante.


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